Eu..Lia...

 

Olindense por amor e escolha e Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.

Amiga, companheira, justa, verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais  injusta.

Desenvolvi no decorrer da vida, as artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e pátina.

mas de todas as construções artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos textos

e com um desejo maior...que o leitor mergulhe como um personagem.

Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família

Venho de uma família sólida, uma mãe que soube doar amor,

carinho e alguns tapas na hora necessária. Hoje olho o céu e

vejo uma estrela piscando e sei que ela escolheu ficar ali, no céu e

está sempre invadindo meu quarto com seu brilho de estrela.

Mesmo que o sol esconda por algumas horas,

eu sei que ali está minha mãe feliz e sempre guiando meus passos.

Meu pai, antes de pai um amigo sincero, fiel adorável,

um HOMEM que cita que requisitos bons, como ser humano não é

elogio é dever de cada um e ele segue a risca o princípio cristão:

Amai o próximo como a ti mesmo. E assim sendo diz tudo.

Filhos, meus lindos bonequinhos , que criei com amor mas ficaram grandes,

homens que aprenderam a cantar e voaram para longe do ninho, mas não

esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.


Amor


Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.


Amigos

 

Todos meus amigos da net, todos meus amigos reais,

enumerá-los seria maldade, se  acaso esquecesse unzinho,

reservo-me a dedicar cada texto a cada um também, como

se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.



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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.

Espero que gostem, sejam benvindos(as).

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DESEJO I

 

Lia Lúcia de Sá Leitão (Normanda)

29/10/2007

 

 

A noite, alguém de olhar contemplativo, observa a abóbada celeste rastreando entre os vários pirilampos do Universo um brilho cadente de uma estrela, um tiro incandescente vindo do outro lado.

 

Quantos desejos sem o sono, sem Lua cheia, inteira, nua, bailando sem amarras. Aquela noite haveria de ser a escuridão do poeta louco, ou das meninas de programas que arriscam olhares sedutores como gatas no cio. Os meninos gays, travestidos em pudor espreitam singelos pelas esquinas entre a praia e a avenida, desfilam em sombras prateadas e sonhos de purpurina o lado prostituído do querer.

 

Um homem de bigode corre no calçadão pensando na sopa de legumes delicioso castigo  imposto pela esposa desde o primeiro dia de casamento. Aquela corrida fazia-o esquecer sabor dos anos, o exercício no pós-horário certamente garantia um único sentimento de posse os filhos ainda o esperavam para a o jantar. 

 

Aquele que contempla a noite e busca a estrela cadente sente o fogo das entranhas e  sensualidade numa sensualidade de caber em seus próprios desejos, desperta de si para si o segredo, o silêncio nos passos que chuta a renda da milenar sereia que cobre-lhe os pés ao invadir as areias da praia.

A espera pela Estrela dos desejos perdidos, dos sonhos sonhados e tantas vezes repetidos nas vagas da solidão.

 

O desejo pede aquela que desce em facho de luz cintilante e num piscar que se apaga viveu em algum lugar que já é passado. Um pedido será realizado cada vez que um asteróide colide com a atmosfera. O desejo do ser ali diante mar e céu seria realizado como a mão que escreve sem a métrica o poema decassílabo. O as águas mornas do Atlântico continua molhando os seus pés e a sensação de entrega queima-lhe a carne um suave desejo posse, o cheiro da pele ainda nas mãos do amado que abraçou e apertou-lhe entre os braços e fez a mão forte descer em seu corpo palmilhando a geografia da carne que tremia em volúpias de paixão.

Naquele instante sem o olhar do voyer na varanda do prédio que crescia em luzes para o oceano o seu cheiro transpirado espraiara com a brisa e dominava o mundo, cheiro de mulher nativa iniciada no jogo do amor.

 



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Solidão - Solidez

Mais uma vez ela inclinou-se e apoiou os braços no parapeito da varanda deixando a cabeça largada numa expressão de despego sob o ombro.
Olhava absorta o trabalho das rendeiras do mar.
O pensamento flutuava sob as nuvens, um ar conhecido e um mar muitas vezes navegado.
Que dilema era aquele? Qual a razão de sofrer um sentimento sem dor, sem a cor verde esmeralda dos olhos do amado.
Quanta nostalgia naquele rasgo de Lua que insistia em se fazer presente com os últimos raios de sol,  e quanta persistência em não aceitar o que era óbvio.
A solidão calcifica a alma, deixa cimentado os olhos baços pelas lágrimas sem razão de tê-las;  sentimentos que nada tem haver com os desejos, a não ser a solidez da situação de trilho paralelo,  parece um só com a distância mas a cada passo sempre estão paralelos.
A alma ferve em prazeres inexplicáveis, homens fantasmas dançam pelas paredes do castelo e executam rituais de amor sem dor.
O castelo imaginário de uma Rapunzel sem tranças,  invadido de músicas jamais tocadas, de poemas nunca escritos por autores consagrados.
Desconhecido o toque daquela mão que subia entre o pano azul do vestido e a carne branca, quente, sedenta por um sim.
Amoral, atemporal sonho de quem se entrega ao outro sem saber o nome, sem pedir exame de sangue. O  suicídio daquele que apenas quer derrubar a solidez do enlace do que já não é.
Pensar em cores alivia os devaneios de mulher carente.
O imaginado homem que rasga-lhe o tecido azul e arranca-lhe as peças íntimas,  e a toma como quem num só beijo suga-lhe a razão, deita o corpo que queima, que mexe, que busca, que escorrega entre as mãos que busca, equilibra-se e invade. Os sussurros e beijos na nuca, na orelha, pelo pescoço; a pele que arrepia e cada vez mais nítido o segredo se revela: “Domina-me!”
Alguém toca a campainha, o sonhos estão despertos. As luzes do apartamento apagadas. Quanto tempo estivera naquela posição?
Arruma-se, dá um leve toque nos cabelos atacando a fivela nos fios despenteados pela brisa direta do mar.
Acende a primeira luminária, a da sala, ainda trêmula entre a realidade adentrando o sonho e a impotência de não poder dizer basta!
Abre a porta e olha o companheiro com olhar de piedade e dá um beijo na face; deixa que ele entre com o velho sorriso inocente dos vinte anos.
Um  “boa noite amor,  seu dia foi bom?”, desses sem muita convicção.
Ele repetia mesma pergunta de todas as noites em vinte anos, totalizando 7.300 vezes. (está bem e sem dor de cabeça?)
Tudo muito comum, ele convida e ela aceita.
Meia hora depois os dois saem calados do apartamento, descem o elevador monossilábicos e adentram na garagem. Caminham lado a lado e assentam-se no carro com destino ao costumeiro restaurante, freqüentado desde noivos, afinal, ela, a sua única mulher não desprezava um filé à Parmeggiana.

Normanda - (Lia Lúcia de Sá Leitão) - 30 de janeiro de 2006



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Adeus – carta de despedida.

 
A penumbra, desperta o ciúme das outras sedas
Angústia na espera as horas de solidão
E tu vens mentirosamente para casa,
Cansado do dia ou sonolento da madrugada
Subestimando alegria ou dor
fazendo-se vida
tens a coragem dos loucos,
pára o carro ... abre silenciosamente o portão
não me queiras furtar como bandido
as minhas lágrimas
finjo sempre que durmo
e tu entras sorrateiramente
invade
minha canção,
beija-me a testa como quem diz:
o que faço,
já não somos mais os mesmos?
e  sinto teu cheiro pelo quarto
e quantos outros cheiros invadem meu quarto!
Não posso abrir os olhos e dizer vem,
esperei por ti todas essas horas de penumbra.
Se abro os olhos, o que dizer?
Sinto medo?
Céus!! Nós nos perdemos!
Quanto tempo passou até um novo amanhecer?
Por quantas camas dormirás até perceber que a minha não te cabe?
E eu?
O que faço entre a repulsa e sexo?
Ai, Que dor!!
Mas, um tem que sair para dar coragem ao outro de seguir
Não importa se quem ama mais, ou quem tem menos coragem.
Eu saio da tua vida .
Sem raiva.
Sem mágoas.
Levo uns quilos de saudades!
Valeu o tempo!
Adeus!

Lia Lúcia de Sá Leitão (Normanda)– 18/08/2002

***

obs: qto aos comentários sobre os comentários...faz-se saber que Normanda quis que o Haloscan fosse tirado do blog..e que os da uol..só fossem liberados qdo ela lesse, portando fica a critério dela..ok? Mais estão todos ali...só se pensaram que comentaram e apagaram, não é?



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SALA AMARELA.

Para meu irmão e escritor Paulo César Prazeres.

Havia uma sala amarela, mágica, onde cabiam os sonhos de todo mundo. Interessante,  por que lá também existiam opções para todos.Gangorra, escorrego, peteca, balanço, bola de gude, bicicleta, autorama, bola de futebol, bonecas, ursinhos de pelúcia, velocípedes, piscinas, casinhas de pano, bonecas que andavam, falavam e chegavam até a fazer xixi. Tinha também as bruxinhas de pano, e carrinhos de lata de óleo, tendas de índios, carrinhos vermelhos e até caminhões de gasolina de controle remoto, soldadinhos de chumbo, forte apache, telefones coloridos, tambores, pandeirinhos, realejos, e cornetas. A sala era enorme cabia toda gente que por ali passava desde os curiosos aos que preservavam o olhar de criança que pedia colinho, mão, proteção, carinho. Cada um com seu gosto, idade ou tamanhos. Só Lalinha (eu, Lia) podia ver o tamanho dos sonhos, sonhos magros, sonhos gordos, sonhos em preto e branco, sonhos coloridos até mesmo os de arco íris... Mas todos os sonhos de algodão doce. Um dia entra um menino de olhos de espanto com tamanho brilho e opção, todos lhe ofereciam alguma coisa, alguém estendeu um autorama, outro um carro, outro o doce som de uma flauta, outro um lindo carrinho de rolimã vermelho, pipas enormes com barbantes fortes e multicoloridos que chegavam às nuvens. A tudo o menino se abraçava e sorria o sorriso de quem tudo quer,  tudo deseja e tudo pode! Uma hora, alguém chega em silêncio diante de todos os arroubos de felicidade,  porém não pode olhar os olhos dóceis do menino, segura-lhe uma das mãos que criou como extensão da sua própria mão, e fez criar o silêncio mais precioso e assim encontraram o bem querer. Ao descobrirem-se sós, no meio da  sala amarela dos brinquedos e dos encantamentos, eles fizeram festa! Mesmo estranhos um ao outro, eles ainda se escutam, nada mais que isso;  mas sublimam no mistério da voz o confiar o amor que não sabem explicar em verso ou prosa. Sublimam-se no sorrir e ao confiar os segredos mais que segredos, mesmo sem se olharem, não precisam de explicações para a sala amarela. Ela é mágica e  guarda para si as respostas necessárias para o tempo do sonho e para o tempo da verdade. Enquanto isso as palavras escritas voam partidas pelos e-mails e a fala se emociona pelos fios do telefone, e os dois continuam dançando ao som da flauta doce a verdade do encantamento.

Normanda - Lia Sá Leitão. 15/04/2001.

 A felicidade.

Tenho visto muitas coisas nessa vida! Um fato interessante tem sido a forma de como se expõe a felicidade, a forma como se pode sentir a felicidade. Pelo Universo Virtual, o que costumo chamar de real enganador a felicidade também possui suas nuances interessantíssimas, deixando até o âmbito do etéreo para se caracterizar em um sentimento real, sentido, desejado.
Saber que mesmo sem pele, sem o cheiro, sem olhar, sem o beijo roubado, sem aquele abraço apertado que se deseja dar ou se sonha em receber, saber que ali por momentos que se somam ao eterno nunca se está só e as sensações existem.
A felicidade consiste na forma mais adocicada de olhar a vida e poder sorrir o sorriso da criança que guardamos mesmo depois de adultos, aquela criança que não podemos deixar fluir no trabalho, nas reuniões, nas contas a pagar, mas que podemos soltar as amarras em cada encontro de bem estar com a pessoa amada, a cada prazer de proximidade.
Estive pensando outro dia, a felicidade também se inclui entre o prazer o e orgasmo, mas qual a grande diferença entre prazer e orgasmo que tanto confundimos como homens e mulheres?
Mas não importa a minha elucubração entre as sutis diferenças entre o orgasmo, prazer e felicidade, pensem!
Pensem!
O que interessa aqui é cada alegria, cada nascer do sol, cada brincadeira que brincamos, cada sorriso, cada susto diante de uma resposta inusitada e divertida... Por momentos podemos até extrapolar o momento da felicidade.
A felicidade nada mais é do que o sentimento que quebra as forças do insensato; pode desarmar a humanidade, acabar com intrigas, é tão generosa  a felicidade, que uma pessoa feliz pode promover a paz.
Mentira? É não!
Olhem o sorriso do Dalai Lama,
Olhem o sorriso dos anjos,
Olhem as estrelas,
Olhem amanhã para a Lua,
Olhem bem dentro de vocês,
escutem o coração fazendo
tum tum... tum tum
Quando voltamos no tempo e olhamos para trás e percebemos que crescemos em algum aspecto,  isso causa um certo regozijo.
O valor das nossas amizades construídas ao longo dos dias, meses e anos, não é de forma nenhuma mero acontecimento, é felicidade! Já pensou o quanto não é complicada a vida sem confiança no outro?
O quanto é difícil não ter com quem repartir uma fofoquinha, um tititi, uma confidência?
Realmente! Deixo de lado meus questionamentos entre prazer e orgasmo e passo a refletir sobre felicidade e confiança: uma situação depende da outra direta ou indiretamente para ser experimentada.
A felicidade obrigatoriamente tem que ser coletiva ou é um estado de espírito ?
Eu posso estar isolado das benesses do mundo e ser feliz?
Eu posso estar envolvido ao tudo da vida e não ser feliz?
Se alguém em sua realidade existencial jamais será ninguém, como posso julgar a felicidade em seu estado pleno?
É necessário fracionar para se entender o todo.
Alguém uma vez me questionou: “As nossas consciências podem estar felizes diante das adversidades sociais que hora nos apresentam as reportagens? Disparidades sociais, fome, guerra?”
Fiquei matutando, mas que diabos! Isso é verdadeiro! Como posso ser tão feliz diante desses fatos?
Não encontrei respostas e optei por falar que a felicidade é pessoal, é um elemento de vida subjetivo daquele que se diz feliz. Ela tem consciência dos exageros do homem, mas se torna invulnerável diante das situações de bem e mal estar, ela simplesmente acredita que PODE.
E pode certamente ser feliz se olhar cada falha, cada nesga, cada rusga de forma natural e ali encontrar um certo discernimento para alguma forma de crescimento interior.
Quando estava colocando a minha felicidade num poço de infelicidade, por que via as dores da humanidade e não podia fazer nada...absolutamente nada, resolvi inverter o meu processo de visão de mundo, e perceber o sorriso nas pessoas, e analisar as pessoas em seus contextos; por que um homem em plena guerra sorri desatinado quando vê seu filho carregando uma arma. Que felicidade é aquela?
A felicidade independe até de estado, condição social e financeira.
Ela é por si!

(Normanda) Lia Lúcia Sá Leitão - 02/01/2006



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SONATA

O calor contribuía para aquela pachorra do meio dia, a rede armada na varanda balouçava e esperava gratuitamente a brisa que soprava também morna vinda do Oceano. Adentrou na varanda e abriu o enorme pano azul bem tecido em fios grossos,  fios de algodão lembrando pescadores içando uma vela de jangada, prestes a enfrentar ondas esmeraldas quebrando ao pé das areias brancas,  daquele mar, sim, outros mares viriam em sua anima, o mar dos pensamentos, o mar dos esconderijos, os diversos mares secretamente navegados pelas emoções, sentimentos de medos, desejos, aventuras adolescentes nunca dantes reveladas. Os banhos nus à luz da Lua, os mergulhos de corpo inteiro em busca do companheiro, exímio nadador entre os seculares e pontiagudos corais. Como a resgataram de uma vida sem os compromissos iminentes exigidos pela sociedade? O que fizeram com a menina com flores nos cabelos, nativa da Enseada?
Deram-lhe diplomas, carro, trabalho e uma família; filhos e um marido  que jamais seria o atleta das pranchas coloridas afoitas a cortar ondas pela adolescência, divertida capricornianamente dourada em ritmo de alegria e vigor.
Onde estava escondida aquela mocinha sonhadora, diante do Forte Apache armado pelo chão do quarto do irmão mais velho e a moça de tranças nos cabelos, aquela que apaixonou-se pelo seu herói, o cavaleiro vermelho de plumas selvagens, o indígena arquiinimigo (segundo Aurélio, com ii, por serem inimigo supremo) de seu pai, o bravo Coronel de barbas brancas sempre de montaria no cavalo marrom e espada em riste?
A mulher adulta mergulhava no devaneio, ria de si para si; que ninguém a visse imaginando o corpo ardendo por um índio materializado no personagem que jamais seria a figura do marido. Estava tudo tão perfeito que o imaginário não podia falar menos que seus instintos.
Estava apenas cansada e  com calor,  e a noite seria de plena atividade com a garotada que fora convidada para cortar o bolo de aniversário e cantar os parabéns do mais jovem herdeiro do apartamento da praia. Finalmente a festa estava pronta, podia descansar o corpo moído, como se fosse máquinas de doces, empadinhas, coxinhas, quitutes que enchem as vistas dos adultos e o bolo confeitado que seria o comentário das avós, pelo sabor, pela textura, pelos ingredientes, pela delicadeza, pelo bom gosto, ai ai ai,  pensava esbaforida na rede: Avós, sempre piores que as mães, exigem uma perfeição sutil, fazem críticas afiadas e felinas (não são ferinas).
O circo armado na mesa da sala o aniversário do filho, restava esperar os convidados e o marido adentrar pela porta da frente ao som do tradicionalíssimo Parabéns pra você!
Olhando o seu apartamento de fora para dentro sentiu algo reconfortante que tantas mulheres sentem quando se sentem felizes pelo fato de optarem por uma vida estabelecida dentro da cultura Ocidental Cristã. E se não tivesse o marido, a família, seria feliz? E se os largasse em busca do índio pele vermelha de penachos selvagens, o que seria do amanhã? Fechou os olhos e deixou-se levar num leve sono entre a canseira e o calor. Os olhos foram pesando, como um encantamento,  tomados pelo artesanato na areia criado pelas rendeiras do mar, que naquela tarde pareciam frenéticas, trabalhavam num ritmo acelerado e não davam tréguas ao tempo. A  mulher em seu ressonar de solitária reclusão pós trabalho exaustivo, adormecida,mirava a sua própria alma e tentava prender o tempo em suas mãos como quem tenta fazer barragem na água, perdia o poder de domínio cada vez que algum barulho incomodava ou despertava do âmago do ser, não podia retê-la, não podia armazená-la em depósitos, deixava fluir como os seus sentimentos mais secretos. Onde estava aquele índio de penachos selvagens.
Sentia as carnes arderem num desejo de posse, queria o real enganador por meia hora de prazer, o homem que passava na calçada ou aquele que levava a jangada ao horizonte ela sentia intumescer os seios e algo vibrava entre a linha de desejo e sedução e a razão do sono  alquebrado de silenciosos consentimentos, tomava como provocação das horas, ninguém em casa, podia usar-se e deixar-se estar por inteira em seus atributos de mulher. Mas, queria mais, muito mais, queria aquele penacho selvagem chegando, pulando das paliçadas do forte e invadindo sua varanda, tomando-lhe o corpo trêmulo dos receios pela entrega total, e a menina moça daria lugar a mulher sem o pânico de conhecer o seu primeiro homem em noite de núpcias, como socialmente ficou estabelecido entre o ser e o ter.
Balançava-se levemente na rede como quem busca uma melhor posição para roçar a alma no sonho, voltando para o ponto de partida cada vez que a atenção era desviada por coisa outra.
Sem concluir desejos de si para si, o selvagem de penachos some com a bruma do meio dia formada pelo calor infernal do Nordeste brasileiro, os carros buzinam sem o menor respeito aos moradores dos edifícios;  gritos de crianças, reclamações de babás, a porta abre num rompante  e a família chega numa euforia para o almoço. O mais velho berra de um lado, “mãeeee , olha o almoço vou voltar para o colégio aula de Matemática!’’ O do meio antes de entrar para o banho faz um monte de caretas para o mais novo, até levá-lo ao choro com aquele coro irritante: “ não vai ganhar presente...não vai ganhar presente... “Não vai ganhar presente”,  pura violência da estatura do poder, o menor aos prantos se cola ao corpo da mãe e pede para que o defenda daquele monstro. Ela finalmente desperta do direito de sonhar, resolve todas as dificuldades, olha o relógio e pensa por que o marido está demorando mais que o costume

 

 Normanda - Lia de Sá Leitão - 06/02/2006

 

 



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O Ciúme

 

Lia de Sá Leitão (Normanda) 8/10/2007

 

            Ela adentrou pelo hall do Edifício a passadas largas, o suor borbulhava pela fronte, as mãos trêmulas seguravam a bolsa e os livros; tudo parecia cair na Lei da Gravidade até aquele momento indesejado de rompante quase à histeria. Nem ouviu o boa tarde do porteiro, parou diante da porta de elevador e esperou a caixa dos prazeres furtivos e prateados descer  e com ela, a jovem mulher  de sonhos azuis.

            Sabor de raiva e vingança, vontade de quebrar vidraças, atirar pedras ao vento gritar, gritar e gritar, aquela raiva de imaginar aquilo que já era certeza para todos que quase assinavam como verdade os fatos.

            O tempo, o local e personas envolvidos no desespero das sensações de impotência, o verdadeiro drama da vida que se encolhe diante da adversidade, um inferno rosa no universo cinza das pontadas e dissabores da imaginação alterando a química dos sonhos, dos olhares, das dúvidas. Só restava a certeza, e ali diante do concreto estaria disposta a entender os silêncios, os olhares distantes, a má vontade de sair, ou depois de algum jantar a insistência para sair dali. A mais angustiante indefinição de todas aquelas observações em um só instante de lembranças, e as situações que passaram despercebidas, cegas pela paixão intensa que a dominava desde a primeira vez que ficaram juntos.

            Ela ali nos mais longos segundos de espera entre a distância que os separava. O desespero do irreal, o cheiro da desconfiança e a sua chegada em casa como se fosse flagrar a cena indesejada dele com a mulher, aquela rival, a infeliz que tomava conta do coração do seu amado e perturbava um relacionamento de anos, aquela infeliz que causava tamanho constrangimento. Verdade! Não sabia se devia voltar naquele instante e abrir o maior salseiro ou se retornaria a rua, nunca tinha prestado atenção do quanto aquele elevador era lerdo e parecia contribuir para o sofrimento da indecisão daquele instante.

            Ali, ela desejava a solidão das horas, a penumbra do abajour à meia luz, queria os livros mais taciturnos que os modernos escritores, o elevador chegou ao térreo, ela entra e sobe o panorâmico para o mar, olha o limite entre o mar e o ar, reflete o dia claro, sem nuvens e um sol abrasador que incendiava também seu raciocínio lógico.

            Deixou a cabeça levemente inclinada para baixo, olhava o chão, esquecera a câmera e o espelho ali refletindo o desespero da mulher que perdia o amante para umazinha que ela nem imaginava de que buraco tinha saído, vampiresca, desgraçada, ela ia pagar tim tim por tim tim aquela angústia e dor.

            O elevador parecia carregar o peso da vida e da alma que sofria em conjecturas nefastas os planos malvados para abafar a ação daquela mulher que aniquilava sua convivência de anos com o bem amado.

            O elevador contribuía para a adrenalina que acelerava a raiva ceder espaços para as maquinações femininas mais endiabradas que a própria sorte de perder o que acredita ser a razão de olhar o colorido do mundo, o homem desejado nas fantasias mais recônditas que a própria realidade, o domador dos fetiches de mulher.

            Aquela angústia superava os quinze andares que o elevador dividia entre a parcimônia da subida e a vontade de quebrar os telhados de vidro daquele que tinha evitado o trabalho alegando uma doença inesperada. Nada fazia entender o motivo pelo qual aquela indisposição de ontem o fizera faltar à construtora e seus compromissos. Era uma mulher sim! Alguma vadia que ela nunca tinha enfrentado porque jamais acreditou que alguma bandida fisgasse a atenção do companheiro, não podia imaginar! A desgraçada não se formava como imagem definida. Maldita a hora que os dois se encontraram, maldita a hora que aquela mulher despertou desejos no homem que dividia a cama e os lençóis, aquele que estava distante até na forma de fazer amor.

            Enfim o elevador chegou ao andar desejado, ela balança a cabeça querendo acordar do pesadelo, passa pelo vazio entre o elevador e o apartamento, abre a porta, ele esta com o semblante sofrido deitado na sala de visitas, ela vai gritando tudo que estava engasgado no âmago do ser. “Ele sorri “um sorriso de quem depende, diz com olhar terno:” que bom amor que você chegou mais cedo, estou tão deprimido e tão infeliz que não sabia o que fazer para revelar um segredo que há dias me consome”. Ela desaba num choro, era a hora da péssima notícia, que a cachorra vencera sem chances dela vencer uma batalha, de mostrar seu amor, seus dotes culinários, sua vontade de dar e receber prazeres, dar e receber mais amor, dar e ter mais companhia, ela era amorosa, carinhosa, ela daria o mundo por aquele amor. Ele segura ela nos braços, abraça, beija, também chora, e se beijam, ela com vontade de sacudir ele pela janela, sua raiva naquele instante traspassou a razão, mas calou-se diante de tamanha traição. Ele mais que nunca precisava tomar aquele corpo nos braços e amar até as horas consumarem toda a virilidade, espantasse aquela depressão que oprimia seus desejos.

             Ele diz que a ama, e que sem ela não tem sentido pensar em filhos, sair do convívio de parceiros e ajustar oficialmente o casamento que ela tanto desejava. Ela olha nos olhos dele e pergunta entre lágrimas e a severidade que só as mulheres sabem sentir e expressar, você me traiu? Ele a olhou diretamente nos olhos e disse não, depois que estamos juntos jamais olhei para uma mulher senão você.

 

 

dando continuidade ao evento Girablogs indico

 

"Minhas Artes"

 

clicando na imagem abaixo você irá conhecer...

 

 

Bom...pode parecer que estamos atrasadas para o Girablogs, mais fui informada por email, que "Meu Diário Azul" participaria sómente nas primeiras horas de sexta-feira deste evento, colocamos agora, portanto o texto "O Ciúme"...um beijos a todas(os)...

Lia e £å£i



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Sobrado do Barão.

 

Lia de Sá Leitão - Normanda 14 /04/2006.

É, faz anos que não venho ao sobrado do Barão, e hoje  resolvi visitar a velha casa de fazenda, aquela que era a salvação das férias na infância. Parei o carro bem na frente do pelourinho ainda preservado; mesmo a contra gosto de toda a família eu jurei um dia derrubar aquilo, mas, a prima que tomou conta da casa grande não permitia tocar em nada que deteriorasse os fatos Históricos. Adentrei na varanda em Arcos, que silêncio, Silêncio sem as matracas de Quinta Feira Santa, um silêncio tão pesado quanto a construção pintada em branco, aquele branco que alumia ao sol do meio dia, janelas e portas azuis; escadaria externa  e corrimão azuis, construção enorme, aquele mundo parecia mesmo com o avô, grandão, vozeirão, devia ser medonho também, não acredito naquele que tem o poder sem usar mão de ferro. Mas  nem os ossos do velho estavam mais na Capela, a metida sabe tudo da prima bastarda que toma conta da casa e por  reconhecimento herdou umas terrinhas do velho engenho, para sobreviver ao ócio do marido, um vadio que nunca plantou um pé de chuchu quem dirá um mar de cana. Sou suspeita para falar alguma coisa sobre essa gente, sempre fui contra aos sem defeitos e acho que temos que assumir nossas faltar para obter perdão; não precisamos esconder as boas venturas para ser bom. As más línguas são fáceis de identificar. Voltando aos ossos do velhinho, finalmente foi retirado dali e depositado num mausoléu em mármore parecido com Carrara, que sei que custou uma fortuna; sou meio tacanha para alguns desperdícios e ostentações, mesmo assim também contribui, afinal seria a última morada do Barão,mas claro que reclamei horrores, porém da bolsa meu quinhão de neta. Arre, que dificuldade pra escrever que os ossos do Barão foram depositados num determinado cemitério e que reafirmo o quanto sou contraria a essa transferência de endereço. O avô devia estar na Capela da Casa Grande com seus Santos e Anjos.
Hoje bateu o saudosismo, acho que crise existencial, distanciamento familiar em plena quaresma, queria ir também à casa de um primo anarquista preso no regime militar e que optou em morar próximo,  para o gerenciamento do que se tornou a casa grande um hotel histórico, Quaresma, e para isso  teria que passar em frente ao túmulo do Barão e até rezei uma Ave Maria pelas almas dos que ele deve ter perturbado em vida, por causa do poder, da política, dos filhos, por causa de um monte de coisa que só os ricaços entendem e nunca se emendam, nunca tem limites ou olhares piedosos de cima para baixo.
Bom, hoje estou mais  sensível, acredito mesmo que seja a Quaresma que me faz andar em velocidade pela estrada e  para a residência de Quaresma.
Ao chegar lá, hum.... tomei um café de pilão e senti-me no Período Colonial, comi um bolo tradicionalíssimo de família, só os verdadeiros sabem como fazê-lo e  quem vier ao Recife e não experimentar o bolo Souza Leão, perdeu um naco da culinária pernambucana recheada de cultura, mas não podia me prender as guloseimas, tomei o primo pela mão e seguimos a Casa Grande, um reencontro com nossos fantasmas depois de anos de afastamento.
Olhei o marzão verde de cana antes moída nos engenhos  do avô e agora todas de encomenda para a usina. Desci a capota do carro e corria na estrada de chão batido entre o canavial como quem pulava no lombo dos cavalos marchadores perdidos na infância. Avistei ao longe a casa grande, oponente, linda, no alto da colina com sua Capela maravilhosamente construída aos moldes Barroco.
A casa estava sofrendo mais uma transformação, agora  estava sendo arrumada pela prima para tornar-se também uma pousada  cultural e ecológica; aproveitaram as casas das vilas, agora, sem os negros, as velhas benzedeiras e a molecada das duas ruas mantidas pelo avô até bem pouco tempo.
Quanta falta das nregas cozinheiras, dos quitutes, eu sentia o cheiro de peixe ao coco preparado por Maria, agora mais um dos meus fantasmas orando de joelhos no último banco da Capela;  por mais que se buscasse para o primeiro banco ela dizia com voz sumida ‘’sai pra lá arteira, é o bando de Nhônhô e Sá Dona.”
A prima nos recebeu fantasiada com uma roupa do século XVIII, a própria Senhora do Engenho, quase desmaio de tamanha tabaquice, mas mantive a postura; o palerma do marido também enfatiotado de Barão, até o chapéu velho estava na entrada num criado mudo e o carro de vovô estacionado  na entrada principal todo polido, quantas mijadas dei naquele carro abandonado num curral velho quando brincávamos de viagem para São Paulo.
Estavam os figurantes do teatro num sorriso dos menos sinceros. Caminhei até a Capela, os santos trazidos da Europa no ano de mil foram trocados pelos de gesso ou barro cozido de Tracunhaém. Olhei o madeiramento, os vasos, as peças em linho da avó, as camas intactas que tanto pulamos em cima antes da hora de dormir, as jóias todas produzidas em bijuterias muito bem elaboradas; na Biblioteca o brasão, o retrato da família.Deu vontade de dar gargalhadas, as fotos até bonitinhas, sem contar uma foto da prima e do marido palerma como se fossem do tempo do bumbá.
Queria ver a Biblioteca do vô, ali sim era o meu reservado interesse, entre os muito livros de brochura em couro e pano que  estavam bem organizados e limpos, espadins, punhais, facas, facões com cabo de marfim, e o inseparável chicote de rabo de tatu, a coleção das armas de vovô pareciam saídas de fábrica etiquetadas e uma breve história, mentirosa é claro escrita pela prima, tinha uma que dizia o arcabus foi da época da Guerra do Paraguai, onde o vô lutou com o Imperador, ai ai ai, se o vô lutou ao lado de D. Pedro II eu sou a neta menos múmia de todos os netos, pois sou a mais nova, e você leitor nem sonhe em imaginar minha idade, mas ainda faltam alguns anos para os cinqüenta.
Sempre gostei daquela sala, cheguei a sentir o cheiro do cachimbo, o velho pitava sentado na poltrona de couro vermelho, parecia ouvir e sua voz grave, venha aqui menina peralta, sente no colo do vô e me conte uma história da cidade. Ali, ninguém podia imaginar o quanto me sentia grande e importante. Enquanto nenhum neto mais velho se atrevia a falar, rir, dançar ou fazer cosquinhas nos bigodes dele, era eu quem enchia o avô dos beijos mais melecados, de nariz sempre escorrendo,  uma amigdalite que não me poupava a tosse até as lágrimas.
Abri outra porta e brinquei algumas notas ao piano, coisa que o velho sempre acompanhava num lararalá grosso e quase semi-tonado, e me falava aos ouvidos, eu canto lindo, para minha alma.
Ninguém podia imaginar a intimidade que eu tinha com aquele velho implicante que sempre que ralhava com todos em tons de brabeza, mas comigo piscava o olho e dizia, você  é minha princesa,e dava um sorriso malvado de quem imagina um castigo crudelíssimo e dizia, você, venha comigo para o Gabinete! Os primos achavam que eu sempre os salvava das broncas com o velho, mas eu adorava! Divertia-me a valer no colo dele com as histórias de heróis mais fantasiosos que os fantasmas e zumbis que Joana, Maria e Conceição contavam na hora de fazer deitar para dormir, claro os fantasmas só chegavam depois da oração do Santo Anjo do Senhor.
Adorava quando ele começava com meu cavalo piriri, ao ficar exausto de tanto brincar comigo de pega  pega e esconde esconde e era hora das guloseimas, os bombons e chocolates que o vô tinha guardados para mim.
Ainda guardo o Coelhinho de louça trazido da Inglaterra cheio de bombons, ele me disse em tons nobres de velho Barão, esse aqui é o seu, foi a filha da Rainha quem mandou dar para a neta mais arteira, e quando me deu dois beijinhos disse, arteira e amada, e essa neta era eu.
Hoje, diante de todo aquele patrimônio, muito bem zelado pela prima vestida aos moldes de lá vai História de botijas, sorri um sorriso que todos se espantaram, e Quaresma, questionou, onde está o velho? Sem querer eu disse: você também o vê sentado ali na varanda de braços abertos esperando por nós! O primo ficou sério, olhou de um lado e do outro e a cadeira da varanda balançou sozinha ao sabor da brisa, e o canavial bailou, e o cheiro do cachimbo exalou de campo a campo, e eu entrei no carro e disse: vou ver a tumba do Faraó na Cidade. Dei partida no carro e saí agradecida pela prima e seu marido palerma de zelar tão bem pela casa dos avós.
 

 

   



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A VIDA

Lia Lúcia de Sá Leitão -  05/09/2007 (Normanda)

A vida modifica e leva com ela o tempo de dor e sofrimento, a solidão silenciosa dos segredos das paixões.
Venham os príncipes dos reinos encantados, pulando muros, subindo montes, deslizando nas depressões da estrada.
Sublimem as alturas dos mosteiros e seguram-se às heras que encobrem as paredes.
Acenem os lenços brancos nas noites sem luas, chamem o nome da amada com gritos de felicidade, soltem fogos, estarei ali a espera com fogos, sorrisos, coração cheio de alegria e felicidade, a sua princesa pós moderna espreita a avenida, espera a ligação para a realização da promessa
de amor.

As feridas cicatrizaram e o temporal inquietante que abalou a noite longa passou.
O Sol b rilha sem nuvens , astro Rei repudia a dor.
Os náufragos da tormenta encontraram a Ilha
O coração da amada bate num ritmo de paz
Visionário da sorte, acendeu a Lua e fez a chuva molhar o chafariz

Os beduínos do mar, os corsários dos desertos da alma partiram todos ao mesmo tempo,
Perderam a existência de possuir o coração do herói , perderam a alegria de dominar a mão do escritor,
Perderam de cortar o elo
 esguicho a seiva entre o homem e a mulher
Os cheiros da carne
Os delírios das mãos
e o encontro se faz entre almas
corpos nus
amor.



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DÚVIDAS

Lia de Sá Leitão – 05/09/2007

(Normanda)

 

 

As dúvida, o medo, a angústia aumenta a loucura de enfrentar o desconhecido

Invade o imaginário e constrói jardins os cactos dão as flores brancas

Belas , lindas e difíceis

Com sua pureza encanta

O mesmo deserto das dúvidas.

 

O pôr do Sol

Desperta as lembranças fortes

Da noite de fogo , folia e desejos

Na velocidade do pensamento vencer distâncias

Mergulhar o  corpo num abraço que chega como brisa

Suave, dócil. Meiga

Mas que toma todo o corpo em uma vertigem.

 

        A espera hoje deixa até as estrelas abandonadas

O sonho deixa a tela do corpo nu abandonado a um canto do ateliê

O arquiteto quer a vida, quer a essência , suspira pele

A pele que arrepia com o toque

E infesta no ambiente um perfume que criou para o corpo nu que cria a óleo sob a  tela.

 

Rompendo as mágoas, os medos, os traumas

A covardia em não poder ser presente na alma do corpo nu que delineia

E o pincel em tons sob tons

Descrevem o poema de silêncio

E o amor latente que se esconde nas linhas azuis

Da transformação

Rompendo as mágoas, os medos, os traumas

A covardia em não poder ser presente na alma do corpo nu que delineia

E o pincel em tons sob tons

Descrevem o poema de silêncio

E o amor latente que se esconde nas linhas azuis

sem dúvidas de poder ser feliz.

 

 

O RELÓGIO

Lia Lúcia de Sá Leitão – 05/09/2007

(Normanda)

 

 

 

Na parede um relógio preto, taciturno

Feio como um monstro da noite caolho

Curioso e indiscretos com os andarilhos das sombras

Implacável acusa a corrida do tempo

 Sublimam, evapora, escoa entre as mãos a volúpia dos desejos

E não cessa uma angústia na alma a sua cantoria ritmada.

Vem...não vem....vem...não vem.

 

Na sua música

Escondo a letra construída de prazeres

No seu cantar

Ouço os tons da viola quebrando as distâncias

O frio

Esquece-se a chuva que chicoteia os vidros das janelas

E não são lágrimas que choram a ausência

são chuveirinhos das nuvens regando as flores do jardim do coração.

Não ouço saudades, não ouço tristezas, não ouço abandonos

A musica suave toma o corpo

Constroem mundos

Seres aventureiros

 temporal ou temporão

Fugidios da dor

Guardam em mi bemol

A sinfonia que se deve guardar no coração



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