
Eu..Lia...
Olindense por amor e escolha e
Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.
Amiga, companheira, justa,
verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais injusta.
Desenvolvi no decorrer da vida, as
artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e
pátina.
mas de todas as construções
artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos
textos
e com um desejo maior...que o
leitor mergulhe como um personagem.
Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família
Venho de uma família sólida, uma
mãe que soube doar amor,
carinho e alguns tapas na hora
necessária. Hoje olho o céu e
vejo uma estrela piscando e sei
que ela escolheu ficar ali, no céu e
está sempre invadindo meu quarto
com seu brilho de estrela.
Mesmo que o sol esconda por
algumas horas,
eu sei que ali está minha mãe
feliz e sempre guiando meus passos.
Meu pai, antes de pai um amigo
sincero, fiel adorável,
um HOMEM que cita que requisitos
bons, como ser humano não é
elogio é dever de cada um e ele
segue a risca o princípio cristão:
Amai o próximo como a ti mesmo. E
assim sendo diz tudo.
Filhos, meus lindos bonequinhos ,
que criei com amor mas ficaram grandes,
homens que aprenderam a cantar e
voaram para longe do ninho, mas não
esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.

Amor
Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.

Amigos
Todos meus amigos da net, todos
meus amigos reais,
enumerá-los seria maldade, se
acaso esquecesse unzinho,
reservo-me a dedicar cada texto a
cada um também, como
se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.
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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.
Espero que gostem, sejam benvindos(as).
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Ano Novo.
Lia de Sá Leitão
28/12/2007
O momento é todo feito para Ella, a situação obriga o afastamento momentâneo dos familiares e amigos. O primeiro destino da caminhada de introspecção é o calçadão da orla, ponto de encontro daqueles que fazem caminhadas, hidroginástica aproveitando o mar raso ou mesmo aqueles como Ella passam horas obsortos, mergulhando o pensamento na linha do horizonte deixando o real enganador confundir o azul petróleo em verde esmeralda.
Pensa em rompante adolescente, o Oceano não é virgem! Sempre cortado por enormes cargueiros ou luxuosos navios brancos de turismo invadindo os espaços das sereias, das nereidas, das lulas monstruosas moradoras das abissais fissuras submarinas. Não era mais virgem dos afogados, dos assassinados, nem daqueles que aproveitavam a noite e faziam amor nas águas mornas das praias virgens, não era mais virgem por causa dos náufragos, das almas penadas que surfam nas ondas monstruosas das tempestades assombrando os marinheiros e os homens do cais. Cai em si e pergunta ao âmago, que pensamento tolo, enquanto o mundo se destruía em bombas, tiros e crueldades mil
Era semana de Ano Novo, tudo era festa e lambança, todos os dias comemorações, presentes iam e vinham, uns mais caros outros menos onerosos tudo associado ao brilho e ao prazer de estar próximo empregado e patrão, dava um toque de eterno.
O pensamento se distancia do bárbaro, a sua felicidade irradia uma áurea positiva, embora tivesse feito ponderações sobre ano anterior, perdas irreparáveis para toda a vida e ganhos lucrativos que daria sustentação de prazer profissional. Nada parecia estar
fora dos objetivos. Bem sucedida, feliz afetivamente era a realização do ser.
Os luminares do natal pareciam mais reluzentes, a decoração da cidade dava um ar de paz demonstrando o equilíbrio da vida e uma silenciosa recriação do paraíso invadia o coração nada podia ser conquistado sem o suor, apesar de ter ciência daquele que está no emprego temporário nos shoppings da cidade, diante daqueles que foram detidos pela polícia ou mesmo dos desajustes familiares ou dos que morreram nas garras da violência ou irresponsabilidade no trânsito, já estava na hora de trabalhar para minimizar todos os aspectos negativos. Que adiantava projetar conceitos que jamais seriam executados, porque a violência sempre seria violência e as propagandas enganosas sempre esconderia alguém influente.
Apesar das vésperas de Ano Novo, Ella, queria vivenciar a sua individualidade, no período de confraternização queria mesmo mergulhar no íntimo dos sentimentos e indiscutivelmente não compartilhar com ninguém a sua alegria.
Abriria um sorriso e um abraço a quem chegasse para a festa com fogos brilhantes, música de esperanças, delicioso seria o jantar compartilhado com aqueles que sempre freqüentavam a casa familiar não teria muita mudança, os papos alegres, os risos, os objetivos, nada seria muito cansativo era corriqueiro aquela confraternização nos finais de semana à beira da piscina, mudaria apenas as roupas, todos largariam suas vestes de banho, bermudas, saídas de banho e estariam agregados ao pelotão branco da paz, branco da grife caríssima que não poupou um centavo no decote.
Ella levanta-se, dirige-se ao carro, segue a avenida pensando nas compras da ceia de meia noite, na despesa que terá com os extras no salário dos empregados, no mestre de recepção que receberá os convivas, nas suas três roupas iguais que estarão sobre a cama a espera das trocas sistemáticas para que ninguém perceba um machucado ou suor.
As palavras que vai medir ao abrir as festividades da passagem do ano e os enfeites inusitados que encantará cada par de olhos, era o momento de ostentar tudo o que lucrou no ano que passou.
Olhou para as unhas baixou o corta sol do carro luxuoso e olhou em relance os cabelos pelo espelho os cabelos fora da forma requintada que sempre se apresentava nos jantares, aproveitou o sinal fechado marcou hora no salão mais requintado da cidade, afinal queria que a fofoca rodasse a cidade e muitos ficassem babando por um convite.
Não importava o quanto gastaria queria apenas ser a mais charmosa e chamativa das anfitriãs.
Ligou mais uma vez o celular e avisou ao vigia, não deixe esses vizinhos chatos perceberem a movimentação dos organizadores, e avise aos manobristas que longe da casa flanelinhas, quer tudo dentro dos padrões de primeiro mundo.
Horas depois, tudo acertado, Ella volta pra casa, adentra, olha de um lado do outro, tudo em perfeita ordem, a decoração toda de muito bom gosto, os empregados todos uniformizados, ninguém elogiaria todo aquele trabalho, já se acostumaram aos finos tratos. Sobe a escadaria, adentro no quarto, deita na cama, e chora.


INCONJUGÁVEL VERBO TRAIR
Lia de Sá Leitão
16/12/2007
Segundo aqueles que jamais traíram, trair é: ser infiel a... quem nunca foi infiel ah! Que atire o primeiro vírus em meu micro, eu assumo que é inconjugável o verbo trair, aqui, não estou levando em consideração os atos e sim o silêncio que há entre a escrita e as lembranças do ontem.
Como é fácil desejar o outro seja pela cobiça do corpo, seja pelo desejo da alma que ilumina o sorriso mais descrente de paixão, seja pelo anseio da posse já esquecida na sala de jantar, comensais, todos se devoram em orações, canções, pinturas, a Função Poética é canibalesca, toda a alma escreve poemas, toda alma vive o soneto de amor eterno, toda a alma segreda os fetiches e os deixam apodrecer em pecados jamais revelados, ai está a maldade humana, eis o verbo trair praticado em essência.
Enquanto isso nos Trópicos, homens e mulheres na vitrine, quarentões em plena vitalidade o que seria aberração negar um sorriso expondo uma certa malícia de experiência regdo ao suco de abacaxi.
O inconjugável verbo trair diante olhares mais caros da ótica moderna, os óculos escuros escondem os raios predadores e sedentos transformados em sutis piscadelas expressando o reprimido desejo simbolizado naquela aliança de ouro carimbando o imaginário coletivo como símbolo da posse. O fogo! A queimação da carne, aquele que passa e espia com olhos de quem tem fome o inocente decote. Aquele despreocupado calção que guarda seu dono por inteiro cobrindo-lhes as partes mais cobiçadas, corre, corre livre, corre beira mar à fora buscando a tonicidade dos músculos, consigo perder a postura de escritora séria que sou, e em meus devaneios imaginar aquele par de bunda rechonchuda e musculosa tomando um beliscão antes da chuveirada, é rapazes, o país das bundas tem lá seus segredos, as mulheres nem sempre olham os olhos, os pau do nariz ou outro membro mais resguardado e contido, olha mesmo é o bumbum, seja novo, seja um pouco mais usado pelas horas de trabalho, não importa! Voltemos ao inconjugável verbo trair, tudo que pode manifestar sentimento de desejo abrupto ou seqüencial, chamo seqüencial aquele sentimento de hora marcada, não se tem o direito de perder o segundo do relógio atômico que marca as horas do Mundo. É hora dos graciosos deuses passearem livres como simples mortais atentando os olhares mais amadurecidos de saudade.
Tenho percebido que os meus alunos por exemplo, perderam muito dos devaneios solitários, como eu gostava de chegar meio que escondida para ouvir os comentários, fulana tem isso, fulana é assim fulana é... e todos se espantavam...num hummm! Os rapazes não sabem conjugar o verbo trair, perdeu até a graça! Não conseguem nem mesmo justificar quando se pergunta você consegue trair alguém? Não, eles não sabem por que como ficantes não tem responsabilidades e tudo é todo mundo, contribui para os momentâneos apaixonados de final de festa, freqüentar festas é desviar atenção de muitos da pornografia infernética da internet.
Mas, as meninas também tem seu lado de quiquiquis (inventei agora!)seria que costumo chamar de o trincar de espelho, as descobertas do corpo quando se descortina a pureza a mulher desabrocha entre os desejos nunca dantes explicados, como é bom descobrir os pontos sem necessariamente ter o alfabeto inteiro a, b, c ou G, o importante é sentir a resposta do corpo delirando em si desfrutando em si amor.
Como é inconjugável o verbo trair, trair-se e no entanto, pode ser não utilizarei em meu corpo o desejo se servir a minha alma em detrimento daquele desconhecido que passa.
Ser fiel o tempo inteiro sem o rabisco de olho, sem tremedeira de pernas, sem mãos geladas, sem o olhar procurando a chave principal da porta de entrada.
São Tomás de Aquino que o diga!
É realmente inconjugável o verbo trair, ninguém sabe a dor que causa no traído, ou a sensação de liberdade de quem trai e depois numa vã esperteza tenta justificar-se.



VITRINE.
Lia Sá Leitão
7/12/2001
A nudez desfrutada pela geografia
do homem que abre caminhos,
pela mão que avança,
pelo corpo que escala outro corpo,
pelas montanhas e falésias
abrindo clareiras, desabando em cascatas,
brisa, bruma, pólen, nuvem,
pela sede que experimenta
pela água cristalina,
pelo que invade,
pelo que sustenta o corpo exausto da busca
pelo que domina a fúria do desejo
pelo que transforma,
pelo que transfere,
pelo pântano,
pelo que planta na alma
a semente,
o sêmen,
a vida!
Pela tradução dos corpos,
pela canção,
pela dança das mãos!
Pelos gemidos abafados,
pela lágrima do delírio,
pela hora,
pelo acorda amor é hora!
O minuto eterniza o canto,
o canto universaliza o prazer,
o prazer se reproduz em volúpias,
as volúpias em desejos de sempre ter
a mão errante que vai e vem
o corpo ereto,
atlético,
mergulhos no ser
as marcas nativas
os limites do guerreiro,
os sigilosos segredos
negociados,
pelos sussurros das vozes noctivagas
da alcova a meia luz,
do toque,
do sono,
do amor já é hora,
devo partir.

NATAL 2
Lia de Sá Leitão
17/12/2007Natal, Jesus é nascido, a festa do Menino Rei está escrita em glórias, em esperanças, em uma vida melhor imbuída em sentimentos de solidariedade e respeito. Uma questão que leva o homem a meditar severamente a maior premissa de todos, é hora de amar e amar com intensidade todos os dias pelo fato de todos os dias é o renascimento da força e esperança.
Vejo os cartões de confraternizações voarem de lá para cá, acredito que os carteiros emagrecem um bom quilômetro de gorduras e celulites, em compensação estão repletos de exaustão pelo corre – corre dessa corrente pra frente de amor.
Questionar-se sobre todos esses votos não é muito bom, e muito menos salutar quando os olhos críticos, severos, céticos dessa harmonia, observadores de uma desfaçatez carente de verdade. As gritantes vozes do silencio escrevem o sentimento de Paz solidária, solitária, e atesta nas conferências das contas, dez cartões custam um determinado valor, poderia ser uma feirinha básica o pé na estrada de várias feiras básicas por que a Natal é todo dia. Todos os dias pessoas passam fome possivelmente a felicidade seria bem mais consistente com arroz, feijão carne, frango, macarrão, pão, do que sentir o cheiro de um queijo que nem sempre faz parte daquele paladar.Alguém está pensando, idiota! É Natal lá fora temos a impressão que a neve cai crianças, gnomos e Santa Klaus já prepara o vôo com suas renas e seus sacos de presentes por toda parte do mundo distribuindo presentes, muitas crianças passarão uma noite (UMA NOITE) feliz. Que ridículo esse texto que não tem sentimento verdadeiro da irmandade dos povos, os mendigos ganharão roupas usadas e todos estarão felizes o mesmo jeito.
É concordo com o leitor, o texto que devia ser suave está pesado como as páginas do jornal sensacionalista com suas escritas detalhadas sobre as violências sociais, mortes, tapas, roubos, e muito mais, quem de nós questionou, vamos lutar para minimizar essas feridas, por que não exigimos organização, porque calamos diante dos ladrões oficiais?
Não cabe essa questão afinal é Natal.
Todo esse blá blá blá é para narrar um fato verdadeiro, e muitos estarão lendo quando o Girablogs divulgar as mensagens lindas e essa repugnante de Natal.Outro dia abri os e-mails, céus todos lembram de mim, entupiram o hotmail de carrilhões sobre o Natal, achei um especialmente lindo Papai Noel cantava para o menino Jesus que olhava sem nada entender aquela visão, o mancha vermelha não tinha a suave voz dos anjos no dia de seu nascimento, de uma vez que não entendia, fechou o olho deu um arzinho de riso e adormece.
Abri outro lindo! Uma mensagem belíssima por sinal muito bem elaborada com duas musicas natalinas apresentadas pelo coral infantil de Roma.Nesse dia resolvi dar uma olhada num determinado chat que freqüento, olhei tinha no mínimo uns dez nicks conhecidos amigos que enviaram grande parte dessas mensagens, sem contar alguns que enviou duas ou três mensagens diferentes, lindas por sinal. Resolvi ver o espírito de Natal.
Escrevi no enviar mensagens, escolhi o todos, assim cada um teria acesso ao pedido, e escrevi durante uns 45 min, estou com medo, preciso de ajuda, estou com muito medo, assim joguei essa mensagem durante todo esse tempo, alguém entra, num tom de ajuda, porém quando percebeu a fragilidade da posição tentou uma agressividade que foi ainda mais desastrosa do que o silêncio.
O Natal retornou aquela antiquada postura de solidariedade no instante em que enviada todas aquelas mensagens o peso maior era o continuísmo ou influência dos brindes.
Sejamos sinceros nenhuma mensagem, caro leitor, entenda as minhas palavras, mostrava uma situação verdadeira diante da falta de auxílio ao pedir ajuda por causa do medo, as mensagens tão lindas do e-mail não vinham da alma, nem do coração, o sentimento estava resumindo um consciente coletivo, a obrigação social sem a reflexão da mudança em poder dizer bom dia, realmente desejando BOM DIA PORQUE É MAIS UM DIA porque é NATAL.e girando ...>>>>>> indico o Blog... da Wal
"Mitologia Grega e Romana no mundo dos Filósofos"
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AS MARIONETES
A vida girava em torno das decorações do palco mambembe desmontável e itinerante de alegria-alegria, a mulher que engolia espadas, o homem que cuspia fogo, a menina que voava no salto tríplice mortal e a história de amor entre ele e ela, personagens que arrancavam lágrimas de um público singelo que não sabia falar em amor.
O homem dos balões coloridos, o pipoqueiro, as castanhas açucaradas, cocadas, arroz doce na ala dos quitutes variavam a canjica e os bolos de milho, rapadura e alfinins, queijos assados, broas e tapiocas com carne seca desfiada. O sorveteiro passava com sua gaita multicor de plástico
fazendo os alaridos de um pato e gritava a plenos pulmões, olha a gelada caseira, morango, abacaxi, abricó e ameixa! Um séqüito infantil acompanhava a guloseima dos casquinhos de biscoito com gelada de morango e calda doce do mel de engenho.
A festa chegava, se vestia, se construía numa volúpia de encantamento, barracas de tiro ao alvo para os homens, barracas com tiros às latas, para os enamorados com prêmios que variavam de belo a lindo! Uma vaquinha malhada, gatinho mariscado de pelúcia à modernidade dos carrinhos de plástico encantavam os olhos dos meninos, as bonecas, todas as meninas sonhavam com aquelas do expositor, o prêmio mais caro de todos, aquela boneca neném, de olhos azuis e cabelos cor de ouro, piscavam os olhos e choravam num leve movimento para frente e para trás. A boneca era de menina rica, daquela que seria a mãe maravilhosa, na feira da cidade não tinha nada igual! Vestida com modelo da moda, quantos olhos amendoados e suspiros profundos ansiavam pelo tentador brinquedo.
Carrinhos de pista coloridos, animações do carrossel e barquinhos pintados propositadamente nas cores favoritas das bandeiras dos clubes de futebol.
A estréia daquela noite não faltaria foguetes, balões, músicas, todo o campo iluminado, o passeio levava ao público circular por toda a praça, esperava-se o enamorados na barraca de beijos, sedutores bilhetes no correio do amor, e o coreto iluminado era apoteótico, o palco maior do show mais esperado, a peça AS MARIONETES..
AS cadeiras tomadas de empréstimo no clube da cidade era a regalia da sociedade, o Padre, o Pastor e o Juiz , o Médico o Advogado, o delegado o oficial, o comerciante e o coronel todos empertigados na primeira fila, acompanhando a traição todos os familiares estavam na filha segunda, esposas e filhos e filhas, ama de leite, serviçais. Da terceira fila para trás a sociedade emergente e mais atrás o povo das populares que não paravam de tagarelar criando ainda mais suspense ao espetáculo.
O parque parecia um canteiro onde as guerras não foram lembradas, a política não tinha partido e um amor traído nem era percebido.
Os olhares cúmplices em noites de Lua cheia estavam brilhando a título de outros astros. Mal se podia perceber o tempo que fluía evoluía com o Bolero de Ravel atacada a todo peito pela banda de música do colégio Municipal.
Os palhaços anunciavam que o espetáculo ia começar, tecido florido camabalhotas, risadagens, fumaças bombas estourando e o foguetório assustavam os cães desprevenidos da rua.
As cornetas desafinadas despontavam como arautos romanos.
Fez-se silêncio, um homem de fraque apresenta a atração da noite, as luzes se apagam, no uma luz azulada ilumina em penumbra o palco de improviso no meio um homem esguio vestido de preto tem na mão esquerda ela a Severina e na mão direita Juvenal, ela filha de fazendeiro ele trabalhador do corte das canas.
Numa voz estonteante diz... com severidade Severina se teu pai te pega abraçada com Juvenal detrás dessa Igreja, os dois morrem de bala certeira e acaba uma linda história de amor.
A marionete presa aos fios do seu destino tenta lançar-se aos braços o seu amado, atado de joelho na condição de infeliz, olham-se apaixonados sem ver o homem de voz de veludo, que afasta brutalmente um do outros como o próprio destino traiçoeiro que insiste em roubar o coração dos amantes e congelar no templo do Minotauro..
Abre mão da tua riqueza Severina que serei eu o teu escravo. Fugimos num cavalo baio para os confins da Terra mãe.
Abre o coração sem medo e aceite meu amor oferecido tão forte como o juramento da terra que brota a cana. Severina chora compulsivamente, por não se livrar dos cordões e correr na brisa quente da noite ao encontro do seu amado, mas o verdugo segura firme num prazer mórbido de desencontro do amor carnal. Juvenal sente o pulsar do coração da amada, dá e grita em seu desespero de amante, venha Severina, estou aqui, fujamos desse mundo cruel que nos priva da felicidade, que nos grampeia a fala, que proíbe o nós e o poder de possuir teu corpo ao meu no chão de terra batida, Severina chora mais alto, seu corpo treme, sua alma de marionete chora, o sangue de macho indomado e viril se revolta, atira-se diante do homem imparcial diante do desprazer do amor ali encenado, numa viravolta, erroscou-se na mão do homem, aperta-lhe de tal forma a mão que num urro de dor as marionetes despencam do palco e rolam entrelaçados, como se fosse um último beijo e caem na areia próximo aos pés dos espectadores, espatifados, quebrados sem braços sem pernas, sem cabeça, sem roupas, pedaços de bonecos nus espalhados na areia, desenham um coração púrpura pelo sangue jamais derramado.
A platéia transborda em aplausos o semi-círculo do coreto parece impregnados de um amor impossível, cada segredando rasgando a sua própria estonteante, avassaladora, incompreendida; história.
Solitário, o criador dos brinquedos atores, com o profundo corte na mão mais que depressa amarrado pelo lenço branco que lhe enfeitava o pescoço, sabia em seu âmago a causa daquela rebeldia sem retorno; ali estendidos, quebrados, partidos, os sonhos jamais realizados, desejos jamais concluídos, esvaía-se a paixão das marionetes: apaixonadas, sem o casamento consumado, anos vividos juntos, mesmo palco, no mesmo espetáculo, mesma cena de final feliz e um longo beijo apaixonado, no dia a dia dos ensaios, nas falas pouco reveladas, o elo entre sentimento e o fio da arte rompeu-se para o vôo inenarrável das estrelas.
Mas aquelas marionetes como tantas outras marionetes não podiam ganhar vida, alma, sentimento, os sentimentos eram restrito ao público que ria, chorava ou sofria, jamais seria a solução um enlace de amor, como estabelecer uma casa de marionetes? Cozinha, cama, fogão, filhos... filhos...filhos nunca! Pensava o dono das marionetes.
Os filhos dos espectadores nunca assistiam ‘aquele embate de amor, os carrosséis e barquinhos tinham mais serventia que um toque de mão, um olhar carinhoso, uma palavra doce, mas isso eram os filhos do público, os filhos das marionetes deveriam ser artistas, anjos, pintores, escritores, teriam a alma do escultor que evolui a cada toque da ferramenta em matéria bruta.
Resta olhar o que sobrou das marionetes, faz uma cara de amanhã terei novas marionetes em cena, com a mesma dor, o mesmo amor, as mesmas perdas, os meus lucros e a vida continua, quem perdeu o bonde da História perdeu a vida sonhando mais que o trivial almoço, feijão com arroz.
O mergulho para o anonimato deixou estilhaços os sentimentos mais profundos soltos na areia, pisoteados pelo público que continuaria pelo caminho iluminado da alegria, das luzes, da música, da festa como um brilho sem tempo sem marca, sem presente ou futuro, a não ser a carta do velho tarô da cigana que predizia em seus manuseios a uma mocinha sentada olhando atenta cada palavra ....perceber afinal o mergulho para caos não é ter idéia do amor jamais realizado é não ter coragem de olhar o caos e enfrentar o renascer do Sol.
Lia Lúcia de Sá Leitão - 09/08/2005

Tempos de Sol, tempos de Solidez, tempos de Solidão.
Há dias atravesso o mesmo caminho em direção ao trabalho, explicando, não, não vou dar aulas, deixei de ser Educadora para me tornar Pintora e isso muito me apraz, se não tenho chances de mostrar as cores da realidade nordestina nas artes das Belas Letras, o faço no colorido das tintas e nas manobras do pincel, tons pastel como a vida de quem aceita passivamente as determinações de outrem mais forte e estabelecido, ou cores mais vivas e vibrantes, o espírito do guerreiro que levanta a voz e brada eis que estou aqui e vou vencer.
Meu espírito ora se curva diante da melancolia, ora aguerrido afronta as instituições.
Voltando ao meu novo trabalho, fica mais ou menos uns 80 quilômetros de Olinda é em Itamaracá, estou reciclando todos os móveis velhos e negros da pousada. Tenho que enfrentar uma rodovia Federal, caminhões pesados, ônibus interestaduais abarrotados de esperanças e sonhos que ultrapassam em velocidade meu carro que insiste em ser veloz.Não é um caminho duro a ser seguido mas um caminho a ser cumprido não é comprido mas tem coisas interessantes que só agora vem chamando a atenção.
Nesse instante que o corpo está moído pelo cansaço e os cabelos duros ainda pela poeira fina da madeira lixada e eu não tenho como desgrudar-me do computador fazendo escrevinhaduras por conta de uma estrada.
Será Literatura ou um lamento feliz do que foi o dia? Gosto da Literatura por isso um lamento pode ser feliz assim como as lágrimas podem ser um desabafo de alegria e o ranger de dentes a incredulidade das circunstâncias da vida.Tenho que aprender que o mundo dos negócios não é literário e a vida tem um preço a ser pago, e dinheiro não tem alma... céus! Mas isso também pode ser Literatura.
Meus devaneios podem ser literatura, Deus e o Diabo podem ser literatura!
Meus segredos e conflitos podem ser Literatura!
Estrada, sol, mar, vento, a fumaça do cigarro que escorrega por entre os meus dedos, a estrada, o não pensar em nada e o pensar em tudo, o olhar de quem tudo vê em detalhes e o mesmo olhar que nada enxerga além da linha do horizonte.
Sim! como posso desvencilhar-me da Literatura? Se meus olhos vêem um velho e esguio Jacarandá, solitário no campo e, imagina a solidão dos dias, das chuvas, o tempo que urge, um urubu que sobrevoa num bailado de circunferência, os anos que passam e ele ali, representando o que pra quem?Como posso desligar-me da Literatura em sua solidão de estrada quando vejo os meninos que vendem cajus pelos acostamentos, que esperanças possuem maior que a minha? Essa gente toda! Eles falam e eu falo, eles sentem o sabor do caju colhido eu sinto o sabor travado da fruta colhida ontem, distante da árvore, mãe protetora.
Pergunto-me em meu silêncio de rodovia Federal, por que repito aos amigos que a vida me curva e não me quebra como capim? Como o mais insignificantes dos matinhos que se retorcem até o chão e não se quebram? Que resistência é essa? A mesma dos poetas satânicos?Quem não tem em vida um poema silenciado?
Mas que poesia? Nunca fiz poesia, escrevo sem estilo e sem estética, escrevo o que sinto, e insisto em amar a littera dos mal amados gabinetes, as bem arrojadas, pensadas, criadas, elaboradas, escrevo o que qualquer crítico diria, esqueça!
É o senso comum! Não há poesia, não há o inusitado, não há a metáfora! Não há a poética exigida para a criação do conteúdo o elemento do ter e do ser! Não há nada que justifique poesia em que escrevo.
Porque insisto tirar do nada a minha visão de mundo dependente, tudo que quero escrever alguém mais sábio pensou antes e adiantou suas notas e se tornaram célebres.
Porque não deixaram nada para que eu pudesse escrever de inusitado? Queria escrever sobre a Loucura, a felicidade é loucura e assim seguem o amor e a dor, a flor e a vida, o sol, e meu Deus! E meu pecado! E os anjos e o diabo que criei para infernizar meus minutos! minha condenação e minha salvação, mas tem tudo isso em elogios da Loucura de Erasmo de Rotterdan, quis falar dos Dias e noites de amor e de guerra, em que o medo paria a coragem de enfrentar os canhões, e a voz não calava diante das injustiças, e as denúcias de insconstitucionalidades políticas não se reprimiam ao lado do corpo suado do parceiro adormecido. Mas Eduardo Galeano adiantou-se e tudo está registrado. Eles gênios da literatura e eu a tola que dirigia um Gol 1.0, de volta para casa, e, olhando o sol puxando as cobertas para acender em luz em outros cantos em outras praias, que sina a minha de querer escrever o que já foi dito!Todos falaram no silêncio de nunca poder ter em mãos o desejo mais que ardente da pessoa amada, será que todos também foram parecidos comigo? Tinham um porto que não queriam ancorar seus barcos de pescadores porque a marina do vizinho era sempre mais deslumbrante?
O que quero? um amor com nome, celular, e carteira de identidade ou o angustiado desejo de não tê-lo possuído? continuar imaginando em meus silêncios a mão forte do homem que jamais será o príncipe das minhas mil e uma noites, será sempre o espectro que toca meu corpo ou o beijo dos Risíveis Amores?
As fantasias que sonho e o cheiro da pele que crio em minha reclusão de escritora sem metáforas! Onde anda a poesia da vadiagem nua, lua, bruma, perdia conta das horas e a dimensão da banheira, e diz o físico dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, eu heim!Xi!
Se eu estivesse dirigindo agora, certamente teria parado o carro para questionar uma nuvem pesada e cinza, porque não chove logo para aliviar o calor ou seria bem provável que teria estabacado barreira abaixo capotado trezentas vezes por pensar coisas tão comuns ao volante.
Diabos, eu sempre pensei que fosse diferente, no entanto sou mais comum que uma piada que faz corar o ingênuo.Calma! não sou tão ingênua o quanto queria ser, podia orar diante de um santo numa proposta indecente, ou corar elogio como fazem as boas moças, mas que nada! Deselegantemente dou risadas.
Podia falar meigo, doce, e nunca chamar palavrões, mas não tive tempo de aprender a ser meiga e terna e pura e doce como as meninas dos contos de Alencar.Arre! Que tamanho disparate a minha própria vida sem poesia.
No caminho de volta do trabalho, tem uma ponte sobre um Rio ironicamente São Paulo, lembrei dos amigos da internet ponte Rio / São Paulo! Mas que diabos isso tem com minha história?
Bom voltando a ponte do Rio São Paulo, no parapeito da ponte um casal, ele segurando a bicicleta com uma mão e o outro braço abraçando uma moça, seus dois amores suas duas vidas, poético beirando o patético, uma transporta a outra guia.
Olhei pelo retrovisor e vi que ele a beijava e eu tinha que olhar o caminhão que freava à minha frente.
Diabos!
O que eu pretendi escrever?
Nem lembro mais.
Perdi mesmo o fio do raciocínio e depois daquele beijo só restava mesmo chegar a casa, estacionar o carro, correr para o micro e escrever algo sobre a minha solidão da estrada!
O querer de um beijo! sobre a literatura! sobre um casal de namorados, sobre o que? Sobre a propaganda da TV que me fez chorar ou a novela do final de noite que me despertou desejos de pecado mortal, amai o próximo mas NÃO DESEJAI o próximo da outra!
Desejar o quê? Quando não se tem idéia da textura da madeira? Da transformação das cores. Da finalização das emoções depois de concluída a peça.Ah sim! Escrevia que deixei de ser Educadora para ser pintora, interessante! nunca tenho idéia preestabelecida daquilo que faço porque assim como não sei cantar um poema em Dó maior, também não sei o que crio o que vou parir, se a cor tranqüila dos que se conformam e por algum motivo se acomodaram, ou algo inflamado dos que ainda não tem medo de acreditar que podem nem que seja escrever um único poema nem que seja de amor.
Lia Sá Leitão - 09 de agosto de 2001.

"A VERDADE ALIVIA MAIS DO QUE MACHUCA E ESTARÁ SEMPRE ACIMA DE QUALQUER FALSIDADE COMO ÓLEO SOBRE A ÁGUA " (Miguel de Cervantes)
Deixo essa frase (meu lema) e prometo meus escritos ainda essa semana.


EXIGÊNCIA - O QUE É AMOR?
Lia de Sá Leitão 4/12/2007
Normanda
É complicado discutir sobre amor em dias de festas. Amigos leitores qual o sentimento mais forte? A curiosidade em ler esse disparate ou o espanto em saber como o escritor observa os fatos? Vamos com calma, analisando cada passo das nossas trajetórias e percebemos em qual situação sobrevivemos sem ao menos dar conta de que esquecemos até o sentido de humanidade.Estamos em vésperas da Festa Natalina, acho o tema interessante para uma reflexão por mínima que seja. Particularmente não reflito, vivo sem grandes crenças desse Natal de presentes e manchas vermelhas com carinha de bobo soltando beijinhos para as crianças ou sentadinhos em seus trenós de mentirinha expositor de mercado.
Quem não sente uma agonia no juízo dentro de um shopping superlotado? Crianças chorando, mãe com uma escadaria de filhos e último na barriga procurando roupas acessíveis e que possa servir de um para o outro no decorrer do ano seguinte. Filas de crediário fazendo caracol dentro dos magazines. As lanchonetes oferecem brindes dos mais divertidos ao mais sem graça, estou quase com a coleção completa de uma multinacional da gulodice e que está me custando em remédios mais que o lanche de dez reais e cinqüenta centavos. Imaginem o que é num desarranjo total de barriga e a cabeça precisava ter em mãos os brindes para fazer a decoração de uma festinha que prometi aos filhos de alguns amigos, e percebi que estou no meio do furacão que tanto recuso aceitar. Uma festinha de conscientização que Natal ainda é a comemoração de um aniversário muito importante, um menino faz dois mil anos, um menino rei. É daqueles aniversários que embora estejamos indispostos não podemos perder a lambança, mas, uma lambança de alma, de felicidade, de família, de carinho , de amor, uma lambança diferente das que estão patrocinadas pelo comércio.
Um aniversário que não precisa de gastos maiores que aquele que temos no dia a dia. Vamos largar de lero lero e vamos ao que interessa.
É constrangedor assumir o que vou revelar que não tenho celular, mas é pura verdade; acho um deboche comprar um aparelhinho caro e indiscreto, estar associada a uma mantenedora que mete a mão na bolsa sem dó, grande falta de amor, toca na hora mais inconveniente e quando se precisa numa situação adversa tem uma voz linda a dizer seu celular está fora de área ou sem conexão, acontece em qualquer agência de telefonia. O pior é nunca saber a hora que o assaltante vem pedi-lo emprestado e é um grande susto, uma falta de amor, geralmente o sócio da telefonia móvel aponta um revólver de última geração. Semana passada, passei por uma situação de desconforto, o pneu de um carro grande não é moleza trocar sozinha, é grande e pesado, pedi ajuda a vários outros motoristas, desculpo um a um: velocidade, outros não me viram,outros tiveram medo, outro disseram: vire-se! Ninguém parou! Gente que me conhece há anos nas noites olindenses, políticos do mesmo partido que fiz parte passaram, dois ainda tiveram o topete de dar um tchau, mas não pararam, entendi de imediato, uma reunião, para vocês terem uma idéia passou até carro de bombeiros e não deu socorro. Eu queria tão pouco, um celular para ligar um DDD gratuito para São Paulo e liberar um reboque que viesse trocar o pneu da Ranger.
Falta de amor!
Uma Avenida movimentada, as horas passando, o medo tomando conta da alma, ali onde estava parada tem uma delegacia uns quinhentos metros. Alguém podia perder cinco minutos comunicar ao policial: tem alguém precisando de ajuda, ninguém tomou essa atitude.
Falta de amor!Pensei em tomar a decisão de tomar um táxi e chegar até um orelhão e pedir ajuda ao pessoal de casa, ao pessoal do Hospital que fica a mais ou menos quatrocentos metros de onde eu estava, ou mesmo ao motorista do táxi. Qualquer coisa seria mehor que ficar ali vulnerável. Preferia deixar o carro para ser guinchado pelo DETRAN aquela exposição a um assalto.
Deixaria o pisca alerta, guardaria o triângulo, como sou escandalosa o triângulo do meu carro também é pisca alerta de socorro e é caro pra dedéu! Naturalmente alguém levaria sem cerimônias.Estava no auge do desespero, e lá vem um homem puxando uma carrocinha de papelão, ai meus sais! Estremeci alma, pernas, voz, pensamento, nem sabia rezar uma Ave Maria. Como um raio, escondi os anéis, pulseiras, colar, brincos, documentos, bolsa, tudo num fundo falso abaixo do banco, fiquei com o relógio e uns vinte reais no bolso da calça jeans, se você estiver tentando fazer uma idéia de como sou, pode ter certeza que sou perua mesmo tenho o prazer de não usar biju é um desperdício gastar tanto com o que não tem valor, compro outro mesmo e sem dó, mas não tenho celular.
Falta de amor!O homem vai se aproximando e pergunta se eu estava com problemas; respondi que sim, não tinha como entrar em contato com o seguro para trocar o pneu do carro, ele veio até o carro e disse que não sabia usar a chave que destrava o pneu de reserva e eu disse nem eu. Ele olhou pra meu relógio, olhou bem nos meus olhos e disse pegue o meu celular e ligue tenho crédito suficiente. Não senti vergonha, meu sentimento foi de respeito e carinho, e disse não sei ligar, ele pediu o número, meu nervoso estava tão aflorado que ele disse; sou pobre não sou ladrão, e eu disse jamais pensei nisso, mentira minha estava com muito medo dele. Naquela situação, o único número que lembrava era o celular do motorista do namorado, eu adoro dirigir, mas, ele não me falta no dia a dia.
Pedi para que o homem falasse com o rapaz, e assim foi feito, em menos de vinte minutos estava um formigueiro de carros chegando, e o homem nesse meio tempo, conversando num papo gostoso disse: a senhora não tem medo de andar num carrão desses sem um celular? Acontece o que aconteceu hoje em outro local mais perigoso o que a senhora faz? E continuou, em minha casa a patroa é secretária doméstica e tem o celular dela, meus filhos e netinhos, cada um possui celular, despertou-me curiosidade e sair fazendo perguntas sobre celulares de uma vez que ele tinha conhecimento do assunto. Ele continuou: meu neto é estudante de informática na Universidade Federal e estagiário de uma operadora de telefonia, possui um parelho dos mais modernos, nesse celular tem até um micro computador, entra na internet, escreve em chats, possui câmera e filmadora, resumindo, última geração de tecnológica e que se ele que ralava muito podia ter uma máquina daquelas porque eu com tanto luxo não comprava um simples sem nenhum recurso?
Puxou um cartão de um saquinho plástico me entregou e disse que era o nome e a loja que o neto trabalhava, eu procurasse ele que era um bom menino e me dava toda orientação.
Isso é amor!A cavalaria chegou, isolando local, parecia que tinha atropelado o presidente de alguma coisa, os carros começaram a parar para dar ajuda, polícia chegou para não parar o trânsito, por incrível que pareça até uma rede de televisão fez uma matéria sobre o perigo que um carro quebrado e a violência naquele local.
O homem deu-me boa sorte, sorri, dei minha palavra que ia fazer o contrato com o rapaz. Ele saiu tranquilamente eu perdi o meu olhar analisando tamanho coração. Como sempre, meu povo desfez um circo, o namorado chegou com um carro de pisca pisca federal, agitado, entrou no meu carro, não me deixou dirigir porque meu nervoso era transparente, no caminho quase obrigou a ficar com o celular dele, não aceitei, vou comprar o meu celular assim que sair desse texto.
Isso não é amor!

O Amor usa Celular.
Lia Lúcia de Sá Leitão
Normanda 29/11/2007
Engraçado, hoje vi uma cena inusitada, um casal de namorados brigando na fila do sorvete.
Ela dizia a ele: você não presta, eu te detesto,estamos decidindo nossas vidas agora, a minha certeza é de um longo e redondo engano. Ele, cabeça baixa, ouvia tudo com um ar sério, o rosto rubro, imaginei que fosse o desejo de dar um tabefe na moça.Ele esperou cada palavra com a calma dos homens pensantes, sabidos, sedutores, e ao término daquele discurso nefasto, sentaram-se num banquinho próximo a mancha vermelha que indicava as lojas mais caras do shopping , o tal papai Noel.
Claro eu não podia perder a cena, afinal essas situações me despertam a curiosidade, perdoe-me leitor, mas as histórias que escrevo são verídicas.
Ele segurou a mão da moça que naquele momento estava lavada em lágrimas e assegurando-lhe em bom tom: entreguei-me inocentemente, acreditei que meu amor era único, desejei nosso noivado durante os anos de colégio, e agora final de universidade sonhei nosso casamento, Igreja, padrinhos, amigos, família e descubro que toda nossa vida não passou de um cínico convívio.
Ele abraçou a moça com um silêncio que exalava ternura, carinho, respeito, até mesmo dor, mas não expressava nenhum brilho nos olhos, nada que revelasse sustância, solidez, credulidade, fidelidade, posso até afirmar um carinho sem amor e um olhar sem brilho.
Eu queria abraçar aquela moça que sofria. Mas meu ser assistia a cena num silêncio sepulcral, eu não tinha atitude mesmo com os anos de vida, filhos, amigos, situações semelhantes, e eu ali, sentia cada palavra dela como uma pontada e a atitude dele como uma confirmação real do drama.
Ele levantou a vista e deu com meu olhar, ele encarou, fez um leve sorriso como quem diz o que faço? Ela levantou a cabeça, moça bonita, mesmo chorando, os traços fisionômicos de uma boneca mimada. Tão mimada que imaginei mais ciumeira, a pastelaria jogada na calçada e uma chantagem sem limite de poder, eu choro ele se compadece, coisas comuns quando se perde o chão diante das decepções da paixão.
Acompanhei os olhares como se nada tivesse acontecendo, e eu ninguém.Ela volta a falar, ele cala. Ela levanta bruscamente, ele a puxa pela mão. Ele termina o sorvete ela joga o dela na lixeira. Ele joga o cigarro fora, ela abre um desses chocolates caseiros. Ele olha o chão ela come voraz o chocolate. Ele tenta falar alguma coisa, ela grita, um fica quieto. Ele olha dos lados, todos olham e ele baixa a vista. Um grupo de senhoras na frente de uma vitrine observava a cena e deduzia e vibrava por ela, outro grupo em pé próximo ao quiosque do sorvete tipo italiano torcia por ele, e apostava que havia ali uma traição.
Ela tirava a aliança do dedo e entregou a ele, levantou-se deu tchau e saiu. Ele guardou a aliança no bolso, acenou com a cabeça como quem diz adeus e continuou sentado.
Uma terceira pessoa entra em cena, um rapaz muito bem vestido, sentou-se ao lado dele, e minha atenção desdobrou. Imaginei algum amigo que vai ajudar a remendar as bobagens juvenis.O rapaz questiona: decidiu? Ele afirmou positivamente com a cabeça. Todos observadores ficamos sem entender qual seria o desfecho.
Os dois levantaram e o que seria um abraço de amigo, de apoio, foi um abraço de alívio, aquele que chegou em meio ao abraço deu um singelo e discreto beijo próximo a orelha do outro, falou baixinho: estou aliviado porque eu te amo, e os dois saem felizes combinado o tipo do celular que serviria de presente que um daria ao outro no dia de Natal.
