Eu..Lia...

 

Olindense por amor e escolha e Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.

Amiga, companheira, justa, verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais  injusta.

Desenvolvi no decorrer da vida, as artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e pátina.

mas de todas as construções artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos textos

e com um desejo maior...que o leitor mergulhe como um personagem.

Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família

Venho de uma família sólida, uma mãe que soube doar amor,

carinho e alguns tapas na hora necessária. Hoje olho o céu e

vejo uma estrela piscando e sei que ela escolheu ficar ali, no céu e

está sempre invadindo meu quarto com seu brilho de estrela.

Mesmo que o sol esconda por algumas horas,

eu sei que ali está minha mãe feliz e sempre guiando meus passos.

Meu pai, antes de pai um amigo sincero, fiel adorável,

um HOMEM que cita que requisitos bons, como ser humano não é

elogio é dever de cada um e ele segue a risca o princípio cristão:

Amai o próximo como a ti mesmo. E assim sendo diz tudo.

Filhos, meus lindos bonequinhos , que criei com amor mas ficaram grandes,

homens que aprenderam a cantar e voaram para longe do ninho, mas não

esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.


Amor


Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.


Amigos

 

Todos meus amigos da net, todos meus amigos reais,

enumerá-los seria maldade, se  acaso esquecesse unzinho,

reservo-me a dedicar cada texto a cada um também, como

se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.



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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.

Espero que gostem, sejam benvindos(as).

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Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi."

Lia Lúcia de Sá Leitão – 20/11/2007

(Normanda)
 

A claridade invadia os ambientes da casa distribuindo um efeito forte nas paredes da sala e sem pedir licença permita as sobras bailarem assim como os fantasmas que Ella sempre fez questão de esconder.

 

Sentada no sofá, a decoração de Natal quase toda finalizada, a árvore de natal com bolas azuis que tanto encantavam os convidados para a ceia natalina com apenas uma única bola enorme, escarlate, que mais parecia o Sol. Aquela era a única bola que quebrava a suavidade azul do ambiente, vermelha como o sol causticante que através da varanda fervia o mar, tostava as peles das moçoilas e rapazotes que entusiasticamente jogavam vôlei nos campinhos improvisados nas areias escaldadas de Sol e banhadas privilegiadamente com aquela água morna e verde esmeralda que lambia os pés daqueles adolescentes que pulavam, gritavam, rebatiam e disputavam cada lance. Os times sempre mistos mostravam que a supremacia da vitória estava na união das forças e não na divisão dos sexos.

 

Ella segurava a única bola vermelha, como se o cristal abrisse a mais antigas das crendices humanas, era uma wicann lendo nas imagens disforme o passado mais recente. Aquela bola escarlate da árvore de natal encantou os pensamentos da mulher.

A situação havia deixado uma dispersão no ar e o pensamento alçou vôo, os mais inusitados pensamentos de um momento místico e encantador possuíram como um devaneio os olhos da mulher que fixava o olhar naquele ponto vermelho destoante do restante da decoração.

A mulher mergulhava naquele universo místico do planeta, o Egito, as férias do ano anterior, quase uma Lua de Mel, a vivacidade do povo parecia uma ligação direta ao Sol. Horas de carro rompendo as areias do deserto, caminhada sob um sol escaldante até as Pirâmides. Enfim o retorno o Cairo depois de um banho de suor sem encontrar um daqueles chuveiros de moedinhas, daria a Casa da Moeda inteira por água.

 

Ella percebeu o reflexo de uma figura mítica egípcia de um dourado incandescente reluzindo na bola vermelha ainda em suas mãos. Esboçou um leve sorriso, quanta felicidade durante aquela viagem, agora ali, a bola vermelha que foi comprada no Cairo fez lembrar todo um momento de amor e alegria do casal ainda curtia o tempo que avançava impiedoso sem um projeto de filhos.

 

A secretária adentra na sala, olha a situação questiona a patroa se não vai terminar a decoração para poder limpar a bagunça dos fios azuis, dourados, prateados e vermelhos espalhados pelo chão. Ella dá um pulo do sofá e vai colocar a bola vermelha no topo da Árvore de Natal. Mais uma vez a secretária questiona os Cds, Dvds, e filmes com os temas Natal que naquele ano ainda não estavam reservadas junto ao som, ao televisor e aparelho de Dvd. A mulher olha com ar de ironia para Zefinha e diz, calma, tudo tem sua hora. Mais uma vez a secretária interpelou: a Senhora está deixando tudo para última hora, depois vai ficar aos berros me deixando doida, os meninos vão chegar de viagem com os filhos, e as crianças vão querer o papai Noel que dança, o outro Papai Noel que sobe na escada, aquele lá que anda na bicicleta, e como a senhora vai organizar espaço para todas as vontades da criançada? Ella olhou mais uma vez a assistente e disse: você viu o tamanho dessa sala? Estou pensando em fazer diferente, colocar o Jaguar Verde* ao invés daquele treino que não diz nada ao natal que vivenciamos.

Quer saber? Estou tão esquisita que passei a detestar esse natal cheio de bolinhas coloridas e luzes piscando e uma cantora de MPB se esguelando Então é Natal! Nada de filminhos americanos, enchi de assistir os velhos ranzinzas vencidos pela bondade momentânea do peru de festa, crianças de vestidinhos xadres verde e vermelhos e cachecol no pescoço brincando com uma neve que jamais cehga ao nordeste brasileiro. Crianças com carinhas de plástico caminhando sem chorar, sem ter fome, sem ter decepções, todas felizes apontam as vitrines novaiorquinas árvores iluminadas para entrar no livro dos recordes do tio San. Tudo muito  decorado que podia ser convertido em dólares os quais custearia meses de barriga cheia nalgum canto do mundo.

Ella afirma categoricamente; esse ano não terá nada que lembre filmes ou músicas de Natal. Enchi dos filmes americanos natalinos, até os motoristas de táxi dos são delicados e simpáticos e o mais interessante; o homem cede um disputadíssimo transporte para outro que necessita comprar o último boneco da loja que fecha meia noite para o filho mais jovem que mal conhece, era ali no dia de natal o grande milagre depois que o menino está roxo de tanto chorar.

A raiva foi tomando o corpo e a razão de Ella, que largou a mão na bola vermelha, espatifou o cristal na varanda, tomou a vassoura de Zefinha e destruiu toda a árvore com bolas , anjos, estrelas caixinhas azuis, num só golpe degolou os três velhinhos risonhos que encantavam a criançada com seus movimentos e modificou toda a decoração da sala, casa e jardins.

 

Ella utilizou tudo o que tinha de estrago e tranqueira da casa,, estopas, pneus, sprays dourados, prateados, azuis, cadeiras, cavalinhos de criança, carros de puxar e o velho treino enfeitou com papéis e luzes coloridos, e tudo que podia ser reciclado fez parte do prazer de vivenciar um Natal com harmonia e alegria dos nordestinados.

 

Meia noite, uma ceia larga será servida por mais um ano, brindes, presentes, brincadeiras, todos da casa: filhos, netos, amigos, sobrinhos, vizinhos, festejam nababescamente as Festas de Natal servindo da melhor forma todos os nossos funcionários e filhos.

 

(*Jaguar verde é um carro que dá até medo de andar na rua para num ser seqüestrado e que vive de enfeite na garagem.)

 

 

 

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"Mitologia Grega e Romana no mundo dos Filósofos"

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Natal .... e.... Natal

Lia de Sá Leitão – (Normanda) 27/11/2007

Tem dias que não se sabe explicar o motivo pelo qual o amanhecer é lindo, o sol brilha em sua mais intensa luminosidade e nós, simples mortais agradecemos por tudo, pela vida, pelo amor, pela luz, pelo calor.

Tudo é mais belo, o amor mais transparente, a vontade de viver é mais azul, os olhos de quem olha o mar mais deslumbrados com a beleza da maravilha da Mãe natureza. Quem pode contestar? Quem pode dizer não? Quem pode parar e pensar que o Natal acontece apenas uma vez por ano, quando ali diante dos olhos toda a Confraternização Universal se desmistifica em nome de um Deus de Amor.

Mesmo assim, muitas pessoas brigam, atiram pau e pedras, bombas, puxam gatilhos mortais e matam outros como se a vida fosse um papel que voa ao sabor dos ventos sem destino maior que sujar a praça mais limpa e linda construída pelos homens. Mesmo assim, muitas mulheres abandonam os filhos à própria sorte, outras matam , estrangulam a calma do ser quando choram diante de uma TV, todos percebem a falta da alma materna se expondo ao ridículo sem se incomodar com os milhares de olhos a olhar aquele depoimento; estarrecidos pelo cinismo uma multidão para a olhar a banalização da dor como mais um, mais um número na estatística, mais uma mãe que maltrata criança e isso é dever do Estado tomar conta e nem estamos na semana da crianças e muito menos no dia das mães para falar sobre esse tema. Senhores leitores, alguém disse a essa escritora, seu mal é inversão de valores, observo perfeitamente a causa do fato nesse momento.

Não é possível que em pleno Natal, com as abusivas promoções de panetone, luzeiros de pisca – pisca guardados de um ano para outro, decorações amarrotadas como objetos encaixotados por onze meses, e aquele Papai Noel centro do shopping irritando ainda mais com aquele sorriso de bom velhinho, que nunca enche o saco com gritos de crianças, choro de meninos manhosos, aporrinhação de pai chato para tirar outra foto, a fila enorme, o ar do shopping não refresca nem os que estão de longe debruçados ao parapeito a espera de alguém.

O Natal, o Natal é a data mais singela a união entre o divino, o espiritual e os homens, tornaram-se verdadeiros samba de roda, humores alterados, pais que fazem conta em calculadoras porque dali a dois meses vão levar um esfregaço do colégio com o material didático, o décimo terceiro que vai acabar; as roupas. Os mais espertos largam calças jeans um pouco maiores para o filho caber dentro daquela produção natalina com fins utilitários.

Quem nunca viu uma criancinhas carregadas até a babilônia da enganação comercial para escolher seu presente, e os coitados sem dar por conta que são usados, manobrados, vilipendiados pelos responsáveis, quem já parou para observar, os percentuais? 5 % levam o que a criança realmente deseja 20% são iludidos com um sorvete, uma parada na lanchonete mais cobiçada podendo desfrutar do cardápio mais guloso, não posso me deter aqui: vi pais olharem de um lado e do outro e falar baixinho a declaração de amor o dia: come tudo ou não vem mais nunca aqui que esse seu lanche é muito caro! A criança com carinha de enjôo entre uma lágrima de repugnância e o preço da gulodice, enfia goela abaixo os nacos de tudo e goladas de refrigerantes.

É triste quem para quem fica a observar de um ponto estratégico as atrocidades do natal. Analisando friamente é pior que a Semana Santa, ali sim existe um sentido funéreo é o filho de Deus nos lembrando: morri por vocês pecadores! Mas o Natal, que posso falar? O aniversário, a alegria do menino Jesus, aquele que vem em nome de Deus, vem Emanuel ilumina o sentido de Natal de nosso povo por que a situação está braba: onde posso encontrar humor mais alegre? Naquela mancha vermelha enorme que aponta para as alas principais dos shoppings? Que referência entre a ala norte e sul eu devo tomar? Os gnomos, as fadas os alces, o treino?

Falando em espumas de brancas, era neve, devia ser a pureza pela própria conveniência da época afinal um inocente veio ao mundo com a finalidade de remir o Mundo.

Nesse momento penso como explico ao meu neto aquela pista de gelo que ele corre, pula, gira, dá cambalhotas e cai uma queda perigosa e volta chorando aos braços da avó? O Sul pode até nevar, mas não em período natalino, o Sudeste até faz um friozinho chato que fura a pele, o Centro Oeste nem se fala o calor, o Norte as chuvas torrenciais, mas nada de frio, onde se viu o Nordeste nevar? Patins de gelo para nordestinos?

Lá vem o neto aos prantos depois da queda acabou a hora de patinar no gelo.

Olhei sem sorrisos de Mamãe Noel e disse filho, vamos para um local mais agradável? Isso aqui nem circo consegue ser, portanto não estamos nas nossas posturas de palhaços que tal se a gente vai correr de bicicleta na beirinha do mar, pegar um picolé na sorveteria, comer pipoca de saquinho, botar os pés nas areias, rir e brincar com a água do mar, nem a gente paga nada pra se distrair nem precisa dessa mancha vermelha que não pára boboca de sorrir.

Vamos gargalhar de verdade, vamos brincar de verdade, vamos ajudar quem podemos ajudar de verdade.

Esse não é o nosso mundo, saímos de mãos dadas, entrei no caro, dirigi até a praia e ficamos o resto da tarde interagindo com a natureza, algumas crianças chegaram, entraram na brincadeira, e ali estava o sentido não apenas do Natal, mas da vida.



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Sensações

É complicado acordar sem dar bom dia ao dia, afinal todo dia é dia de Rei.  Se formos capazes de dizer SE BEM QUEM SOU? Estamos na situação de autoridade e até o Sol deve estar sob nossos pés, engraçado,  essa semana passei por uma situação inusitada e senti na pele a sensação de impotência; é constrangedor, é aborrecida, é deprimente aquele que sofre a humilhação da parada obrigatória dos curiosos transeuntes. É de sentir na pele a força de um dragão debatendo-se contra aquele sabe quem EU sou. Medindo em metros a defesa e a acusação daqueles que nem viram a situação completa. Os curiosos apenas deduzem pela posição dos carros trancando uma das ruas de estacionamento de um shopping aqui em Olinda Pernambuco.
Poi
s é; essa gentil criatura que vos escreve (adoro colocar essa frase nos meus textos por que descobri aqui na internet um desses SABE QUEM EU SOU? Lendo às escondidas meus textos, passando e-mails e sempre presenteando com uma alfinetada, mas, numa vasculhada de internet, ficou descoberto que: O SABE QUEM EU SOU é uma moça, que sinceramente não me suporta por que não dei trela para o sabe quem eu sou dela, simplesmente ignorei, também não me interessava. Bom, só pra concluir, a criatura não é letrada mas se vale de meia dúzias de amigos para fazer valer o SABE QUEM EU SOU, mas tudo isso são bobices, releva-se, o importante é ser prendada e ter uma certa astúcia para crescer.  A você os meus sorrisos de sabe o que não sou, deixo por conta a interpretação).
Mas voltando ao shopping e ao constrangimento da autoridade exacerbada e incontrolada do brasileiro.
Reduzi a velocidade do meu carro para estacionar e o automóvel que vinha atrás encostou no pára choques dando-me um leve impulso para frente, (diga-se de passagem, achei que o carro lá trás estava ferrado devido ao suporte de trailer, pela altura e peso do meu).
Abri a porta e  mostrei meu tornozelo branco e sensual; vestia àquela altura um vestidinho indiano com chinelinhas rasteira em couro cru, e caminhei até a traseira do carro, olhei e nada tinha acontecido;  nenhum arranhão e fiz o favor de olhar o carro suicida e pelo bem dele, também nada tinha sido danificado. Olhei para o Senhor que dirigia o carro oposto fiz sinal, dizendo que ficasse tranqüilo, foi apenas um susto. Infelizmente o homem estava com o vidro levantado e não entendeu a minha observação. Já de volta à cabine do Land, o homem desceu como um pimentão, aos berros, como se a culpa dele enfiar o bico do carrinho dele no meu, estivesse em minha mãos. E a plenos pulmões disse: “Espere aí mocinha.” Quando ele me olhou de frente,  disse o MADAME, eu sorri: “Pois não senhor”.  Com o tom de voz doce falei pra ele. “O olhe que coisa boa, nem o meu e nem o seu carro estão danificados.” Aí  o homem perdeu as estribeiras geral, acredito pelo fato de ter uma platéia, uns diziam a culpa é dele que enfiou-se no carro dela...outros putz! mas um carrão desses no shopping é de torar! Eu mais uma vez : “Não aconteceu nada Senhor, vamos ao divertimento”. Ai! pra quê fiz isso! O homem levantou-se como um leão e grauuuuw... VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? Eu na minha humilde insignificância: Se o Senhor disser eu saberei.. e o homem com voz de trovão; “ EU SOU JUIZ!” Outra vez olhei pra ele com muita calma , até pela idade, e disse calmamente; Mas Meritíssimo,  e eu tenho culpa do senhor ter estudado mais que os outros?”... O homem enfureceu-se mais ainda e partiu pra cima de mim, ai o sangue nordestino ferveu, pensei, esse bostinha pode ser a pqp se  meter vai levar uma porrada de verdade,  dou ré e passo por cima do carro dele. Mas, era horário do meu anjo da guarda, olhei pra ele e questionei: “Senhor Meritíssimo Juiz de Direito, o seu título de Juiz compra beleza?”  O homem perdeu a voz... olhou para meus olhos e ficou sem fala e continuei: “se seu Título não compra beleza o senhor não brinca de ser feio, leva mesmo a sério.”
Dei as costas, entrei no meu carro estacionei em vaga especial e entrei no shopping.
Não discutam no trânsito é feio e a sensação é terrível!

 

Normanda - (Lia Lúcia de Sá Leitão) - 13/01/2006



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SEM SUOIS.

Normanda ( Lia de Sá Leitão) 21/11/2007


I
Vem e bebe em mim o desejo
Consome essa tontura de paixão e traga o suor que borbulha.
Enxuga-me as lágrimas e constrói o poema esquecido
Fala o amor que constrói a vida e revela o poder da mão que constroi
a vida que propositadamente persegue a música 
a musa que baila, ao vento soprando ao léu as flores azuis,
campinas sem solidão.
Fala de um amor que abafa a lágrima e dá luz aos pirilampos,
Embeleza as cores das borboletas, desperta o cheiro da terra e perfumes silvestres.
Toca a pela branca de Lua sempre tua e nua,  flutua no mais sublime desejo sem necessariamente revelar o segredo 
Mostra as marcas de batom tatuando, o corpo, camicase  poeta.
Mostra o olhar de foto digital sem mácula amarelada de tempo.
Cada dia que surge e a cascata canta a inspiração da natureza, as diferenças surgem em cada tom, em cada mote, em cada momento de sorte e ser feliz.
II
Deslizo a mão sob a terra bruta
Ainda há montanhas a decifrar e o sol há de nascer logo ali por detrás daquela porta.
Ligar ou deixar desligado o botão da luz?
Que amarra segura a mão que toca o imprevisto?
Que idéia amarra o calculável?
Que velocidade derruba o que ainda não previu a paixão?
Pirata azul dono do mais bandoleiro coração
Rouba discreto o sorriso do silêncio que a noite consome
Entre o poder e o vinho, entre o decote escandaloso e o cheiro da mulher
Treinada de vida teima em espinhos alheia ao teatro faz palco a própria vida.
III
Ambiente de tudo,
Sala de todos,
Solidão de alguns
Felicidade de muitos.
Todas as energias formavam a carga mais cômica da universalidade dos nêutrons.
Havia mais que um solista
Muito mais que uma platéia.
Havia mais de um boêmio,
Muito mais que vulgares mundanas.
Havia mais que um marinheiro,
Muito mais que uma lágrima.
Havia mais que um gracejo,
Muito mais que uma leviana risada.
Havia mais que uma piada,
Muito mais que ser imoral.
Havia mais que  convite,
mais que fabricados olhares de ternura.
IV
Segue sozinha
Não importa a presença da dor ou a ausência da solidão na vida importa SER.



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CIÚME ! TER OU NÃO SER

Normanda - Lia de Sá leitão  - 9/01/2006

Parece uma eternidade ficar alguns dias sem escrever, fazer o quê? Outro dia escrevi uma crônica sem malícia, e foi um Deus nos acuda! Resolvi largar mão de tudo; mas, os dedinhos coçaram, e sempre traio as minhas promessas de abandonar a Literatura. Cá estou com um turbilhão de idéias atropelando a escrita, atropelando a emoção. Pelo menos prometi que teria mais cuidado nas expressões,  nas criações e policiaria o pensamento que flui. Assim não despertaria as crises que diluem as verdades de um relacionamento que ainda não está por um fio. Só existe um conflito que desnorteia o casal, ter nas mãos o processo de escolha entre escrever e o companheiro, arrepia a alma!
Do lado direito cravado no peito indissolúvel emoção do livre arbítrio da criação; do mesmo lado, da metade para a pontinha do coração, tem-se o ser; aquele que divide as emoções, o dia a dia, esquenta a costelinha nas noites de chuva, compra o Cabernet chileno e ainda enfeita o solitário com uma rosa vermelha, presenteia com aquele anel, (ai ai ai lá vem o material se sobrepondo ao emocional) mas é verdade! Quem não gosta de ser acarinhado, beijado, amado, agraciado, acariciado?
Escolher entre a literatura e o companheiro, muitos amigos disseram, isso é drama: não é tão difícil assim, e contaram fatos de quantas vezes largaram a sua outra parte e quantas vezes foram largados  na rua da amargura.
Outros disseram ser complicado, não saberia viver abdicando do processo da criação, melhor acabar logo com todo esse dilema e ficar com as Letras.
Alguém finalmente falou, elabore, é muito complicado vencer o ciúme do outro em detrimento do prazer da escrita, mas concilie! Afinal, o homem é maleável depois que pensa que exerce poder sobre o objeto de desejo (a mulher amada). OBJETO DE DESEJO, A MULHER AMADA!
Espantoso alguém abertamente externar essa realidade. O relacionamento começa a tomar alfinetadas de ironias, sarcasmos, e o que podia ser controlado numa boa conversa passa a correr riscos de separação. Uma história bonita de paixão, respeito pelo fio da navalha, tudo por causa de um bum bum que corria sem identidade pelo calçadão da praia. Negar impossível; era um presente dos deuses!
Mas em contra partida, martelava o jocoso deboche, OBJETO DE DESEJO = mulher amada, de BONEQUINHA DE LUXO a INFLAVEL NUMA FRAÇÃO DE SEGUNDOS. Senti na pele o sentimento de raiva, da posse e uso. Alguém tinha que dar um basta aos siricuticos, estremeliques, pitís aos meus sentimentos de ser objeto de prazer e o homem estressado.
Percebi que o homem enciumado é pior que a mulher enraivecida, mil vezes!
As mulheres ainda tentam sublimar com boa vontade, serenidade, pensa e tira proveito do emocional, chega a um denominador comum, mas as decisões são centradas, acertadas em sua maioria.
O homem pelo magnetismo da pretensão, pela facilidade do apoio social quer radicalizar e por um ponto final no problema. Radicaliza e depois entra pelo cano( principalmente quando é uma mulher como eu, bonita, inteligente, atraente, na flor dos quarenta, independente, sem modéstia, pensando como qualquer mulher que sabe se valorizar como ser pensante; quem me perder é por que não tem o menor tato com a fragilidade feminina)!... Voltando ao sofrimento masculino... Depois que perde uma grande mulher, sofre contido, se passando por machão, e é até capaz de ir ao cárdio pela taquicardia e falta de ar, somatiza angústia com enfarte, mas, está ali, onipotente pisando si, sacaneando o próprio sentimento para não admitir que furou gol contra. Que bobice!
Depois de ponderar, convidei o companheiro para sair da cidade, do circuito vicioso e fomos  à uma das mais belas praias do Litoral pernambucano:Almirante Tamandaré, que é até mais bela que Porto de Galinhas ou Maracaípe (point turístico); Precisávamos de paz, ar puro, um mar verde esmeralda morninho sem nenhum deus grego para causar saliências nem desviar o olhar de tranqüilidade,  para acertar os ponteiros do relógio que insistiam em andar na contra mão do tempo.
O que falar, não escrevo mais no site, seria uma mentira, escrevo só aquilo que vai agradá-lo,  outra inverdade. Dilema da escolha entre o que escrever e aquele que dali por diante bisbilhotaria os arquivos do meu micro. Não guardar cópias, e o site a dizer eis aqui, letra pulsante, viva, ardente, bela, a criação mais explícita da alma assexuada. Respirei, e vi aquele olhar de espanto que só os que conhecem o brilho dos pisca-piscas de árvore de Natal nos olhos do silêncio sabem decifrar.
Pediu que eu fosse rápida e eu achei até engraçado, por que me insinuou, degole-me,  mas que não doa, dá-me o golpe fatal, mas que eu ainda sobreviva.
Olhei o céu de um azul profundo, os coqueiros, ouvi o barulho do mundo, os bordados das espumas do mar. Não podia deixar de ser coerente. Adorável instante para mostrar o quanto estou apaixonada como toda e qualquer mulher que absorve para si o sofrimento do companheiro e com um afago no rosto, um chega aqui, aquele vem cá que termina num beijo gostoso, num abraço onde os braços se entrelaçam tornando corpos em momento de eternidade não pedi desculpas, não afirmei nem neguei absolutamente nada! Ele apenas disse: continue escrevendo do jeito que quiser, como quiser, eu entendo cada ponto e cada vírgula. Assustei!
O discurso que tinha improvisado caíra por terra. Meu companheiro foi sábio, experimentou a alma feminina no momento em que percebeu a inspiração da palavra errante... A emoção do saber ter em si o ser amado.



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Franz Listz, o inocente amor 

Normanda - Lia de Sá Leitão - 14/01/2006

É difícil encontrar uma palavra tão cruel quanto a melancolia. Representa nas suas mais profundas elucubrações a efemeridade da vida; é a palavra insatisfeita com o tempo que voa, Carpe Dien, sem poder retê-lo na  caixa de Pandora espalha-se pelo ar, ganha a atmosfera,  e no momento expresso do limar nos ponteiros temporais,  desdenha  da Literatura e ali está em todas as composições a angústia melancólica contida  nos  estilos de época. O mesmo Carpe Dien errante do cavaleiro dos sonhos eternos, o Quixote que se esfola no silêncio de sua Aldonça del Toboso.  É a submissão de Sancho àquela loucura delineada do prazer pela ordem inversa do absurdo amor,  que insiste em não crer,  em não ser comum, em não ter o maravilhoso apenas por que é singular, em não se permitir o plural por que ali está o sonho galopante da escrita,  que descortina em azul a tinta do poeta que delira em não se deixar levar pela vida que arrasta, arrebata a alma, e como um furacão arranca os sonhos, desejos,  taras, fetiches e silencia no olhar daquele que se afronta ao moinho de vento e seu colorido de circo mambembe. Miserável razão e emoção! Olha o mar esmeralda, uma gente que anda, que se banha e  que sorri momentaneamente, mas não vê que a nuvem esconde o sol e as rendeiras do mar permanecem ali incansável em seu trabalho,  e as sereias espreitam sua presa mais fácil, o modelo do homem para descartá-lo da vida e tomá-lo em suas conchas de amor.
Soberbo! Sereias que nunca se masturbam por que o mar é enorme!
Entre a fragilidade e o encantamento, o segredo da mulher que jamais externa seus despudorados sentimentos, aqueles que se pensa e nunca são ditos sem os recatos,  que domina e  impõe a passiva e insólita melancolia.
As sereias buscam em seu canto aquele que ri só, buscam-no afoitas , e fazem tudo que se deve fazer em um homem de diferente,  quando a vida cai na desarmonia do efêmero, o descontrole desmorona no inusitado beijo molhado, no corpo entregue aos fluidos degustados com sabor de sal.
Aquele dedo que acaricia os lábios e adentra pela boca,  dando a sensação fálica da oralidade do sexo,  quer seja invertido pela mordida suave nos dedos dos pés, no carinho por entre as pernas do amado corpo,  que se entrega ao canto da sereia,  que seja aberto em brumas e pela suavidade do verde esmeralda, na lambida contrária ao peito, e nas costas roçar o corpo escultural deixando-o sentir e escorregar o mais doce fluxo da mulher que faz a diferença. Na mão comumente nervosa a tocar a genitália dele, que machuca, agride,  e ele apenas geme num falso prazer. Que seja um suave apalpar que busca para si o encaixe, a junção de carícias no corpo do amado,  a confecção do texto,  a elaboração  da coreografia entre o bailado de enorme peixe e a nudez do homem que não resiste em se deixar ficar.
O corpo cai no abismo das águas e a palavra melancolia perde o sentido humanamente apavorante,  de domínio abusivo da alma e tudo se faz esquecer. Mágoas, desesperos, fragilidades, e os dois unos em um momento dos orgasmos, se tocam, se degustam, se mexem, se convertem e se abrem,  se encaixam e se explodem numa grande bolha.
O que era homem caçado pela sereia e o que era sereia melancólica transformam-se em um orgasmo de choques, estremecimentos das carnes, pequenas convulsões em que os corpos pedem mais, até a última investida, que fique, que se deixe ficar dentro um do outro.
Nesse instante, os olhos que olham da grande varanda a beira mar,  entende que existem rendeiras do mar, sereias, mas aquele chiado das espumas e o barulho das ondas que quebram próximas ao píer, é a explosão do amor, o grito que sempre está contido pela vergonha de dizer gozei.



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MAIS UM DIA

Mais um dia começa com seu brilho e o ar quente invade o apartamento; a sala, o quarto às sete horas da manhã até parece calor de deserto, mas a proximidade do mar não permite o delírio da miragem e ali está o mar, de um verde esmeralda, sedutor e quente como quem acena para um amigo distante e diz: “venha estou desejando abraçar alguém”. Nesse dia de ondas assustadoras que amansam na cumplicidade dos amantes quando beijam as areias, e presenteiam a terra com tecido de rendas, alvas que borbulham, e se rompem numa rapidez fabulosa para dar lugar à nova textura, a novo brocado, e uma nova rendeira do mar apontam o Carpe Dien; viver o momento com voracidade, por que é único, o próximo pode ser mudo, silencio profundo entre o hiato que existe entre Deus e o Diabo. Em tese desenha na simplicidade da natureza, a cada seqüência o incontestável pânico  que a humanidade possui da velhice.
Será que o calor também produz esses questionamentos sem pés nem cabeça? Lá vem mais uma onda, lá vem mais um bordado que espuma, faz bolhinhas,e mais uma vez é engolido pelas areias.
Naquele instante ela em pé e o infinito.
Olhava através do janelão da sala de estar uma atmosfera de sonho; sininhos, luzes de pisca-pisca natalino, tudo parecia redoma de cristal protegendo um mundo encantado onde um sopro cortante de uma aragem fria trincaria a paisagem.
Mas que pensamentos aqueles? Não queria pensar naquilo, bordados na areia, redoma de cristal, mundo encantado; queria o real, a solidez do pensamento amadurecido, a razão, Precisava cobrir as contas do mês, pagar o combustível do carro novo, por sinal um lindo carro, sua paixão, por onde passava era vista como a moça do carro azul, mas que adiantava ter a paixão pelo ‘’troller’’ azul sem ter um navegante de vento em polpa no seu coração?
Daria metade da conta bancária por um amor. Mais uma vez o pensamento cortante, dinheiro compra até amor sincero! CAPITALISTA! Onde já se viu comprar um amor? Ria para si, sem esboçar qualquer sentimento de alegria, só ironia, segredo da vida bem sucedida e tão vazia.
Sempre brincava com as amigas nesse tom de galhofa, quando se tratava em maridos, amores e paixões das mais passageiras, ressalva, todas as amigas estavam casadas e diziam horrores na hora de voltar para casa após o término dos exercícios diários na academia.
Um dia, uma das amigas abaixou o vidro elétrico do carro e berrou entre a raiva real e o sarcasmo feminino: vou pra casa fazer sopa, todos os homens gostam de sopa! Que coisa! Esboçar aquela raiva por que ia cozinhar uma sopa para o seu companheiro, aquele com o qual jurava amor depois da novela das oito, aquele com quem fazia amor antes do jornal da meia noite, e beijava-lhe à boca, fazendo-o dormir feliz, para correr até a internet, acessar o chat de bate papo e namorar feliz e sem culpas. Vale lembrar o detalhe: a televisão ficava nas alturas enquanto o programa do JÔ rolava solto pela Emissora.
Ela momentaneamente ficou séria enquanto todas se desdobravam em risadas, sentia a dor da alma, ia para seu apartamento de luxo, frente para o mar e provavelmente esquentaria a sopa de ontem e tomaria o café sozinha. Ninguém sequer para dizer que a sopa está sem sal.
À mesa, não ouviria brigas das crianças pelo pedaço de queijo que estava no final e pelo puxa - encolhe da discussão cairia ao chão, quem choraria? Ninguém derramaria o leite achocolatado sobre a toalha, e o ovo continuaria intocável na geladeira; no café noturno não teria torradas com geléias de morango.
As rendeiras do mar continuavam o seu desfile pela orla, ninguém percebia, nem o domingueiro fotógrafo com máquina digital, nem as meninas, desfilantes dos corpos dourados; os rapazes  nem olhavam nas moças, o que seria natural. E nem percebiam aquela peça de arte que as rendeiras do mar expunham com as mãos mais dóceis e perigosas das sereias. Penduravam-se nas barras de exercícios, ou alongavam-se na calçada. Continuavam entre gritarias, risadagens. Eles olhavam com atenção a moto que roncava no estacionamento ao lado, o som do carro tocando algo mais parecido com o som de um bate estaca do que aquela a renda do mar ou as meninas que empinavam seus bumbuns quase selados como potrancas no cio.
A vida era mesmo o sopro, aquele sopro quente dos trópicos, sem a miragem fantasiosa dos desertos. Aquilo era a vida; trem passageiro, trem cargueiro, trem de lembranças, trem de lágrimas contidas, trem de pratos para lavar na pia da cozinha, trem de solidão,  que atravessavam um mar esmeralda e a cada parada um aviso:  o tempo ruge e o Mar é muito maior que a Sapucaí.
 
Lia de Sá leitão - Normanda - 4/01/2006



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DESEJOS II


Ella guiava o carro em alta velocidade pelas ruas estreitas da Cidade histórica de Olinda, nem lembrava o grito pela Independência com Bernardo Vieira de Melo seguiu em frente e estava ali na rua de São Bento, ao lado imponente a velha senhora de azul, a Prefeitura de Olinda em frente o Mosteiro de São Bento mergulhado em silêncio de secular. Fez a volta na ladeira da Prefeitura e desceu sentido cidade do Recife.

Trazia na mente um texto de Vitor Hugo: “Desejo por fim que você, sendo um homem,
tenha uma boa mulher, e que, sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer não tenho mais a te desejar.”

Ella ultrapassava carros, ônibus em velocidade, contrariando as normas do trânsito deu pisca alerta e entrou no girador estonteante como um facho de luz marrom dourado, olhou de relance o relógio no painel, percebeu que em menos de quatro minutos estaria no local desejado, o Motel,

Seus planos estavam em pela ação. Preparava-se para o seu amado como se fosse o primeiro encontro. Estacionou o carro em frente ao Tribunal do Ministério Público para desviar a atenção dos passantes sorriu para o velho homem da guarda, distanciou-se da entrada principal caminhando pelo estacionamento até o portão lateral que permitia total segurança na entrada do motel.  Aos passos largos, porém com toda elegância, chegou ao receptivo vip e entregou a reserva, foi conduzida para a suíte presidencial. O recepcionista abre a porta, apresenta a suíte como se nunca tivesse visto nada igual nos últimos seis meses. Ella dá uma gorjeta sem olhar o rosto do jovem funcionário como quem  esquece a função de cada trabalhador, e sem muita ênfase, agradece e adentra naquele fenômeno de quarto. Dá pulinhos como adolescente, abre os braços e abraça seu próprio corpo que treme diante dos espelhos, volta e passa a chave na porta principal, olha detalhes e os requintes, mexe em todos os botões e deixa uma música suave como fundo musical.

Caminhou de um lado para o outro imaginando cenas, abrindo sorrisos, testando falas, imaginando por em prática os desejos de mulher.

Preparou uma dose, deixou sobre a mesinha muito bem decorada com flores do campo, abriu a porta do sanitário, curvou-se e ligou a hidromassagem, jogou alguns sais, queria esperá-lo em grande estilo.

Juntou as pétalas de rosas a um canto, uvas ao redor do balde de inox onde calmamente esperava mergulhado sob a coberta de um guardanapo o tão recomendado Cabernet Chileno.

Queria mais e mais espumas e um só perfume invadia a alcova propositadamente arrumada para o desfrute dos desejos.

Leva a dose do mais puro malte rótulo azul que combina com a decoração luxuosa do quarto de banho e deixa próxima à mão, tira a roupa calmamente, mergulha com cuidado naquela água morna, passa um bom tempo olhando o teto, imagina-se tomada, desejada, beijada, acariciada, fecha os olhos para sentir mais perto todos os seus desejos de mulher ardente.

Faz-se um silêncio, mas, a garagem é aberta, o carro parece deslizar e avisa que já foi desligado, o protetor de garagem desce no peculiar som dos automáticos e um assovio como quem diz: cheguei amor. Passos apressados sobem a escada. A chave gira uma, duas vezes e ele entra suado, cabelos arrepiados como quem tivesse corrido uma maratona para não faltar nenhum momento de emoção.

Ella segura a toalha numa gentileza de princesa, pisa o carpete nas pontas dos pés e deixa-se mostrar por partes, um seio encoberto pela toalha branca, uma perna nua declarava a pele branca, com algumas poucas celulites apesar dos quarenta e cinco anos, que o excitava loucamente, olhar aquela mulher jovem e forte, sem manchas de sol, cabelos ligeiramente molhados nas pontas que pingavam fazendo arrepiar o seio desnudo e liberar um pequeno arrepio pelo corpo.

Naquele instante o Juiz tinha perdido todo poder lhes conferido pela Lex Romana, agora o que gritava era a lei do homem, do macho, daquele que pega forte a carne da mulher amada. Apertou os olhos para vislumbrar melhor Ella e mordeu os lábios como se aquele gesto controlasse todos os desejos da carne.

Tudo ali era como o sonho da noite passada, cabendo em todos os seus delírios de solteiro olhando o mar sentado na varanda do Edifício, era o homem, macho dominador dominado pelo poder da nudez feminina.

Abraça aquele corpo diante de si com a força de um Titã, joga a tolha longe, desnudando-a diante dos anjos e das vontades, beija-a com mais ardor e ela tenta tirar sem nenhuma posição a gravata, o paletó, e consegue quase numa luta corporal deixá-lo apenas com a camisa branca cheirando a suor, a pele que exala o poder da atração.

Jogam-se na cama, o quarto em penumbra, Ella dá um gritinho de dor, machuca o dedo da mão ao abrir desordenadamente os acessórios do amado, mas o suspiro de prazer traga a dor atribuída ao pino em aço do cinto. Os dedos beijados lambidos deixam no esquecimento os vincos das roupas que estão largadas pelo chão.

Finalmente nus, esquecidas as pétalas, as uvas, o vinho chileno, a hidromassagem, os dois se atiram num arfa dos desesperados, respiração cortante, abraços beijos, mãos que deslizam a geografia dos corpos nus. Desejos iluminados aos sabores do mais sublime ato de entrega, energias são compensadoras como se ali estivesse o despertar da adolescência.

Ella geme de prazer em senti-lo pleno, sem o vinco da preocupação no semblante, com ar de refém se desdobra em segredar eu te amo. O Juiz suspira freneticamente como quem cospe vida. Esquecido dos problemas, dilemas, traumas, desgastes do poder de sim e de não causados pelo trabalho árduo de ser implacavelmente justo. Ella se compõe no poema que ainda não foi escrito, na melodia que será composta, no Sol que se põe por trás da colina.

Um celular toca, assustam-se, quem esqueceu a famigerada maquininha ligada? Levantam-se um olha o outro e ri como quem diz e agora? O juiz sem poder negar a ligação cata entre as roupas, na pasta com processos, finalmente encontra o objeto, atende, era a Juíza assistente convocando-o a uma reunião de urgência com o Chefe da Casa.

Estampou-se o sorriso mais amarelo ente os dois, dirigiram-se ao banheiro, tomaram uma ducha quente.

Fez-se um silêncio mortal.

Vestem-se.

Ele pede a conta, oportunista rouba um beijo e promete um jantar em grande estilo e uma noite de conto de fadas. Ella em silêncio deixa cair uma lágrima, mas cede num sorriso de quem entende a situação.

Descem juntos os degraus da escada.

Ella sai do Motel dirigindo o carro dele, e ele passa pela portaria vip assoviando um frevo famoso dobra a esquerda, e volta ao estacionamento do Ministério Público, olha de um lado, do outro enfia a mão direita no bolso do paletó e encontra o presente que comprou na tarde anterior, o anel de brilhantes que Ella desejava.  

* Homens confundem o desejo da carne e do estômago. Mulheres desejam o seu homem sem cuecas de bolinhas amarelas, e aquele anel de brilhantes, o compromisso.

Lia Lúcia de Sá Leitão ( Normanda) - 30/10/2007


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SOS


Guardei nos sonhos de princesa
um mar distante e uma península
lá o teu castelo
descortinado pelo desfiladeiro,
desenhos,
contornos e  mapas
do porta retrato do navio pirata,
tua imagem olhando o meu espelho,
sorrindo minha história,
o conto de fada
que escrevi em letras azuis
para te fazer sorrir.
Esperando o teu tempo
na minha hora de devaneio,
espantando um fantasma cor - de - rosa
que atormentou teu sono.
Toquei, em long play,
o meu segredo de mulher
 melancólica e em tom menor,
a letra de aurora,
a  melodia
escrita em partitura só para mim,
na solidão de lua rasgada.
Não pára!
Evolui!
Não pára!
Toca o violino,
toca... toca!
Toca em mim
com as tuas mãos de homem!
Não posso esquecer
o sorriso ou o sonho,
não posso  deixar de sentir a vida
escorrer por entre os dedos,
em ondas,
entre o murmúrio da febre e teu nome.
Prazeres
do corpo sonhado
do verde esmeralda.
Do mar
espatifando-se no dique
que sorve o sal
que chupa a água
que se enterra na  areia
sem conflitos,
sem ancoradouros,
sem tempo,
sem barco,
sem demoras,
sem esperas
de ir ou vir,
sem bóia marcando o canal,
 sem história,
apenas geografia,
o tempo!
Nós dois.
SOS.

 

Lia Sá Leitão - Normanda -10/1/2006

 



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A CONSCIÊNCIA DO CAOS
Lia Sá Leitão
30/10/2001
 
Não importa o tamanho dos sonhos o importante ainda é sonhar mesmo que seja um sonho azul.
Não importa o tamanho da dor o imprescindível é saber vencê-la, mesmo que trave batalhas entre o ser e o ter.
Não importa o caminho a percorrer, necessário é entender as curvas do destino, mesmo que vaguei entre o céu e o inferno.
Não importa a dor do parto e sim a vida que diz estou aqui.
Não importa o que sentimos ou deixamos de sentir pelo outro desde que se guarde um pouco de saudade.
Será que é importante se achar importante, imprescindível, necessário, saudade, na vida do outro?
Risinhos sarcasticos!
Nada é importante... nada!
Só se faz importante aquilo ou aquele que achamos que vale ser importante. Erramos ao pensar que tivemos uma chance e espatifamos no chão. Afinal não somos nós que temos que achar o que o outro acha de nós, é o outro que sabe o que dizer o somos, quando somos significantes e significados e quando devemos ser abstraidos.
É, melancolia das grandes, risos sarcastico de mim mesmo.
Pensei que podia ser importante... mas não sou ninguém mais que alguém!
Mas ainda resta o sono ... nem que seja o eterno!
Ainda bem!



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