Eu..Lia...

 

Olindense por amor e escolha e Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.

Amiga, companheira, justa, verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais  injusta.

Desenvolvi no decorrer da vida, as artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e pátina.

mas de todas as construções artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos textos

e com um desejo maior...que o leitor mergulhe como um personagem.

Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família

Venho de uma família sólida, uma mãe que soube doar amor,

carinho e alguns tapas na hora necessária. Hoje olho o céu e

vejo uma estrela piscando e sei que ela escolheu ficar ali, no céu e

está sempre invadindo meu quarto com seu brilho de estrela.

Mesmo que o sol esconda por algumas horas,

eu sei que ali está minha mãe feliz e sempre guiando meus passos.

Meu pai, antes de pai um amigo sincero, fiel adorável,

um HOMEM que cita que requisitos bons, como ser humano não é

elogio é dever de cada um e ele segue a risca o princípio cristão:

Amai o próximo como a ti mesmo. E assim sendo diz tudo.

Filhos, meus lindos bonequinhos , que criei com amor mas ficaram grandes,

homens que aprenderam a cantar e voaram para longe do ninho, mas não

esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.


Amor


Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.


Amigos

 

Todos meus amigos da net, todos meus amigos reais,

enumerá-los seria maldade, se  acaso esquecesse unzinho,

reservo-me a dedicar cada texto a cada um também, como

se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.



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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.

Espero que gostem, sejam benvindos(as).

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GIRASSOL

 

Faz dias que o tempo está agressivo, malvado, maltratando o jardim tão bem tratado da casa da avó. Resseca dia a dia os girassóis que foram cultivados, formando um paredão de flores amarelas com mais de um metro de altura, linheiras plantas dos deuses. Sempre que posso identifico-me com os girassóis, não pelo porte principesco,  mas pela determinação, pela força de vontade de não perecer diante as intempéries. Pode quem quiser cultivar lírios, dálias, jasmins, mas eles estão ali, garbosos, altivos, assim sou eu. Quem quiser faça as suas traições ou críticas negativas, faça suas maldades ou veladas hostilidades, estou ali, olhando, com um certo  cinismo é claro e  sempre vejo algo divertido na ira dos bobos.

Voltando ao jardim,  não vamos navegar em marés altas e agressivas,geralmente nesses momentos a fúria do mar engole a razão.

O jardineiro em balde se desdobra para salvar do outro lado da casa grande o leirado das roseiras, plantadas há 30 anos pelas mãos hábeis da velha Dona.

Os lírios brotavam tímidos no inverno,mas, naquele período nenhum sinal de chuva e eles permaneciam escondidinhos no coração do jardim, impiedosamente o calor queimava as plantas mais resistentes.

Outras plantas decorativas tentam resistir ao Astro Rei mas ele é  impiedoso e  não dava para entender aquela relação de amor e ódio, uma paixão avassaladora pela Terra sem dar-lhe chances de respirar um amor morno, saudável.

As Marias implicantes murchavam, amarelavam, sofriam (Marias implicantes são aquelas plantinhas de péssima reputação entre as nobres, são insistentes e resistentes, são atrevidas e dissimuladas, são espertas; escondem-se por baixo dos bordados das outras folhagens e ficam protegidas das intempéries). Do lado esquerdo o leirado enorme dos girassóis acompanhava enfileirado pelo muro seus olhares solitários para o coração dos que não buscavam amizades e sim as vantagens das sombras das mais amáveis plantas e dos mais gentis arbustos.

 

Normanda - Lia Lucia de Sá Leitão - 22/42006

ESTRESS

 

A segunda feira atravessava o seu percurso naturalmente, um dia sem grandes transtornos no trabalho. Sentado em seu bureau não dava para lembrar que lá fora existia um barulho infernal de início de semana.

Olhou todas as pastas em cima da mesa, ligou o computador, leu todas as novidades via net e leu os e-mails mais importantes.
Rabiscou com a caneta uns hieróglifos pensando onde ia almoçar, nem pensar comer ovo mais uma vez; voltando para casa queria algo especial, um camarão alho e olho. Pediria ao restaurante da esquina, ainda não tinha ligado as turbinas e seguia ainda sob efeito do piloto automático para querer ação, até pensar causava constrangimento e dor.
Chamou a secretária e pediu alguns documentos, parecia estar mais ocupado que o Presidente da República. Apertou um pouco mais o nó da gravata comprada na última viagem para a França, baixou a cabeça e fazia a representação de uma atenta leitura com tal perfeição que ninguém podia mais atrapalhar aquele êxtase até ao meio dia.

Arquitetava um desejo, o de ser livre, correr na praia sem que a secretária desse um calhamaço de documentos para fechar contratos, liberar dinheiro para obras e autorizações para compras de ordem comum a material das construções. Vida infernal! Num impulso, tirou o paletó e puxou num rompante a gravata, descalçou os sapatos, jogou as meias longe da sua mesa de trabalho e  num pulo chamou todos os membros da diretoria. Sentados ao redor da mesa de reunião, cada um carregava em seu olhar um ar de susto. Embora todos os dias houvesse a reunião matinal aquela não tinha a aura peculiar do dia-a-dia.
Olhou cada um nos olhos e com voz grave explicitou as suas decisões, dizendo:  não tenho hora nem dia para voltar ao trabalho, a partir de agora estarei em umas férias, será o meu momento, cada um sabe como proceder com a minha ausência e as atribuições dos responsáveis pelos cargos da diretoria devem seguir a risca as determinações para atingir os objetivos da empresa.
Fechou a pasta deu um sorriso e saiu descalço, alcançou o jardim e viu o funcionário podando as plantas, aproximou-se pediu os seus chinelos e calçou-os. Deixou o carro no estacionamento da empresa e caminhou tranqüilo para o ponto de ônibus ali próximo.
Sentiu um receio em adentrar no primeiro coletivo já que desde a adolescência que não trafegava em ônibus, mas apesar do leve estremecimento não desistiu da idéia. Passou o primeiro coletivo, o segundo, mas faltou coragem, olhou de lado; o homem da barraquinha de bombons parecia não entender a cena, ele voltou-se para o homem pediu dois pacotes de salgadinhos, um refrigerante, pagou e nesse instante nem recebeu o troco. Para  um ônibus e ele sobre pela porta da frente, paga a passagem e senta-se no banco atrás de uma mulher com duas crianças. Olhou aqueles meninos com desejos de criar uma situação e perceber as reações de cada um.

Pegou um dos sacos de salgadinho, desses que a criançada adora pelo barulho e brindes que vem dentro do saquinho, abriu e olhou para os meninos, abriu também o refrigerante fazendo o barulho peculiar do gás escapando da garrafa, os meninos olhavam desconfiados para a cena.

Ele havia conseguido seu intuito chamar a atenção daqueles meninos, abria o saco e pegava uma batata e escolhia a maior, bebia o refrigerante estalando a língua, olhava os meninos com um olhar maroto de igual em idade e egoísmo, os meninos começavam a se agitar junto à mãe, olhavam, babavam e escondiam os rostinhos um no colo da mãe o outro deitava a cabecinha no ombro da mãe.

Ele redobra suas observações, os meninos ficam indóceis, um bate no outro, cospe o outro, a mãe perde a calma, bate em um e no outro; os meninos choram alto, ele investe contra os dois pelas costas da mãe com ar de satisfação, delicia-se com as batatinhas e a cada uma expunha para os olhinhos pidões das crianças, e abrindo a bocarra olhava a paisagem como se nada acontecesse. As crianças pedem em voz alta salgadinhos à mãe que nega imediatamente. Ele continua a performance  como se nada acontecesse e segura uma batatinha enorme junto ao ferro que serve de apoio ao passageiro; o cheiro, o tamanho da guloseima, atiça ainda mais o nervosismo das crianças que agora babam, misturam meleca e lágrima e chegam ao ápice do delírio Adultos próximos passam a recriminar a ação mas ele permanece como se nada tivesse acontecendo ao seu redor. Uma mulher de meia idade, gorda e com ares de madre superiora fala num tom de recriminação: ‘’alguém devia avisar a esse homem que ele está causando transtornos no coletivo’’. Nem olhou para o lado, evitava aquela altura qualquer enfrentamento, afinal podia ser indelicado comer num coletivo,  mas não era uma infração grave e não tinha culpa dos meninos se desesperarem em desejos. Alguns adultos recriminam, balançam a cabeça negativamente, os meninos choram compulsivamente, a mãe desespera-se, olha o homem que está sentado junto à janela desfrutando a paisagem como se a paz reinasse naquele ambiente, acalma um, tranqüiliza o outro, cochicha algo nos ouvidos das crianças que parem o choro e passem aqueles soluços e suspiros de sofrimento que vem da alma.
O coletivo fica mergulhado num silêncio profundo, todos podiam ouvir a rotação do motor. Um dos meninos sofreu tamanha decepção que adormeceu nos braços da mãe e o outro não mais olhava para o banco de trás.

O homem resolve descer do coletivo, pede parada, e em pé, entrega o segundo saquinho de salgadinhos ao menino que está acordado, o irmão despertou, ele já estava na porta de saída e ouvia uma briga de crianças, a mãe intervindo na situação constrangedora, e um aos gritos dizia: “nem vem Mane, o homem deixou o saquinho de batatas para mim, você quando tem salgadinhos não me dá um, não vai ganhar nada!” A mãe tentava apaziguar os dois sem sucesso, mas tranqüilizava os ânimos.
Ele desceu calmamente os degraus rindo e pensou: “coitado dos adultos vão enfrentar outra manifestação de choros”.
Atravessou a Avenida, esperou mais um coletivo, comprou mais dois pacotes de salgadinho e embarcou bem mais humorado no coletivo. A caminho para a sua empresa sorria de toda a situação constrangedora e retornava com ar de divertimento como se preparasse-se para uma nova aventura.

Normanda – LIA LÚCIA DE SÁ LEITÃO – 14/08/2007



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Aflição

 

            O final de semana chega com o silêncio do apartamento e a solidão da mesa, a chuva esconde o sol numa nuvem cinza  cobrindo toda a extensão da cidade, o mar verde esmeralda cedeu lugar para um verde escuro, ameaçador como o dia sem brilho. Desabou um temporal que mais parecia a anunciação do dilúvio e  as janelas  foram fechadas; vestiu-se com um casaco de frio pois o vento cortante assoviava causando ainda mais terror àquele silêncio de varanda olhando o Rio que serpenteava toda a cidade. Todas as sensações de abandono estavam ali, portas fechadas, o blindex da varanda servindo de barreira de um frio estranho que invadia as alturas e enchia o apartamento com o cheiro bom de cafeteira elétrica ligada a todo vapor.

            Sem costume de frio intenso, decidiu improvisar algo para esquentar a manhã, vestiu o pijama da última viagem e se sentiu palhaço entre as bolinhas e o azul intenso da flanela, calçou as meias de correr na pista e pegou café, sentou-se no sofá como se a sala estivesse cheia de convidados, imaginou a cena, mas ultimamente a vida era tão atribulada que mal dava chances de sonhar e logo os pensamentos mudaram para os números, contas e recebimentos; de um salto chegou até a mesa do computador no quarto que transformou em escritório,  procurou papéis importantes mas lembrou-se que era início de final de semana e podia relaxar, comer pipocas, sujar panelas, tomar litros de café, resfriar o vinho e pedir no restaurante da esquina um almoço para dois.

            Almoço para dois. Quem convidaria de última hora para sua casa? Quem estaria disponível na solidão do Shopping? Tomou o celular leu mais uma vez a lista, até muito usada de nomes e números, amigos e amigas, uns casados, outros solteiros, outros indefinidos, outros infelizes, outros deprimidos e outros igual a sua alma aflita de solidão. Não se sentia infeliz como também não podia deixar de assumir que aquele silêncio e horas de caminhada do quarto pra sala, da sala para a varanda, da varanda para a cozinha, da cozinha para a sala do computador sendo que mal ligava o micro e já estava de volta na cozinha era uma verdadeira maratona; sem contar as idas ao sanitário para olhar o espelho e ver se a máscara não caiu ou se ainda sabia fazer xixi como quando era adolescente; horas sem fazer nada no banheiro, a mãe gritava, o irmão chorava, a irmã dava escândalos e ali era seu mundo. Todos dizem que existe uma ligação depressiva entre o ser e o sanitário, mas quando se está profundamente só ou em processo de criação, não existe local mais apropriado para desfrutar o sem mundo, sem tenho, o Adônis desfilando o seu nu corporal, atemporal. Esquentou água e mergulhou na banheira como se fosse uma piscina olímpica, olhou o teto, imaginou o caminho das formigas, desejou uma companhia e rapidamente o que seria um banho anti horário tornou-se o de segundos, pegou o roupão estendido logo acima de sua cabeça, enxugou-se e mais uma vez segurou o celular, do outro lado a voz quebrou a alegria, e a voz embarga, uma desculpa

Voltou ao banheiro, a água estava fria, fez todo o procedimento de renovação e jurou de si para si em voz alta que não ligaria mais pra ninguém, passaria os dias do final de semana  a vivenciar em pleno, o abandono; sem cobranças, sem descer pelo caminho dos desesperados mirando o espelho, arrumando os cabelos para não olhar aquela câmera infeliz, que fiscalizava todos que passeavam de baixo pra cima ou de cima pra baixo na caixinha de inox. Esboçou um sorriso aguado, memorialista, quando era adolescente transava no elevador, agora nem pensar em chegar bêbado mesmo pelo elevador de serviço. Melhor mesmo nem cogitar em procurar braços ou abraços, tudo era proibido, e ficar com cara de boboca feliz seria uma grande punição. Saiu do banho com os pés descalços e arrepiou a alma, enxugou o corpo, penteou os cabelos, acendeu a TV deitou e dormiu até a noite, acordou, olhou o celular, seis chamadas não atendidas.

 

Lia Lucia de Sá Leitão - Normanda -  06/08/2007

 

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Barulho do Mundo

 

Todo o mundo se enchia de segunda feira. Quanta preguiça impedia de sair feliz da cama que amoldava o corpo em descanso, mas, o primeiro capitalista dos astros estava implacável, invadia o quarto pelas frestas da cortina, cinco horas da manhã e era dia escarlate, céu pegava fogo num tom purpúreo que apenas a mãos sábia da natureza possui o bom gosto de traçar em tons fortes o céu que dali a pouco seria de tropical  azul.

O Sol estava ali queimando a pele dos jovens fervendo a praia, as plantas do jardim, derretendo o asfalto; o inferno não estaria abrasador como aquela primeira hora, pensava ligar o gelado ar condicionado do carro para não chegar ao trabalho com cheiro de pimentão verde de mau humor ao sabor de alho e cebola, cheiros peculiares do café da manhã. Não suportava comer as torradas e assar o ovo sem a cebola roxa, afinava o sangue, e jamais esqueceu o alho dormido em água de sereno para evitar o enfarte, bem sabia que a mesinha da avó era muito mais empírica que científica mas,  fazer o quê? Foi educado daquela forma e um dos seus princípios era não quebrar as normas da família.

            A cabeça ainda dominada pelo marasmo do final de semana fazia a retrospectiva da solidão, mas ali era um novo momento para inventar uma diabrura de adolescente; fazia tempos que não se atrevia a uma loucura, afinal todos confundiam o profissionalismo com a postura competente de quem deseja aumentar a conta bancária a cada mês.

            Passou a observar o quanto o silêncio era dinâmico, e já estando fora do apartamento  o primeiro bom dia era para o vigia que já manuseava o controle remoto da garagem. Costume cantar os pneus naquela rampa íngreme, e fazia como uma forma de repúdio. Dobrava a rua numa velocidade controlada forçando o carro a levantar uma nuvem de poeira capaz de fazer redemoinhos com folhas secas, de tão desavergonhados  levantavam as saias das empregadas domésticas que voltavam da padaria próxima com o pão e leite de seus senhores, logo em seguida baixava o vidro da porta só para rir com a cascata de impropérios que as mais ousadas berravam rua a fora, molecagem!

            No semáforo desligava o CD de clássicos da MPB e deixava rolar solto as infelizes notícias dos repórteres sensacionalistas da miséria humana. Pensou sarcasticamente comprar um aparelho de som com maior volume ao ponto de estourar em raivas os adolescentes mal criados e preguiçosos da vizinhança, lembrava-se da janela do quarto em que ficava diretamente fiscalizando as quadras de futebol, basquete e vôlei do condomínio, sem contar com as pistas improvisadas dos skatistas justamente na hora do sono final de tarde e gritavam uns com os outros; jogo de futebol sem sentido, a bola já deixava de ser oficial para ser um palavrão qualquer.

 Distanciava-se do condomínio com a sensação de alívio; mais um semáforo vermelho, era sina todos os dias de dez anos aquele semáforo estava vermelho justamente aquela hora, filas de carro vagarosos, esperavam o assalto no cruzamento mais perigoso do bairro, a vontade era desligar o carro e ficar ali até o órgão especializado intervir na sua ação, olhou o relógio, mais uma vez em atraso de cinco minutos para a carona que esperava a menos de cem metros.Não sabia porque dava aquela carona, a mulher era uma chata, só falava nos filhos e maridos e compras ou em dívidas, só desejava bom dia quando saia do carro às carreiras para o elevador. Os mais estressados tocavam as buzinas, umas fracas outras fortes, na verdade achava aquilo uma idiotice mas se a indústria implantou aquele objeto indesejável de barulho porque não utilizar fazendo coro aos indelicados. Olhou pra colega, esboçou uma cara de quem não queria papo e apertou a buzina do carro ao ritmo do time adversário que havia perdido o jogo na noite passada, fez-se um silêncio e só aquela corneta estridente continuava, mesmo com o semáforo aberto e todos os veículos saindo em marcha fúnebre. A carona espantada tentou acalmar mas foi em vão, ouviu um tratado sociológico de boas maneiras e calou-se.

 

Lia Lucia de Sá Leitão - Normanda -  07/08/2007



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CLÃ DESTINO

 

Esperar clandestinamente a noite

Pelas  paradas suburbanas de ônibus

A imagem de homem vadio caminhando pelas Luas

Enveredando-se pelas

Correndo praças

Sorrindo os prantos

As horas das rosas

 Decidiu a premissa: o amor não morre

E doará as mãos ao poeta

e findará o poema dos olhos azuis

inacabados.

Incendiados na clandestinidade do dia

Atravessando a aula de História do Mundo

Buscando um lume, o leme a inspiração para a paz

Ou as paixões das meninas moças disfarçadamente virgens

Tudo é perceptível na clandestinidade das verdades sussurradas

As mesas dos bares permanecem cheias de boêmios da noite

Cada um escreve uma carta prometida no êxtase dos delírios

A clandestinidade dos parques aos domingos

Fotografias, sorrisos de quem já perdeu a inocência.

O que fazer?

Exaltar o poema que não foi lido

Imaginando sabores de beijos

Casais correndo pelo calçadão

 orla marítima

imagem do corpo torneado do ser

balouçando e exalando ao sabor da brisa

seu perfume preferido

VERT.

 

Lia de Sá Leitão

Normanda*



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Diamante Negro

Tem dias que não entendemos porque o gosto de chocolate se acentua no paladar marcando o dia como se a disposição estivesse em comer caixas e caixas de Diamante Negro. Algo irresistível aos olhos do adulto diante da bomboniere, algo feroz invadia os desejos tal qual aquele beijo na boca que não dá para respirar, não dá pra segurar as pernas, só sentir o gosto do outro na boca molhada, quente, queimando em chamas da paixão imensurada que tudo aceita e quer.
Na verdade, evito chocolates nesse calor de Saara Nordestino, mas entre a falta do amado beijo,  e o chocolate em proximidades da TPM, optei pelo Diamante Negro.
Comprei duas barras  enormes, sentei-me no banquinho da praça da alimentação do shopping e cá, no momento de solidão tirei  papel da bolsa, uma caneta e rabisquei algumas letras, momento de interação entre autor e dor, autor e verbo, depois o EU que ninguém sabe exatamente por que será também o EU do leitor.
Enfim cheguei ao teclado de um cyber-café, instinto animalesco entre aquele que escreve e o computador.
Um pensamento vivido e delirado.
O que tem a ver o nome do chocolate com o último amor?
Onde fica o negro e o diamante? O que posso dizer entre o doce e o não poder consumir tudo que me era de direito. Tinham-se desejos externos adocicados naquele afã que flameja na alma e acelerava a tonteira de sempre conquistar, sempre galgar espaço, mas racionalmente, galgar espaço em um doce coração que não quer ser amado, é bem mais complicado que mordiscar a barra de chocolates e vê-la aos poucos chegar ao final; simplesmente plenitude da doçura do doce, jamais pode ser comparada  ao doar em amor alguns gramas de gordura hidrogenada.
Associar o quê? Doce chocolate diamante negro e o negro que tem um coração doce e duro como um diamante.
Raro, brilhante, transparente, mas que ainda não sabe o quanto vale o peso do amor, o peso de doar-se e que se doar por que amor é isso; crescimento e desenvolvimento, não apenas fazer amor porque há uma ereção e em nome do machismo não se pode dar ao luxo de perder espermas, é necessário ter a escarradeira aberta e cheirosa numa cama.
Enquanto o Diamante Negro, doce, suave deve ser degustado aos nacos como um striper, peça por peça sendo retirada numa gradação de Bolero de Ravel até o pleno delírio, a sedução, de um e do outro, ambos com seus poderes secretos, e seus momentos de atração, um é possível comprar em qualquer bomboniére,  mas continua ali doce, suculento, num cai em desuso ou não se usa para se provar que  ali naquela esquina, alguém tentará conquistar a suavidade e maciez do doce. Galgar espaços, fazer parte do dia a dia, vencer as turras, fazer café, esperar o jantar à luz de velas, e, não entender que não se pode sentir a sedução do amor sem tê-lo conquistado; não no paladar do beijo sedutor, mas sim no coração.
Apenas interessa saber que o Diamante Negro engorda uns gramas,  depois é correr, passar horas nas aulas da academia, olhar o banco do carona e sentir a solidão tão de perto que passa a ser companheira de todas as horas, permanecer.
A guloseima acaba, a vida parece retornar ao normal depois que doce está diluído em uma salivação viscosa, porém  agradável.
O amor, por mais que se imagine doce, jamais será satisfatório de uma vez que nunca existiu no coração do Diamante Negro, como umas iguarias a serem  mitigadas e não expostas como troféu ao ventos e ao Spás...

 

Lia de Sá Leitão - Normanda

 

 

 

 

O Real enganador

 

Olá caros e amados leitores, mostrarei uma seqüência de textos ficcionais claro, sobre histórias da Internet. Para quem tem algum conhecimento sobre meus textos nunca os personagens possuem nomes, basta o que nos cabe como experiência virtual como identificação.
Mantenho uma correspondência assídua com uma amiga querida, uma dessas brasileiras fortes, que aparentemente se faz anônima na História,  mas que tem uma influência nas Artes e  Letras de reconhecimento internacional. Os e-mails correm pela rede para que não percamos contato, se somos fofoqueiras cibernéticas, o que fazer? Assumo o vício dessa  viagem adorável pelo Universo de são Bill Gates.
1ª FASE - O Desengano.
Certo dia alguém entrou numa dessas salas de chat sem alguma pretensão, buscava uma definição para a bagunça que andava a sua vida emocional. Desconsolada e desequilibrada diante da família que cobrava uma posição menos viciosa,  e mais presença real diante de todos. Não podia se afastar abruptamente daquelas pessoas, conhecia muita gente numa sala que era habitual a sua entrada, risos, músicas, confidências trocadas com pessoas nunca vistas, coisa que jamais aconteceria no real.
Que  desatino era aquele? Andava ali as escondidas e ao mesmo tempo à procura de um anjo cibernético que lesse suas mágoas, a sua incompreensão familiar diante do seu único divertimento.
Pensou em ligar o MSN, mas teria alguém on line que não queria encontrar, precisava de um desconhecido, frio, sem enlaces emocionais, alguém que pudesse dizer algo que alegrasse seu coração,  como uma sugestão de tábua de salvação, não deixe a internet, mas confira aos seus uma presença real.
Estava literalmente só, ninguém conhecido, sala desconhecida, lia a sala que passava em velocidade, ali, entre o silêncio do monitor e o teclado prometia a si mesmo o abandono da internet e seus chats de bate papo, desativaria o MSN e assim sairia radicalmente  e recuperaria seus entes queridos; filhos, netos, marido.
Daria uma última entrada na sala de costume, abraçaria amigos virtuais em sensações e beijaria outros em coração, agradeceria o conhecimento de alguém que foi importante na hora do amor, mas ali estaria finalizado seu contato com o virtual.O nó estava  tão complicado para desatar que essa seria a última chance de reavaliar horas de sono, momentos de depressão, emprego perdido, internamento com uma gastrite que ninguém conhecia a causa. Cuidaria da neta e estabeleceria um relacionamento feliz de avó e neta, com uma criança que mal a conhecia. Despertou esse sentimento no último final de semana; o pai da criança às gargalhadas narrava para todos os presentes no churrasco familiar: Fizemos nossa filha na sala de estar, sem perigo algum, minha sogra não saia do micro antes da madrugada e o sogro dormia como um inocente.
Enquanto a mente transformava a realidade em flash, e lágrimas insistentes transbordava da alma, alguém acessa seu nick name pelo reservado. “Oi gata, Oi podemos tc? DE onde? Quantos anos?”, e automaticamente ela respondia como se aquelas respostas fossem o bom dia no elevador que raramente usava, ultimamente não saía de casa, sempre olhando o monitor e as criaturas que estavam pelos chats que habitualmente entrava, olhava, fiscalizava. Quantas vezes entrava calada com nick trocado só para observar o comportamento de uma criatura interessante.
o homem já debulhava seus anseios e suas desventuras, ela chorava compulsivamente, tão parecidos aquelas angústias. Finalmente era aquele homem delicado, gentil, amável, a sua verdadeira alma gêmea, uma esperança se acende em sua vida, e o interesse se desdobra, e o que seria o final de uma permanência passaria a ser o início de uma novela de amor intenso,  equilibrado,  e decisivo para os dois.
Meses depois, ela larga o vício do computador e dos  chats, larga o marido, encontra novo emprego, fala aos filhos que precisa preencher a vida com amor real. Deixa a casa e  vai encontra-se com aquele nick que a encantara tempos atrás. Estão juntos, felizes, e sem  computador em casa, ele fez questão de dar ao neto o seu sistema de última geração e os dois seguem felizes uma nova etapa de vida.
É o amor virtual que deu certo... um em um milhão..mas deu certo.

 

Lia de Sá Leitão - Normanda



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A VISÃO DO TERCEIRO FILHO IRMAO DO PRÓDIGO

 

Lia Lúcia Almeida de Sá Leitão – Normanda – 17 /09/2007

 

As Histórias merecem destaque na vida do homem como marcas , como selos, como a numeração regressiva dos dias contados de vida. A História do homem por mais construtiva que pareça ser é sempre deprimente ao se comparar com a História do outro, alguém sempre tem algo melhor que aquele que lê ou escreve, tornando mais clara a compreensão o próprio EU que falarei singelamente como EU, logo eu que sou filho pregresso, o filho da Bíblia, aquele que sai, gasta todos os talentos do pai, brinca, bagunça aqui e ali com amigos paga altos gastos e se diverte, zombeteia da vida, não dá um dia de serviço a ninguém, imaginativamente deixa um otário de um irmão na casa paterna trabalhando igual a um mouro ou dormindo que nem um bicho preguiça, e o filho, o tal nada pródigo se fazendo em dívidas, se enchendo de doenças, se danando com a danação dos homens, tendo mulheres, orgias, cantorias, bebidas, que mais? Todas as alegrias. Um dia o filho desregrado volta,a casa já na madrugada e é insultado pelo irmão, visto sob os olhos desconfiados dos empregados, que deviam estar pensando, esse daí, vai jogar tudo fora, e eu também vou para a rua.

O pai cheio de boas intenções abre-lhes os braços e diz venha cá qual o problema da rebeldia? É você quem eu quero, perdi por uns tempos, você gastou o que era de direito seu,mas não gastou o meu amor.  O outro irmão nem percebeu a grande mentira, e tratou de inflamar-se de mau gênio; filho de uma mãe fez toda sorte de barbaridade e ganha os louros e eu me ferrando em acordar cedo, embora por dois ou três dias, no arfã de um novo emprego, depois voltava ao marasmo da preguiça e da mentira.

Tomar conta de tudo, comida, dormida, deixa pra lá, nunca tem nada mesmo para tomar conta nem o prato nem a xícara de tomar café, tem a empregada,  para esse vagabundo ganhar de anel a um boi para o churrasco, e ainda o pai diz que é pela vitória do safado ter retornado a casa. 

E agora o que fazer? Serei eu o calhorda a sair? O pai na maior das alegrias explica: meu filho  tens tudo porque nunca te afastastes de mim, e o babaca cede , sem a menor raiva, senta a mesa, participa do banquete, que menino bom! Que alma generosa! Que coração abençoado! Irradiava um sorriso como quem diz, viu filho de uma égua eu consegui com méritos o que você ordinário gastou com créditos.

 O outro humilhado, um anel que escorregava o deo, mas a fome era maior, mantinha a postura do arrependido, com o olhar de quem perdeu o chão, mas era a fome quem o maltratava.

Belíssima passagem, mas  vamos questionar a parábola, alguém já foi posto pra fora de casa e quis retornar com todos os seus sacrifícios, tentando pedir perdão, verdadeiramente humilhado, e se sentiu acolhido?

Será que se esse filho que pediu a parte dele e botou o pé no mundo como diz a parábola, tivesse sido enxotado de casa com as seguintes palavras do pai, cai fora da minha vida você é minha pedra de tropeço, você não está querendo que  eu viva a minha vida, você está me poupando dos abismos que quero cair por que quero uma companhia, não importa a qualidade da mulher que eu desejo importa é o par de pernas que ela pode abrir para mim e eu mentindo que estou feliz pago os luxos de calçadão para ser ixa, nem que isso arranque de um lar a mãe de Salim, Salim é filho da favela mesmo sabe se virar sozinho.  O dinheiro de pagar as contas de tudo é meu e você é o vadio, nem ao menos se prega em procurar o que fazer, a casa já tem quem cuide, pois pago uma empregada. Pausa leitor, e raciocine, o filho que sai, jamais botou jóias em poupança, pesou a quantidade de ouro que o pai possuía e muito menos foi ao banco pedir uma declaração de rendimentos na tentativa de imputar a Lei onde não podia gerir seus bens depois dos 70 anos, o filho bom que ficou ao lado do pai fez tudo isso de surdina, e filho que está expulso o lar queimou toda documentação para deixar o pai livre e sem infarto. Voltando ao texto o filho desvairado diz, pai, se eu não olho as tuas vestes, se eu não olho a tua casa, se  não olho o pouco que tens, deixar a casa e os bens nas mãos da empregada algum dia nada disse terá valor porque nem eu nem tu saberá onde estão guardados o que é teu, e o irmão que já tem antecedentes de bonzinho mas escolado pode desfalcar você.

Mais uma vez o pai diz, eu já gastei muito contigo aqui em casa e na rua, mandei  estudar fora, paguei casa, e toda sorte de vadiagem e o que me trouxestes? Raiva! Decepção! Não tens competência nem para ter um emprego, veja, se não tenho a razão de falar e humilhar, até a roupa que vestes e o sapato que protege teus pés eu comprei, cala-te filho imbecil, deixa eu ter na minha vida a rampeira que me apraz tão digna quanto a tua vida, serei fiel ao que é fiel,  deixa o teu irmão seguir o caminho dele por que dele não terás nada, nem mesmo essa casa por que como ele já disse estuda as Leis para te por para fora.

Presta atenção otário, se tu não tens família, se tu não tens ninguém, se teu irmão espalha com toda segurança que eu disse que tu eras o meu embrulho e és. Porque tu mesmo não tomas vergonha e cai fora da minha casa?

O filho, olhou o chão, olhou o céu, olhou o Sol, olhou a vida e pensou, que tenho para sair?

Nem consigo por os pés fora de casa porque me falta dinheiro, nem posso ir ali ver o que tenho direito para pedir minha as contas e sair por que nem sei por onde começar, isso  tudo é uma grande verdade! Não sirvo nem para tirá-lo das golpistas porque maior golpista está debaixo do mesmo teto dele!

O que fazer?

Sair e um dia de saudade e fome, voltar com cara de humilhado... sair e um dia com cara de vagabundo e insano voltar a casa dele...que dirá o irmão que saboreou todas as desvantagens daquele que partiu ?

Que religião clamará pela misericórdia de quem não tem nada? Quantos dízimos cobram para poder não ser um ninguém sentado à beira do fio da calçada?

Que qualificação tem o filho que não é pródigo ao contrário tem que se ausentar , partir, sumir, para não participar, ser cúmplice do fiasco.

  Aquele que jamais sairá de junto das benesses do pai  deve ser o melhor mesmo, e pelo prisma da satisfação existe o egoísmo natural da sobrevivência das espécies, o que fica acha mais vantagens que o filho arredio.

Aquele  que  livra o pai do abismos até mesmo com palavras grosseiras não esconde a verdade das mulheres vampirescas com vozes de fada que se aproximam velozes e ferozes como anjos noctívagos, é claro o intuito de tomar-lhes o pouco que tem?

Melhor saída é sair sem ser pródigo.

É sair e dar destino as mágoas.

É sair sem olhar para trás e nunca precisar de sentir desejos comer lavagem de porco.

 É preferível qualquer coisa por mais constrangedor que pareça a retornar e pedir pão e mel debaixo dos sorrisos que escondem a verdade dos humilhados pelo silêncio.

Ou o olhar atravessado de quem diz  sabia que você ia voltar....ou mesmo ao partir o pão deparar com o sorriso de soslaio do irmão na grande afirmativa.....que inferno essa praga voltou... para não deixar de fora a mulher do pai, agora começa a guerra total o que devo fazer para expulsar essa praga que  pensei que  morto.

A parábola do filho pródigo parece que falta o outro lado da moeda.



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O AMOR DOS LOUCOS

 

Lia de Sá Leitão – 16/09/2007

(Normanda)

 

Um mundo descortina as trombetas anunciam as flamas dos deuses

Jamais gregos, os donos das guerras, os fantasmas dos mortos

A busca do desejo alça vôos sem prumo sem rumo pelo infinito

Escritores dos poetas desbocados

Os heterônimos construindo safados sonetos  sem nexo porque o sexo prende a noção de espaço , entre a cor , a dor e o amor.

Justifica o plágio da pedra no caminho Raimundo

Sem as rimas José

Sem eu ou você ,

seres,

 Pessoa em ser mais um fingindo  da dor.

As geografias definidas pelas roupas à beira mar

A doçura do beijo e o hálito de cigarro impregnando o mundo de poluentes

A mão que segura a crina vermelha do dragão chinês é a mesma que busca no espaço a cor azul das estrelas

Afaga as meninas de olhos rosa

Despe de as gueixa

Ouve as queixas

Assim como se faltasse estilho assim como sem destino

Assim como sem o marco zero da caminhada.

Caminha de um lado para o outro as meninas azuis de olhar cor de rosa

Questionam-se como se doa órgãos?

Quando morrer a esperança

Será doado os olhos rosa vermelha dos poemas inacabados

E a dor fingida será a consolação da paixão que partiu

Eterniza o azul nas fotos envelhecidas

Sem poemas largos

E a um canto do apartamento a voz muda do violão cheio de ar

Vazio do canto dos poetas

Invadidos de sonhos mergulhados na clandestinidade dos desejos

Louco amor das meninas azuis e olhos cor de rosa.



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UM DIA NÓS.

QUASE FOMOS POEMAS.

 

 

 

A noite cai suave como o véu que envolve o corpo nu

Um momento em flash ilumina a penumbra

Dirijo em velocidade e corro atrás de mim

Busco a paixão pelo encontro a cidade e nela a agonia

Choro a loucura de nós dois pela solidão da estrada

Apagou-se o brilho carnavalesco das fantasias da noite anterior

Era o texto depressivo que a mão ainda não havia escrito

A noite atravessa seu percurso morna alumiada com os faróis trópicos

Os desejos ardentes que faíscam brilhos pelos olhos dos amantes.

A última dose enche de volúpias o pensamento sobre o caos.

Corpos, cheiros,entrelace, abraços

Corpos selvagens amarrados pelos nós dos lençóis

Devaneios de mar calmo

Onde dormem serenos monstros, moréias, sereias.

E os teus olhos azuis miram a lua minguante que bóia no céu

 se despede num sorriso irônico

até a próxima vez otários!

A semana segue em preciosa calma monacal

Ninguém observa na morte das estrelas

Menos ainda nos noctívagos seres

Morcegos, fadas vadias, bruxarias

Sonhos perdidos no deserto do ser

Sem abraços apertados ávidos de ter lapso de segundo crer em amor sinônimo de sexo

Desconexo plantão desse mundo louco que imprime rótulos

Soluços!

O louco berra na calçada da frente

Escancarem as janelas, derrubem as portas, pulem os muros das penitenciarias

Bebam à saúde de um mundo

Irresponsável como Vulcano vomitando fogo

Como os que viajam nos delírios dos sonhos ácidos

Como quem se suicida por ódio ao amor

Viva!

O amor dos loucos

Oferecido semana passada

E a rosas vermelhas murchas em arranjos sob a mesa

São lembranças.

Um dia quase fomos poema.

 

 

Lia Lúcia de Sá Leitão – (Normanda)

13/09/2007. 



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Três Segundos

Os sonhos são azuis como o despreocupado vôo das borboletas que brincam  no campo de flor em flor.
Os sonhos da mulher azul tornam-se poderosos nas suas repetições, concretizando-se pela insistência da perfeição da reprodução das cenas agradáveis.
Uma brisa que delineia o bailar do capim silvestre em seu verde urtiga sem as bordadeiras do mar mas com a sedosa mão da natureza.
Em todo sonho de borboletas,  mulheres  apaixonadas pelas mais modestas flores amarelas,  sem odores inebriantes das rosas está o limiar do enlace para o sim ao amor,  mesmo que o preço seja-lhe um peso a ser pago pela vida,  consumido pela erosão a liberdade da reprodução da terra.
Existem nesse espaço três segundos,  para a perfeição da tela do artista que cria o rio em seu bailado,  entre as pedras e a correnteza mais profunda.
Os charcos onde os sapos formam um coral dignos das grandes salas de ópera, vozes se misturam, finas, encorpadas, graves, medrosas, chorosas, em seus tons de beleza tosca de tuba, flautins e  oboés.
Os sonhos azuis carregam em seu bojo o tempo contido de paixão, de desejo silenciado,  de pássaros mudos, de aranhas tecendo teias que nenhuma mão arquiteta tamanha perfeição; a cilada está armada, ela, a mosca voa para a morte.
Mas a morte no sonho azul pode ser descartada, não há morte quando o sol brilha em três segundos de êxtase.
A alma azul da mulher abraça o chorão enorme à beira da nascente, aquelas lágrimas são águas que jamais retornarão ao regato. Silêncio de milênios trazendo fantasmas melancólicos que se arrastam com os pés descalços e mãos vazias, o que oferecer? O que levar? O que fazer?
Assombros de uma vida que não registra maldades, que não registra amores, que não registra as causas nem conseqüências de vida ou da construção da teia em vida.
Paixões flutuam com seus pés brancos sob as copas das árvores  e os anjos ainda olham o véu  da noite  deitar sob o horizonte, cantam  canções de ninar para apressar o sono que amortece as dores,  traduz no sentido anti-horário a lembrança do dia em festa, o vestido novo, o sapato apertando os pés, os sorrisos não tão verdadeiros e uma câmera de TV filmando cada convidado, cada dor. As senhoras matronas investidas de propriedades e saber,  sobre verdades do mundo que enternece com o vestido azul, um mundo azul. As sibilas decodificavam os assovios das cobras, o uivo dos lobos e percebe a hora em que aquela borboleta que se escondera entre as pétalas amarelas descansava seu dia em três segundos,  de paz longe da mão do caçador.

Normanda - (Lia Lúcia de Sá Leitão) - 30 de janeiro de 2006



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NA TUA MÚSICA

Para Lápis-lazulli com carinho.


Na tua música está a minha letra
Em teu cantar
Estou toda ouvidos
Sinto a vibração da viola
Como a chuva que bate contra a janela
E escorre como a lágrima destinada a um amor sem domínios
Sem limites
Sem realidades
As minhas lágrimas soltam as amarras da mulher que sente o palpitar do poema
Vivencia o soluçar da emoção, e faz de seu próprio silêncio
O delírio da melodia e do ritmo
Da voz em delírio
Na mão que toca o instrumento
 desejos de bis.
O sabor dos tempos comuns é mudar as poeiras da estante e seguir ao som
Vem e eu te espero!
É tarde!
A melodia dos desejos não aplaca o desejo da posse,
aflito o sono mente que dorme tranqüilo
e o fantasma que é só teu
atravessa de um lado a outro a parede do quarto, deita ao lado da cama
brinca com os cabelos loiros de quem sofre a falta de afago,
segredar ao vazio da alma a negação dos carinhos na penumbra do quarto que jamais será nosso
 e quando a noite se vai os mais  extravagantes desejos exalam seus cheiros
 delírios tomam a carne
 que pode acontecer
 o toque proibido
a mão mais atrevida
uma lembrança atrevida do teu sorriso
tudo está guardado
na tua música.
 

Deixe que embebede dos beijos doces
E no mergulho ir ao âmago do sonho
Viver em teu universo
E deixar que meus olhos filmem os teus olhos molhados de luz
Deixe que mergulhe em teu corpo e sinta o sabor do néctar de tua felicidade
Conhecer teu toque firme em meu corpo elétrico
Na sintonia de viver os mais loucos encantos
Dessa doce sinfonia.
Deixe que enlace os teus braços em abraços firmes
Faz de mia viola que segue contigo pelos bares
Viola meus preconceitos ocidentais
Dedilha em mima canção que se faz de amor
Na calada da noite, no silêncio do mar
Faz desse instante
O poema eterno
Amor

Lia Lúcia de Sá Leitão - 09/9/2007

 



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ESPAÇO DE TUDO

Espaço de tudo,
Corpus Nus,
mergulho a minha dor
no cigarro que abafa a tua fala,
trago no olhar o segredo do silêncio
a morte por
AMAR-TE.
Uma taça de vinho,
Um pouco de carinho,
um corpo em lágrima
mais um trago,
fantasma vadio que dança na rua
atravessa caminhos,
MADRUGADA.
Pensamento de cio,
pelo preço do teu berço,
pelo suor dos teus cabelos,
pelo afago,
pelo beijo,
pelo calor e o desejo,
pelo encontro,
reencontro,
desencontro,
neste delírio
criei o teu sonho,
a tua mente sã
ferve em meio a minha loucura!
Eu te engulo, caço, deporto,
estrangulo,
teu fantasma atravessando a minha a vida,
no compassado dos passos pelo paço,
ou ao lado do banco no meu carro,
na tua música, na tua letra,
no teu poema de artista,
na minha noite sem pirilampos,
na minha cor de noite sem gatos pardos,
na hora de agora
o corpo treme,
a alma vadia chora
o que se esqueceu de encerrar no ciclo
dos nós.

Normanda - Lia de Sá Leitão - 12 /01/2006

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A FADA ACORDOU

O sonho encantado acabou,
assim como se partiu as sem regras do amor,
É tempo de abrir os olhos
e refazer as fórmulas,
agitar as idéias
e abrir a guarda,
partir.
Viver a sol e só,
não abortar o encanto.
Vencer (a) dor
sem inundar de melancolia a alma cor de rosa,
partir do castelo despojada de madrugadas,
esquecer  pretérito o desalinho da alcova,
 os desejos,
sem as marcas da masmorra.
Atravessar o campo,
o ser,
a lida,
a vida
como a princesa que desperta
do conto de fada
sem o cavaleiro
sem o amante
sem o campeão
sem o dono do coração
sem alma
sem amor.


Normanda - Lia Sá Leitão - 10/1/2006

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SOS

Guardei nos sonhos de princesa
um mar distante e uma península
lá o teu castelo
descortinado pelo desfiladeiro,
desenhos,
contornos e  mapas
do porta retrato do navio pirata,
tua imagem olhando o meu espelho,
sorrindo minha história,
o conto de fada
que escrevi em letras azuis
para te fazer sorrir.
Esperando o teu tempo
na minha hora de devaneio,
espantando um fantasma cor - de - rosa
que atormentou teu sono.
Toquei, em long play,
o meu segredo de mulher
 melancólica e em tom menor,
a letra de aurora,
a  melodia
escrita em partitura só para mim,
na solidão de lua rasgada.
Não pára!
Evolui!
Não pára!
Toca o violino,
toca... toca!
Toca em mim
com as tuas mãos de homem!
Não posso esquecer
o sorriso ou o sonho,
não posso  deixar de sentir a vida
escorrer por entre os dedos,
em ondas,
entre o murmúrio da febre e teu nome.
Prazeres
do corpo sonhado
do verde esmeralda.
Do mar
espatifando-se no dique
que sorve o sal
que chupa a água
que se enterra na  areia
sem conflitos,
sem ancoradouros,
sem tempo,
sem barco,
sem demoras,
sem esperas
de ir ou vir,
sem bóia marcando o canal,
 sem história,
apenas geografia,
o tempo!
Nós dois.
SOS.

Normanda - Lia Sá Leitão - 10/1/2006



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Ciúme.

 

A imaginação rasga a alma invadida dos temores  da noite

A solidão da Lua que navega sem nuvens o céu do litoral

Invadido de olhar

A pele suave da mulher desfruta a brisa que passa na mesma velocidade

Dos pensamentos vadios

Um  mar sem sereias

Piratas sem tesouros

 Companhias sem devaneios infinitos

Prazeres sem a parceria do ser que segura o corpo

Mãos que não deslizam pela geografia da mulher que sonha.

 

A espada cortante do ciúme atravessa o peito

E os questionamentos vagueiam na corrente sangüínea alimentando a adrenalina.

Os cabelos soltos fustigam o rosto

Como acoites cortantes de aço marcando a pele numa dor invisível,

 

Amor, onde anda?

Em que braço alivia o teu amor?

 Quais as mãos que não as minhas acariciam teus cabelos negros

Qual o conforto que as horas podem serenar a fatiga desse momento.

O silêncio da alma não repousa em paz a angústia do momento