Eu..Lia...

 

Olindense por amor e escolha e Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.

Amiga, companheira, justa, verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais  injusta.

Desenvolvi no decorrer da vida, as artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e pátina.

mas de todas as construções artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos textos

e com um desejo maior...que o leitor mergulhe como um personagem.

Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família

Venho de uma família sólida, uma mãe que soube doar amor,

carinho e alguns tapas na hora necessária. Hoje olho o céu e

vejo uma estrela piscando e sei que ela escolheu ficar ali, no céu e

está sempre invadindo meu quarto com seu brilho de estrela.

Mesmo que o sol esconda por algumas horas,

eu sei que ali está minha mãe feliz e sempre guiando meus passos.

Meu pai, antes de pai um amigo sincero, fiel adorável,

um HOMEM que cita que requisitos bons, como ser humano não é

elogio é dever de cada um e ele segue a risca o princípio cristão:

Amai o próximo como a ti mesmo. E assim sendo diz tudo.

Filhos, meus lindos bonequinhos , que criei com amor mas ficaram grandes,

homens que aprenderam a cantar e voaram para longe do ninho, mas não

esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.


Amor


Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.


Amigos

 

Todos meus amigos da net, todos meus amigos reais,

enumerá-los seria maldade, se  acaso esquecesse unzinho,

reservo-me a dedicar cada texto a cada um também, como

se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.



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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.

Espero que gostem, sejam benvindos(as).

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O Ventríloquo.

Lia Lúcia Almeida de Sá Leitão.
08/08/2005

A vida tomba diante da tinta que se manifesta e infesta, a alma do artesão como poeta, a mão que não acerta o verso, o verso que não encontra a escrita e a labuta diária da praça como cenário, de teatro o estrado para o homem e o boneco, os pássaros e as plantas, os gritos agudos das crianças e a voz sumida do mendigo, a vida em ebulição. O pipoqueiro  insiste em seu microondas macaqueando o poste de luz, escondendo a usada  panela de alumínio meia de óleo e fundo preto da fuligem do velho fogareiro a gás butano, cheiro, milho transgênico de vários sabores e o anuncio de promoção pague duas e leve uma grátis.
O dia já amanheceu faz tempo, uma nuvem suntuosa encobre o sol que estarrecido ilumina cinza os desejos de quem pede calor, a impotência da ameaçadora chuva diante dos que brincam de corre-corre, bicicleta, velocípedes, ignorada também, pela mesa dos quatro aposentados jogadores do dominó, carros que circulam as extremidades das ruas nem percebem a cor da manhã de sábado e contribuem com suas buzinas e freios a impossibilidade do esquecimento da semana passada mesmo diante do crepúsculo inusitado daquele dia que seria de verão.
Meio ciclônico um vento levantava as saias das moças da escola Episcopal, roubava com a mão de fada os véus das viúvas e senhoras que se dirigiam à reza matutina, tremulava afoito a folha de metal representando o papel do poema que sentado num pedestal de granito olhava fixamente para o Museu do Estado ali na sua frente, devia estar entediado das cores sempre rosas e portas cor de mogno polido e sempre fechadas ao público, o jornal do homem que embrulhava amendoins torrados, naquele momento um lambe-lambe registrava a folha da árvore desprendida e sem rumo voando como uma pipa sem a mão de Ariadne segurando o fio.
Vendedores ambulantes ofereciam, colares, bolsas, passes estudantis, Cds pirata,  um homem gritava olha o dólar vendo pelo comercial, outro berrava olha a borboleta da sorte,  confirme pela Loteria, a banca clandestina do bicheiro vendia mais que um zoológico inteiro, sapos, pombos, urubus, cobras, lagartos, rato, leão, cavalo, peru e os olhos fixos nos números tombavam a ilha numa festa de confirmações, mexericos e discrepâncias políticas como futebol.
Era a festa do sol encoberta pela nuvem magnânima sem dia de padroeiro, todos podiam circular sem serem percebidos ou configurarem estruturas de esculturas estáticas, sempre a espera do astro rei.
Mas ela estava ali, importante, dona da chuva, a manda frio, manda qualquer coisa desde que a farra daquele momento se desfaça num aguaceiro gélido de inverno em pleno verão.
Era essa a idéia, lavar as bocas sujas dos palavrões no jogo dos avós, lavrar a mão de Ariadne para segurar o fio da história, apagar com o fogo do botijão a gás do pipoqueiro e inundar a rua de cascabulhos, entulhos, que desceriam da ladeira pelo oitão da Igreja Matriz.
Ninguém via a intenção da nuvem, assim como ninguém mais lia a novidade do dia, comiam-se os amendoins e jogavam-se as notícias na lixeira junto à garrafa dos refrigerantes das horas passadas.
Ninguém consumia a feirinha de artesanatos, nem o banheiro público.
Os artistas da praça cada um aos seus postos sorriam de um público enamorado, o homem do realejo alegrava desde os desiludidos de amor aos amantes de beijos estalados, rodava a maçaneta daquela caixa ornamentada de flores e santos, de doirado e vermelho, de franjas e fitas de cetim, já usada e carcomida, maltratada há anos que definhava um som cansado como o dono, mesmo assim os graves e agudos se propagava num mesmo bemol e o macaquinho coreógrafo, atado em fita escarlate fulgurava em brios dando inveja ao sol escondido, dançava, rolava, dava uma, duas, cambalhotas e puxava o bilhetinho da sorte, aquela moeda de centavo comprava o lampejo milionário da felicidade.
 Os transeuntes circulavam o caminho iluminado das pedras que davam um brilho de vidro polido aos ladrilhos delicadamente desenhados para deleite dos solados dos sapatos, fossem rústicos como o de um homem que atravessava em passos rápidos para a feira, como a mulher que segurava a sacola e uma velha sobrinha florida de passei, como os saltos da bem vestida moça que cortava o espaço na contra mão em direção ao caixa eletrônico, como a adolescente que arrastava as chinelas num tom cadenciado de preguiça, daqueles que consumiam as idéias pautadas na economia sempre compenetrados de cabeças baixas como quem contava pedrinhas ou procuravam anéis perdidos.
 Vozes altas, sussurros, psiuus, assovios, gritos, momentâneo silêncio quebrado por um canto de pardaloca,  e o blá blá blá que sopra sem as barreiras do som tomavam o encanto de uma ópera completa, a música misturava aos pigarros do mendigo que implorava o pingado com pão na padaria da esquina.
Tudo virava às avessas, tudo girava sentido anti-horário, o dia insistia em não abrir em sol, mas nada ali parecia perceber o homem de casaca azul desgastada pelo tempo, chegou em silêncio, tirou do braço esquerdo um banco amarelado, deitou ao chão uma sacola preta e abriu, retirando de dentro um boneco de meio metro com cabelos de fiapos de pano até o ombro, arrumou banquinho na posição de conforto para a perna e deixou-se acomodar o pé direito onde acomodou aquele boneco sentado sobre a cocha, vestido de paletó e gravata, chapéu de taxista dos anos 30.
O feitio do boneco não passava de um menino sapeca aos 9 anos franzino e feio, com lábios carnudos  desproporcional e acentuadamente vermelhos, olhos esbugalhados que não perdia uma cena, cheio de piadas e chistes, jogou o chapéu no chão, e abriu uma coluna, o boneco falava e o homem olhava com espanto a sabedoria do ser, sua primeira piada abria as galhofas para o público: 
AS PIADAS COMEÇAVAM SEM PIEDADE.
Os dois caipiras se encontram numa venda:
- Oi, cumpadre! Como vão as coisas?
- Tudo bem! Vosmicê sabia que o Chico casou?
- Sabia, não! Casou com a Lindalva?
- É, aquele mulherão! Agora o bicho tá que é um touro!
- De forte?
- Não, de chifre!
Terminada a piada em seguida emendava com voz de jornalista ... Mulher de pernas bonitas vale uma loa, pão de broa e um beijo na boca! Mulher de pernas feias, com marcas de feridas vale um empurrão na fila do INSS, moça bonita não paga show só as feias que desfilam de camburão.
Moça pronta pra casar é quem tem casa, cama e fogão receitas de quitutes de manjar, as feias  só servem para arear panela, e rezar as orações de Santo Antônio para desencalhar.
Olha a mulherada solteira marido se pega pela barriga, e pela barriga macho sabido prende mulher bronca, mas aquele que se diz macho de verdade se prende é de  trabalhar.
Marido de barriga, namorado de marmelada se borra todo no jantar, homem decente sem vergonha de pai de moça casadoira, quer namorar e ganhar tempo alegrando a mãe e a avó com cocadas de menina moça ou terços de contas de vidro para velha poder rezar .
A praça inunda de gente, o homem de azul impecável pára e respira, passa o chapéu ganha os trocados, conta todo o volume de moedas num balançar de chapéu, no passar dos olhos os dinheiro, e diz em voz alta para aquele público o nome do boneco é Alcebíades veio numas férias de navio direto de além mar, das terras dos Reis Católicos onde já não podia cantar, a polícia não  dava tréguas nas ruas, correndo risco de ser preso, mandando pegar o caminho do mundo que ali não era praça pra vadiar; e o ventríloquo que vos fala de nome se chama Sávio.
É agora na rua ou no improviso do mambembe sua casa 5 é a sorte; e de 5 peças cantadas a cada dia 5 dias nos castelos desdenha das damas do reino, das festas de confrarias fala das casamenteira, aos Santos de Padrinho Cícero ou mesmo Frei Damião a fé de remissão, alegrava inocentes e adultos, nos bailes da cidade nas danças profanas e moças dos pastoris.
Uma tarde apaixonou-se por uma moça e fez uma loa irreverente começou a pesquisar sobre a sapiência do prefeito.
- Fiz um levantamento em nível municipal para saber as coisas que o homem mais gosta. Em todos os cantos da cidade a resposta era uma só:
- Dinheiro e mulher!
Em todos os campinhos de futebol, os homens respondiam de pronto: "dinheiro e mulher".
Quase ao final da pesquisa, ele encontrou o prefeito sentado na calçada da bodega pitando um cigarro.
- Bom dia.
O o Prefeito deu uma tragada, cuspiu de lado e respondeu: "dia, só."
- Estou fazendo uma pesquisa para saber as coisas que o homem mais gosta. O senhor pode me responder?
O Prefeito ficou em pé deu mais uma tragada e mais uma cuspida:
- As coisa que o homem mais gosta é "dinheiro, muié e bicho de pé".
O pesquisador, estranhando a inclusão do item "bicho de pé" na resposta, perguntou:
- Olha, todo mundo falou dinheiro e mulher. Mas e bicho de pé?
Mais uma tragada e mais uma cuspidinha, o prefeito retrucou.
- O. Que que adianta  ter dinheiro e mulher se o "bicho" não tiver de pé?
Quando o Prefeito descobriu a bagunça imediatamente mandou apurar a brincadeira sem graça, expulsar boneco safado e faceiro na fala do desarvorado.
Ventríloquo, pé rapado chamado de desaforado,  o verdadeiro atentado ao pudor da autoridade da cidade só pra chamar a atenção da filha mais nova do desafortunado, o dono da arte debochada depois de ser expulso da praça, saiu cuspindo  bravatas que só quem tem arte pode falar.  
- O rico  tem o carro cheio de garotas e um cara cheio de marra na direção, lá iam eles pelo interior, numa estradinha de terra fazendo turismo. De repente, parado na beira da estrada, tinha um Matutinho. O garotão disse:
- Vou gozar esse caipira. Disse o boa pinta para as meninas.
- Você vai entrar bem. Disseram as garotas.Esses matutos de beira de estrada não perdem uma.
- Vão perder hoje. Falou o cara.
O garotão boa pinta parou o carro em frente ao matutinho e disse:
- Como é o nome desse porquinho aí do seu lado, ô compadre?
E o matutinho sem tirar o zóio do fumo que estava pitando respondeu:
- É Ocê!
As meninas caíram na gargalhada.
O rapaz ficou meio perdido, mas vinha vindo uma porca na direção deles e ele teve a idéia genial:
- Ah... e aquela que vem lá é a mãe d'o ce, não é?
As meninas adoraram a saída do rapaz mas pararam logo de rir ,quando o caipira falou, pausado:
- Não aquilo ali nem é porca . Aquilo é porco. A mãe d'oce eu comi ontem!

E o ventríloquo é expulso da cidade!



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A felicidade.


                                            Lia Sá Leitão - 28/01/2002
 
Tenho visto muitas coisas nessa vida de meu Deus! Um fato interessante tem sido a forma de como se expõe a felicidade, a forma como se pode sentir a felicidade, pelo Universo Virtual, o que costumo chamar de real enganador a felicidade também possui suas nuances interessantíssimas, deixando até o âmbito do virtual para se caracterizar em um sentimento real, sentido, desejado.
Saber que mesmo sem  pele, sem o cheiro, sem olhar, sem o beijo roubado, sem aquele abraço apertado que se deseja dar ou se sonha em receber , saber que ali por momentos que se somam ao eterno nunca se está só e  as sensações existem.
A felicidade consiste na forma mais adocicada de olhar a vida e poder sorrir o sorriso da criança que guardamos mesmo depois de adultos, aquela criança que não podemos deixá-la fluir no trabalho, nas reuniões, nas contas a pagar, mas que podemos soltar as amarras a cada encontro de bem estar com a pessoa amada, a cada prazer de proximidade, estive pensando outro dia, a felicidade também se inclui entre o prazer o e orgasmo, mas qual a grande diferença entre prazer e orgasmo que tanto confundimos como homens e mulheres?
Mas não importa a minha elucubração entre as sutis diferenças entre o orgasmo, prazer e felicidade, pensem!
Pensem!
O que interessa aqui é cada alegria, cada nascer do sol, cada brincadeira que brincamos, cada sorriso, cada susto diante de uma resposta inusitada e divertida... por momentos podemos até extrapolar o momento de felicidade.
A felicidade nada mais é do que o sentimento que quebra as forças do insensato, pode desarmar a humanidade, acabar com intrigas, é tão generosa a felicidade que uma pessoa feliz pode promover a paz.
Mentira? É não!
Olhem o sorriso do Dalai Lama,
Olhem o sorriso dos anjos,
Olhem as estrelas,
Olhem amanhã p/ a Lua,
Olhem bem dentro de vocês, escutem o coração fazendo
tum tum... tum tum
quando voltamos no tempo e olhamos para trás e percebemos que crescemos em  algum aspecto isso causa um certo regojizo.
O valor das nossas amizades construidas ao longo dos dias, meses, anos, não é de forma nenhuma mero acontecimento, é felicidade!
Já pensou o quanto não é complicado a vida sem confiança no outro?
O quanto é difícil não ter com quem repartir uma fofoquinha, um tititi, uma confidência?
Realmente! deixo de lado meus questionamentos entre prazer e orgasmo e passo a refletir sobre felicidade e confiança, uma situação depende da outra direta ou indiretamente para ser experimentada.
A felicidade obrigatoriamente tem que ser coletiva ou é um estado de espírito ?
Eu posso estar isolado das benesses do mundo e ser feliz?
Eu posso estar envolvido ao tudo da vida e não ser feliz?
Se alguém em sua realidade existencial jamais será ninguém, como posso julgar a felicidade em seu estado pleno? 
É necessário fracionar para se entender o todo.
Alguém uma vez me questionou; As nossas consciências podem estar felizes diante das adversidades sociais que hora nos apresentam as reportagens? Disparidades sociais, fome, guerra.
Fiquei matutando, mas que diabos! Isso é verdadeiro! como posso ser tão feliz diante desses fatos?
Não encontrei respostas, optei por falar, a felicidade é pessoal, é um elemento de vida subjetivo aquele que se diz feliz, ela tem consciência dos exageros do homem  mas se torna invulnerável diante das situações de bem e mal estar, ela simplesmente acredita que PODE, e pode certamente ser feliz se olhar cada falha, cada nesga, cada rusga de forma natural e ali encontrar um certo discernimento para alguma formar de crescimento interior.
Quando  estava colocando a minha felicidade num poço de infelicidade por que via as dores da humanidade e nào podia fazer nada...absolutamente nada! Resolvi inverter o meu processo de visão de mundo, e perceber o sorriso nas pessoas, e analisar as pessoas em seus contextos, por que um homem em plena guerra sorri desatinado quando vê seu filho carregando uma arma, que felicidade é aquela?
A felicidade independe até de estado, condição social e financeira.
Ela é por si!




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A Paixão.


Lia Sá Leitão - 11/11/2001
 
 
A paixão persegue as horas.
caminha lado a lado
aos desejos
dos sonhos mais que infantis.
É alegre e bobo.
É fogo que arde sobre a pele
É musica que se mistura
entre a marchinha de carnaval
que alegra a vida em quatro dias
mas sempre deixa uma saudade e Franz Schubert
A Paixão
não tem explicação sensata!
 
tem o poder de dar asas a imaginação,
tem poder de acabar os vazios,  
tem o dom da insensatez,
tem a consciência do amor em dor que se foi
tem o poder mágico da coragem
e salva a esperança
acredita
que novo amor que virá.
A paixão tem efeitos mágico na alma,
deixando vulneráveis os céticos,
deixando dementes os alegres
deixando assombrados
aqueles
que se escondem
a todo custo da Paixão.



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A Diferença se Faz

Lia Sá Leitão - 17/02/2002

A diferença se faz na voz do homem que grita a liberdade!
A diferença se faz no gesto do homem que destemido enfrenta
o bem e o mal.
Se ser honesto implica desconfiança de muitos,
que fazer,
para entender o mundo sem cor dos abandonados da sorte?
Meu sucesso é meu suor, meu amor,
minha estrada tranqüila,
meu trabalho é como o nascer do sol,
radiante em luz!
Que fazer,
para dizer que a diferença se faz na integridade dos gestos,
na realização dos atos?
Mas se desconfias da sinceridade dos meus olhos,
se desconfias da minha palavra escrita,
se duvidas da minha fala!
Que pensar?
não me tens amor, amizade ou fé.
Que fazer? Que pensar?
Partir!

Adeus – carta de despedida.

Lia Lúcia – 18/08/2002
 
A penumbra, desperta o ciúme das outras sedas
Angustia na espera as horas de solidão
E tu vens mentirosamente para casa,
cansado do dia ou sonolento da madrugada
subestimando alegria ou dor
fazendo-se vida
e tens a coragem dos loucos,
pára o carro ... abre silenciosamente o portão
não me queiras furtar como bandido
as minhas lágrimas
finjo sempre que durmo
e tu entras sorrateiramente
invade
minha canção,
beija-me a testa como quem diz:
o que faço,
já não somos mais os mesmos?
e  sinto teu cheiro pelo quarto
e quantos outros cheiros invadem meu quarto!
Não posso abrir os olhos e dizer vem,
esperei por ti todas essas horas de penumbra.
Se abro os olhos, o que dizer?
Sinto medo?
Céus!! Nós nos perdemos!
Quanto tempo passaremos até um novo amanhecer?
Por quantas camas dormirás até perceber que a minha não te cabe?
E eu?
O que faço entre a repulsa e sexo?
Ai, Que dor!!
Mas, um tem que sair para dar coragem ao outro de seguir
Não importa se quem ama mais, ou quem tem menos coragem.
Eu saio da tua vida .
Sem raiva.
Sem mágoas.
Levo uns quilos de saudades!
Valeu o tempo!
Adeus!



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A Equilibrista.
Lia Lúcia de Sá Leitão
9/08/2005


 Raíssa era a graça do espetáculo, treinava o mesmo show apresentado na noite anterior causando admiração e espanto na criançada; era o brilho da festa, vestia uma malha de bailarina cor-de-rosa e saia armada, bordada com flores em lantejoulas brilhantes, tudo perfeito, jamais se machucava, subia com a ajuda do apresentador naquele quadrado de madeira e graciosamente, abria uma sombrinha de vidrilhos rosa com motivos infantis, combinando com a sapatilha que parecia acertar cada passo com a leveza de uma borboleta naquele arame fininho a uma altura de três metros do chão, sem colchão ou rede para a sua proteção no caso de um acidente, a menina brincava, desenvolvia uma coreografia de adulto, dava viravoltas diante dos olhares atentos, pulava e passava a sombrinha por entre as pernas, ficava nas pontinhas dos pés aqui e ali; sem perder a formosura mantinha o corpo esguio com a graciosidade que só as pequeninas atletas sabem exibir. Ela era a melhor. Os olhares atentos... sem um rumor mais alto na platéia dava um clima de mais concentração, mistério.
Mas na vida de Raíssa tudo tinha um preço, o trabalho era exaustivo para uma criança com nove anos, não podia comer chocolates para não ganhar peso, não podia brincar com as outras crianças para não se machucar, não podia correr ao relento para não gripar, tudo era medido no compasso da música e nos ponteiros dos relógios, treino, escola, lição de casa, exercícios.
 Quantas vezes uma lágrima insistiu em cair em sua face infantil pelo calor das lonas e precisou disfarçar como uma baga de suor.
Via uma amiguinha nos balanços fazendo piruetas livres como as aves,
divertindo-se sem a responsabilidade do compromisso com o show.  Acompanhava com o olhar os gritos fininhos da criançada e o corre corre com os palhaços, outros brincavam de jogar bola com os macacos, os seus bichinhos prediletos, certa feita viu Jam, o palhaço mais querido sempre dava apoio para  os meninos montarem e cavalgarem o alazão branco da princesa do circo, a mãe  de todas as bailarinas, aquela que dominava em pé a pleno galope aquele animal robusto animal durante o espetáculo, em movimentos sincronizados,com tamanha destreza  e segurança, pulando de um lado para o outro segurando apenas nas crinas do animal. Deixando público sem fôlego.
 A pequena estrela ficava olhando tudo aquilo à distância sem nada poder fazer.
As meninas quando percebiam o olhar triste da sensação do show, dobravam nos seus alaridos, tiravam a atenção até o domador das feras, irritavam os tigres, deixavam o pessoal da limpeza em polvorosa, trocavam os baldes dos palhaços com os da limpeza, as bengalas pelas vassouras tudo era muito divertido.
Um dia fizeram a índia paraguaia cuspir fogo ao invés de engolir espadas.
No circo mambembe para tudo funcionar sem ocupar muito espaço é  necessário ordem e determinação.
 Ali dentre todas as crianças havia Malu uma menina sonhadora, vivia olhando as nuvens, imaginando carrosséis, coelhinhos, cavalinhos de algodão doces; sentava-se no primeiro banco do picadeiro, os que  passavam por ela nem desconfiavam que ela era membro daquela comunidade, sua quietude era tamanha que ninguém a perturbava parar e perguntar se ela queria participar ao menos das brincadeiras. Absorta parecia criar naquele mundo imaginário os maiores circos, com orquestras, com trapézios e equilibristas mais bonitas que Raíssa. Um ciúme pueril dominava seu silêncio. Nesse circo virtual ela seria sempre a primeira de todas, afinal o circo era seu, o mundo era seu as músicas eram as suas, até o Jam, o melhor de todos os palhaços seria seu queridinho, as propagandas divulgadas da equilibrista do circo tomava todos os lugares até mesmo o da fila do almoço onde todos podiam ser esquecidos ela jamais! Mesmo quando no cardápio não fosse o seu prato predileto: batatas fritas com bife a milanesa.
 A menina perdia-se nos ponteiros dos relógios, no calor o dia, na monotonia dos passos contados sincronizado com a música. Não tirava o olhar lânguido para cada passo, cada pulo, cada técnica elaborada por Raíssa. Certo dia pediu ao professor, - Pode me ensinar? O homem fez cara de irritado e nem deu olhos ao seu menor talento.
 Astutamente, foi ao campo encontrou desativada uma caixa d’água cimentada a meio metro do chão, conseguiu cravar ali duas barras de ferro e atou de uma ponta à outra os restos de arames encontrados pelas caixas de ferramentas e terreno ao redor do circo, pediu uma sombrinha emprestada e pensou ser autodidata do equilibrismo.
 Aquilo seria moleza diante das horas consumidas pelas observações. Calçou uma sapatilha velha costurada de pedrinhas e enfeitada com papel crepon colada com goma arábica, tentou subir na primeira extremidade... primeiro passinho... segundo passinho... tentou dar um pulo e plaft! O arame rompeu, Malu caiu, além dos aranhões, quebrou o braço ao som do que seria sua fonte inspiradora, a música mais tocada do momento Iolanda Hino de resistência daqueles que acreditavam nas mudanças, daqueles perseverantes, daqueles que jamais desistem de uma luta mesmo que essa luta pareça inglória, como a de ser a primeira equilibrista de um circo imaginário
Assim como aconteciam simultaneamente as mudanças político-social e cultural  no país,  Iolanda do cubano Pablo Milanês se tornara a bandeira de guerra de tantas lutas.
 A bandeira daqueles que jamais desistem dos seus sonhos fez Malu apesar de todas as raladuras na carne branca e do gesso no braço direito, subir mais uma vez  no arame agora inteiro, sob os aplausos dos meninos desesperados pelo seu sucesso.
Mais uma vez os tombos, arranhões, gritarias e as risadagens, a ajuda dos  primeiros socorros, queixumes da mãe, proibições do seu pai, a menina pela última vez tenta um salto para o futuro.
 Subiu no patamar, equilibrou a sombrinha e atravessou, ilesa, os dois metros arqueados do arame, saltando graciosamente, caminhando com porte de bailarina e por fim ... a vitória, os aplausos a conquista do sucesso.
A vitória de todas as vitórias ela era a primeira equilibrista do seu imaginado circo.



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A Procissão das Almas.

 

Lia Lúcia de Sá Leitão

11/01/2008

 

Estive em Minas faz algum tempo acredito que antes o ano 2000, ou seja na virada do século e do milênio. Permanecia a sensação de fim de mundo de distância e Final do Mundo profecia de Nostradamus.Viajei sem ninguém do lado para não interferir nas minhas decisões de estradas, roteiros e cidades.  Carecia de solidão para entender o barulho do mundo, peguei a estrada, olhei para os meus em pé e incrédulos da minha coragem em dirigir tanto chão em busca de não sei o quê! Dei um tchau levantei o vidro, liguei o som e sai em direção a BR, as Minas Gerais tomavam conta do meu destino imediato.

Liguei o som na gravação que fiz de um CD com o tema, Ruas Luas e Pirilampos, Histórias Bem assombradas do Recife, divertia-me aquelas histórias o Lobisomem, a Mulher de Afogados, as almas da Praça Chora Menino, a Estátua do escravo que anda em noites de Lua cheia em plena praça de Casa Forte. A Cruz do Patrão, a Mulher do Pina e seu séqüitos de suicidas, ai ai tantas historinhas mas a que mais me divertia e arrepiava os cabelinhos do braço era aquela da prima Amália, essa sofreu  o expurgo da família mesmo seno caluniada e a família sabendo de sua inocente conduta mas, era mais fácil aceitar a difamação que enfrentar a boca do mundo que impiedosamente comparava-a a uma Medeia. Nem depois  de morta seu cadáver teve um minuto de paz, foi retirado a primeira vez do cemitério católico e transferido para os dos judeus, depois dos judeus para os ingleses, depois dos ingleses para os franceses por fim alguém compadeceu-se daquela carne fétida e enterrou em cova rasa comum e pobre com uma placa simples, aqui jaz a prima Amália, alma penada.

 Eu queria redimir a alma daquela criatura justamente na passagem do século  para milênio.

Corria na estrada, mal parava para comer ou tomar um café e finalmente cheguei a casa de uma família amiga de historiadores que queria conhecer o caso específico de Amália. Depois de rodar algumas vezes em círculos resolvi parar e confirmar o endereço, e ali todos me esperavam, desci do carro em meio aos abraços, beijos e tapinhas, peguei o CD e entreguei nas mãos do patriarca e disse-lhe, a noite conversaremos sobre o assunto, prepare-se porque vamos rir muito.

Tomei aquele banho com uma água fria de rachar os ossos, mas deliciosamente doce. A casa era um cheiro gostoso de comida típica, cheiro da madeira, uma brisa quentinha trazia da cozinha o cheiro do café fresquinho e de bolos de fubá sabia que ali tinha algo feito com galinha ensopada como chamamos no nordeste, porque o cheiro era caseiro, pertencentes a uma mão de anjo e a uma voz que cantava modinhas regionais com tamanho carinho que invadia as almas e todos apressavam a reunião familiar e ouvir a novidade da visita que era eu.

Estávamos já sentados numa mesa de pau ferro do século XVIII, negra, rasgada em alguns locais pelo risco de alguma faca afiada.

Sinhá Maria ligou o som, e disse uai, pensei que fosse musica e só tem assombração? Mas quanta história fraquinha, temos aqui a tradição da Procissão das Almas e  você já está convidada a participar comigo do cortejo, verdade, tremi nas bases, uma coisa é escrever outra coisa é vivenciar, mas aceitei.

As sombras das pessoas da casa formavam um público ainda maior refletindo suas sombras nas paredes brancas com pontinhos de fuligem. Uma coruja rasga mortalha no campo próximo e todos se benzem com respeito e silêncio sepulcral.

Levanto, olho as Serras azuis e percebo uma bruma esbranquiçada descendo pelas encostas e invadindo os pastos e  casas dos moradores campesinos. A bruma chega até a cidade e deixa um óleo pegajoso, os cabelos parecem molhados e os telhados das velhas casas parecem reconhecer um presságio pela forma como a bruma acomoda entre as alvenarias os seu cântico triste e desconsolado. Toda a situação da natureza parece um abraço sem luz cobrindo os corações. O ar fica tão pesado e assustador que propicia aquele mais corajoso esquentar o coração numa pinga de alambique para não cair no marasmo assustador com pesos dos mortos pisando sobre os ombros e as cabeças dos incautos.

Depois de todas as piores sensações, medo, curiosidade, sustos, desejo de pegar o carro e ganhar a estrada para a cidade mais próxima. Um som quebra o silêncio da noite, é um batuque de bronze cadenciado e triste anunciando que as brumas acompanham notas tristes de uma canção sussurrada, passadas arrastadas descendo a ladeira em tons sérios  anunciavam o despertar das almas em busca dos seus corpos no dormitório das sepulturas.

Olhava pela janela secular do casario em que estava o desmembrar do cortejo.

Calados, solitários, ruas mortas, ar misterioso, topavam nas calçadas e sublimavam, tropeçavam nas calcadas altas e voavam às nuvens e retornavam como se nada acontecera.

A noite se aprofunda e a procissão das almas invade em silêncio o que era vida horas antes, próximo ao cemitério, os portões seculares rangem, abrem lado a lado e ali os caminheiros das trevas se encontram, alma e corpo, e saem para o passeio anual, magros, pele e osso, andarilhos das profundas da terra e das trevas trazem nas mãos as tochas que alumiam o mundo, descortinam na negra noite o fogo que treme as sombras nas paredes espalhando os espectros para todos os lados. Caminham e mendigam de lá para cá o séqüito dobra a esquina batem portas, derrubam jarros, sem guarida ou alento se dividem em seus tristes murmúrios de almas penadas, desprezadas em seu passo a passo eterno, umas partem ao limbo, outras ao purgatório aquelas menos comportadas ferverão na geena do inferno e as reluzentes com um brilho inenarrável dirigem-se aos céus.



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ALMA II !


Lia Sa Leitão. 28/11/2001
 
Quero-te a ave que persegue o sol.
Quero-te fonte que jorra
e sugar de ti a vida,
ser o vai e vem
do cio,
mar,
areia,
espumas,
brumas,
brisa,
em minha loucura
marulhar,
em tua ansiedade,
sereia,
 ao ninar o sono,
espartana,
 ao segurar forte
a crina do animal ainda selvagem
que desliza em meu corpo a pele bruta.
Ser prazer
sem dor,
Ser amanhecer
sem despedidas,
Ser cantiga
sem tempo
Ser o ter
 sensual
sem domÍnios,
apenas ser o ser
sem compromisso.
Amor
vadio por ter
estranhos desejos de possuir o teu ser.



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Alma

Lia Sá Leitão
24/11/2001

Adormeceu,
invadida em brumas
que permeia o sono e o sonho,
como menina moça
envolta em véus cor de rosa,
encantada com o primeiro amor.
Em seu castelo azul
os devaneios da paixão.
Feliz,
a menina se entrega
nas mãos que a toma
em corpo nu,
pelo frêmito das palavras,
nos gemidos,
língua, lambida, arrepios!
Pelo ser e pelo ter
agora,
pelo vir a ser
mulher.
Sem esperas,
sem insônias,
sem madrugada fria
seguiu o ritmo musical,
o compasso de ser possuída
inebriada dos suores,
sugou o fluido diluído
guardou em suas mãos o cheiro,
o toque,
o abraço forte,
as unhas cravando nas costas,
o peso do príncipe sobre o corpo
afagando, ralando, enroscando,
a penugem dourada,
a pele macia,
a sedução da carne a fez gemer
de mancinho,
como arrulhos de ave no ninho,
suspirou,
beijou o beijo mais doce,
sorriu,
enconstou seu corpo exausto de amor
no ombro forte do amante 
fechou os olhos
adormeceu a alma.



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