Eu..Lia...

 

Olindense por amor e escolha e Recifense de nascimento, professora de Língua Portuguesa.

Amiga, companheira, justa, verdadeira, mas com alguns graves defeitos, brigona, encrenqueira, jamais  injusta.

Desenvolvi no decorrer da vida, as artes plásticas como divertimento, como pintura óleo sobre tela, decorações e pátina.

mas de todas as construções artísticas preparei-me com esmero para a escrita, a arte da elaboração dos textos

e com um desejo maior...que o leitor mergulhe como um personagem.

Desejo todos dias felicidade para todos, apesar das adversidades do dia-a-dia de cada um.

Família

Venho de uma família sólida, uma mãe que soube doar amor,

carinho e alguns tapas na hora necessária. Hoje olho o céu e

vejo uma estrela piscando e sei que ela escolheu ficar ali, no céu e

está sempre invadindo meu quarto com seu brilho de estrela.

Mesmo que o sol esconda por algumas horas,

eu sei que ali está minha mãe feliz e sempre guiando meus passos.

Meu pai, antes de pai um amigo sincero, fiel adorável,

um HOMEM que cita que requisitos bons, como ser humano não é

elogio é dever de cada um e ele segue a risca o princípio cristão:

Amai o próximo como a ti mesmo. E assim sendo diz tudo.

Filhos, meus lindos bonequinhos , que criei com amor mas ficaram grandes,

homens que aprenderam a cantar e voaram para longe do ninho, mas não

esqueço meu pequenos, sempre com o mesmo amor que os escolhi para serem meus.


Amor


Os amores chegaram na hora certa e partiram na hora exata. Mas cada um formou um elo muito forte de amizade. Sou aberta a um bom papo, a um companheiro e a um novo amor.


Amigos

 

Todos meus amigos da net, todos meus amigos reais,

enumerá-los seria maldade, se  acaso esquecesse unzinho,

reservo-me a dedicar cada texto a cada um também, como

se fosse um diamante que gostaria que guardassem em seus corações.



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Os textos aqui postados, são de minha autoria e tenho direitos reservados sobre eles.

Espero que gostem, sejam benvindos(as).

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CINZAS.

A nuvem encobre o sol e forma-se a massa escura e o dia desabam em noite, as árvores encolhem-se, as flores escondem-se por baixo da folhagem, o sorriso do menino perde o fogo do desejo e se fecha em portas, cobertor, televisão.

Um frio percorre o corpo e toma a alma ainda envolta na efêmera esperança de um porto seguro, um ponto de aconchego sem o sorriso de despedida. Permanece em pé diante da tela e seus olhos turvam-se no desalinho da saudade.

Estático, diante da janela, os mil sonhos driblam a correnteza, como o marinheiro ágil desvia uma pedra, arrebenta-se numa lata de refrigerante, voa sobre um buraco enorme no asfalto; se contorce frágil entre um pneu e o cimento do meio fio sinalizando estacionamento livre, em pleno naufrágio segura-se à mínima oportunidade de resgate, tudo inunda, tudo chove desmancha-se em segundo o sonho de papel.

O ânimo esmorece o frio intenso, o silencioso coração mergulha finalmente naquela aterradora perda de leme.

Cinza!

As perguntas ainda mal elaboradas sobre as leis da Física misturam-se na mesma freqüência dos relâmpagos e trovões, a tempestade abala o mundo, a paisagem do caos funde-se à sensação de abandono e medo.
A claridade da energia arrasta o rufar dos tambores de uma guerra insólita, associa com a pouca idade como quem chora o brinquedo perdido; onde errou o mundo para Céu brigar com a Terra?

Pensamentos de criança sem ciência do pecado.

A ventania decola abruptamente um jornal como uma pipa esquecida das mãos que seguram o fio, vadio de peso, voa aos trambolhões pela rua esquecida de transeuntes distribuindo notícias da novela e previsões do horóscopo.
Tudo ali era novidade da semana anterior.

Cinza!
O mundo perde o chão.
A vida perde o sol.
O sorriso esmaece diante o espanto.
A luz pede um arco – íris.
As mãos que buscam ávidas o corpo deixam escorrer pelas luas a água do chafariz.
O coração bate num ritmo descompassado.
Falência é o sentimento traduzido pela impotência de não ser Deus.
Perdida infância!
Perdido desejo!
Cinza!

A menina dos olhos brilhante sonhava em seu diário a realidade do dia que findava.
Traçou sem menor pretensão mais uma parabólica entre a realidade circundante e a ficção. Ninguém podia ler suas cartas escritas para ninguém. 

Os seus dissabores ou suas alegrias sempre estavam seguros, guardava-as para si em uma caixinha de papelão que encontrou na sala dos brinquedos.
Os segredos, sim! Os segredos de vida sorriam olhando para o papel, pensava com a caneta entre os lábios, os segredos de morte todos falam e ninguém guarda reserva por que defunto não fala, não reclama, não livra o outro da responsabilidade, os segredos de morte são egoístas por se tornarem públicos na ausência.

O grande lance seria os segredos de vida, esses sim sempre vivenciados bem debaixo das sombras e os olhos de todos, porém ninguém percebia com nitidez o limiar da felicidade ou tristeza, os segredos de vida não são problemas iminentes; para escondê-los basta sorrir e falar coisas boas, acreditar nas pessoas e só revelar aquilo que deve agradar o outro, assim como verdades que nunca assustam por que só as boas meninas permanecem sem os dias de tempestade, casam-se, tem filhos e são felizes assistindo novelas pela televisão.

Precisava criar criar e criar, toda palavra servia como arte, toda música como sinfonia e cada poema como um amor, alguém disse que só os bobos escrevem cartas de amor.
Em suas cartas para ninguém não escreveria para o amor.

Era fácil escrever sobre amor, tudo azul, tudo zen, tudo cheirava a rosas e fores do campo, o amor não erra o amor não sofre o amor sempre é alegre e destemido, também não é nada tímido. Queria um amorzinho tímido, cheio de casinhas de duendes, bosques, o verdadeiro conto de fadas com príncipe e direito ao beijo de língua.

Decididamente seu diário não teria uma linha sobre amor, todos os que amam esse amor caem desbragadamente nos azedumes sem esperança, ensimesmados. Chega de amor retrato do egoísmo e revestido de arrogância devido à sua perfeição.
Ela perdeu o rumo da escrita, rabiscou o texto sobre o amor, afinal, amor é amor, embora mesmo que todos os amantes sofram.

PIB PIB atenção! Voltando ao texto da carta para ninguém metáfora do hoje.

Afinal fora lhe dado um cérebro e lhe disseram pense, você faz parte do MUNDO, um mundo tão real que cabe até o amor que jamais deixam quebrar os cristais, um universo que conspira caro e obvio. Um mundo exato, quem erra paga pelo prejuízo, linear, manuseia-se numa equação de perdas e ganhos repletos de surpresas positivas ou negativas, mas só na maturidade apelidam as rabugices de experiências.

Ela escreve em seu diário as notas sarcásticas sobre esse mundo que os cristais na verdade podem partir esfarelar-se sem direito a emendas, na verdade, o grande segredo giro entre o saber e o poder.
Curvar-se ao sabor da brisa como a mais simples das gramíneas, observarem a lua que ilumina o chafariz e cantar desentoado como fazem os lobos em noite branca.
Jamais teve a intenção de ter em seu diário, aquele mundo real de um Jequitibá Rei, estaria imponente e solitária, naturalmente sentiria inveja das árvores pilhadas pelas crianças que roubam frutas nos quintais vizinhos.

Copiaria em seu diário as frases feitas, por mais que lhes dissessem: isso é pobreza vocabular, deu de ombros, bateu a caneta entre os dentes, olhou o caminho das formigas e sorriu para a alma.
Exclamou bobo.

O seu amigo seria o náufrago imaginário, sem nome, sem identidade, afinal era mais um personagem da palavra errante, caso criasse corpo teria que ter dentes, e escová-los a cada refeição, nasceriam cabelos que não podia despentear, teria unhas e remelas, melecas e raladuras superficiais, as raladuras profundas doem muito, se era homem como faria xixi diante dos olhos da menina? Soltaria puns e deixaria as folhas brancas do seu diário amareladas, para isso ela tinha o tempo como aliado, se o náufrago tomasse uma personalidade ganharia poder real e partiria do universo metafórico da escrita, saberia explicar os dilaceramentos da dor e teria alma.

Seu amigo não teria formas definidas, quando olhasse o arco-íris só teria olhos; quando cantasse uma melodia só teria boca, quando ouvisse o segredo de vida só teria ouvidos, quando pusesse a chorar seria lágrima.

O náufrago do pensamento escrito é como marulhar das ondas nas areias, sem diques, nu, desigual das verdades reveladas pelos segredos de morte.

Será sobrevivente misterioso e silencioso das letras que se compõe o texto. A solidão do poeta, o olhar que paira sobre as nuvens de algodão alinhando os sonhos da mulher, que na era informatizada do terceiro milênio ainda escreve no diário os desejos de caramelo, ursinhos, aviões, pássaros canoros, pipas, picotes de papel brilhante jamais jornal sem rumo derramando notícias de ontem.

Contundente ser náufrago daquele que inverte a razão, subverte a ordem das leis.
Olhou mais uma vez para o teto pensou, o que é ser náufrago de um doido?
A razão invertida da própria razão?
Cinza, apenas, cinza assim como aquele que pensa e sabe que a massa é cinza e a cor do mundo é cinza mesmo que por cima das pesadas nuvens e da tempestade que levou o náufrago a buscar a alma de salvação haja luz e calor.

Normanda - Lia Lúcia de Sá Leitão - 01/12/2004



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O TEMPO, senhor de vida e morte.

 

Quando ela entrou naquele vôo de volta trazia no âmago o segredo do filho e o silêncio da decisão. Era o fim do ontem, sem a espera da continuidade daquele relacionamento aparentemente feliz, socialmente correto. Desceu do carro, olhou a paisagem externa como um último adeus e a passos lentos adentrou no salão do aeroporto, dirigiu-se ao balcão da Companhia cumpriu todas as exigências e seguiu até o portão de embarque, permanecia calada, o companheiro ao lado sentia algo estranho e indecifrável, ele casmurro, ela pisa forte o chão como quem decide as duas vidas. Ele a segura pelo braço e beija levemente nos lábios carmim, despede-se e num último olhar um pedido de perdão, um desejo de fazê-la desistir, segura-a nos braços com mais força e abraça o corpo de mulher que não expressa nenhuma reação, nenhum  tipo de reciprocidade; ela num momento de lucidez, arqueou as sobrancelhas, costume antigo, olhou-o por cima das lentes dos óculos de sol, esboçou um sorriso apagado, infeliz, e adentrou o local de embarque. Não sentia vontade de olhar para trás, mas ele a chamou e ela estanca na porta de vidro, olha ligeiramente a cena, lembra um filme Hollywoodiano, acena um adeus com uma das mãos e some em meio às outras pessoas. Olha o relógio, olha que observa o mundo, fala com a vida que trazia em si: “ não precisamos chorar, vamos vencer! Você dá a coragem e a minha alma e eu protegemos você como a mãe que ama incondicional o filho que chega”. Hora inóspita de seguir vôo! Um lampejo de desistência atravessou seu pensamento, mas as pernas não obedeciam o rápido desejo de volta. Seguiu para vida como quem fecha mais uma porta e tenta esquecer o passado, seus matizes,  seus momentos bons, a luz que insistia em não apagar. Ela senta junto a janela brinca com o ser que ainda se acomoda em seu ventre e diz baixinho numa confidência de brincadeira, olha ali, não são formigas são pessoas, eles  sorriem, sentem dor , maltratam, por que são tão humanos quanto eu e você , mas  eles naturalmente também não se humilham diante do outro, nem se envergonham de ser o que são. Ela sente uma felicidade abraçando a esperança de vida nova, reconstrução, ainda bem que os homens são falhos, se fosse robotizados e perfeitos não exerceriam poder de mudanças e sim uma reposição de peça em série substituindo o conjunto danificado de ruelas, parafusos, pregos,  tecidos sintéticos. Ela precisava urgente entender seus  sentimentos, dores, enfim o coração, mas teria que aceitar o momento da reconstrução.

O que fazer, com um filho que jamais conheceria o pai. Ele orgulhar-se-ia da mãe que seria a sustentação da vida ou odiaria em silêncio a decisão de ruptura com o macho do clã?. como seria a falta da presença masculina, que fazer? O futuro parceiro aceitaria o filho de ninguém? Entre uma pergunta mais complicada e outra a alma fervia de ansiedade pela volta à casa paterna,quase um sentimento egoísta, era tão filha quanto aquelas células, a perpetuação da vida e o basta de um relacionamento que nunca existiu. Ela deixou-se chorar e pensou no tempo.

O tempo passa como o grande feiticeiro curando dores, mágoas, machucados, ora protege, ora mostra a falta de colorido do homem que se olha sem se ver. Mesmo o grande dono de todas as situações de saber, mando e desmando, alado, saudável, doentio, não desperdiça a hora.

O Tempo, esse mesmo senhor das benesses também senhor de todos os senhores. Possuidor também da crueldade e implacável galanteador, alardeando e sorrindo aos quatro ventos a capacidade de ser.

Quanto ao jovenzinho, parecia entender todos os arroubos dos minutos e subserviente,  aguardava sabiamente o seu caminho de crescimento, mantinha-se indubitavelmente ansioso para ver a Luz, os toques da mãe, o cheiro da vida. O Tempo aliado das feras mais terríveis da criação decidiu apagar a esperança captando para si o jovenzinho que ainda tomou o gládio e enfrentou os leões numa arena enorme, na verdade um terreno bem maior que seu tenro corpo podia suportar e o Tempo levou-o consigo quando caiu exausto na batalha e nunca mais voltou.

Ela olhou o mar, e seguiu de cabeça baixa pelas areias, molhando os pés na água verde esmeralda que as rendas velhas presenteavam aos amantes que se beijavam à beira da praia e voavam como fitas desalinhadas aos chutões dos pés da solidão.

 

Normanda - Lia de Sá Leitão - 19/8/2006



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FÊNIX

 

Tem dias que estamos dados a uma música especial,  aquela que fez parte do momento decisivo, aquela que definiu o humor, aquela que defendeu espaços, até mesmo  aquela que baila solta nos lábios de quem assovia. Desejo a mais especial de todas; aquela que ainda não foi composta.

Amanheci assim, em busca da música especial para presentear o dia, o amor, brindar a  vida. Eita papo bobo de apaixonado! Se o leitor questionar, se estou apaixonada direi sim! Estou mais que apaixonada. Fazer o quê? Fugir da situação e enfiar o pescoço no primeiro buraco que encontrar e passar complexos de avestruz? Retorno a resposta com mais uma questão, o que fazer? Pela primeira vez em muitos anos sob a terra que me faz um Dino adolescente da terceira idade, senti-me tão bem quanto a adolescente que veste sua calça jeans, joga uma camiseta azul e se ilumina com a idéia de logo  vai amanhecer  e uma segunda feira ensolarada tomará conta do meu espaço e regerá meu destino para os braços a do amado ser. Pela primeira vez também estou envergonhada;  escrever as sensações de prazer e emoções, impacientar-se com as horas de espera e respirar aliviada com a chegada do trabalho, como se o outro não tivesse compromissos outros.

Quando decidi escrever Fênix,não sabia ao certo qual tessitura dar ao texto, de felicidade, melancolia, renascimento, mas pelo visto nem eu estou entendendo as posições ilegais da paixão  quando silenciamos a emoção. Li em algum lugar que só os bobos se apaixonam, concluo os bobos vivem melhor que os saídos,  disso tenho certeza.

Escrevi, escrevi e se  procura algo consistente quanto as normas da redação, ou a confecção do texto nada corresponde, daria uma nota feia para um aluno que entregasse algo sem conteúdo definido, qual seria a nota que daria a um aluno apaixonado que entregasse algo onde não houvesse coerência? Céus!  Seria malvada, não perdoaria a prática normativa da teoria. Sairia rabiscando todo o papel só para depois dizer, refaça seu texto e o aluno olharia pra mim e diria, foi o melhor que eu pude fazer,  estou tão apaixonado que todas as minhas práticas e meu discursos se renovaram, estou feliz, sua nota, mera nota num papel renascido de sentimentos esquecido é a brutalidade daquilo que o homem construiu ao seu redor. Eu olharia para o aluno insensível e diria,  no vestibular o censor não está preocupado com sua felicidade e sim com a estética e mais uma vez o aluno diria. Que bom! Assim ele descobriria o que é escrever sem nexo, o que é compor sem necessariamente saber o poema.

 

Normanda - Lia de Sá Leitão - 14 /8/2006

 

                                                                                              

 



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A COMÉDIA DOS DESESPERADOS.

 

                Às mulheres no auge o seu desespero, principalmente as de mais idade e virgens.

Incrível que em pleno terceiro milênio uma mulher depois de vida monacal exiba a virgindade como troféu, se bem que, diante os fatos; das crianças prostituídas, o desespero da fome, a agrura das situações, os fatores sociais e de educação.

O que dizer das mulheres que se desfrutam e também as desfrutáveis, desde que não escondam as mentiras dos seus silêncios, outras que nem se atrevem a trair os seus desejos, porém, sabem medir a responsabilidade de investir, despir e entregar o seu templo.

O seu corpo é doado a um parceiro que executa grande ato de amor sem amarras, sensações gratificantes e pensam como foi adorável, ou como foi terrível, mas de qualquer forma adquiriu experiência para a próxima investida, a próxima conquista, o próximo ato de doarem-se em plenitude dos fluidos, cheiros, toque mais sedentos, beijos mais sedutores. E a vida transcorre de forma tão singela e feliz que a mulher deixa o caso desconfortável por aquele que surgiu do nada, mas possui a leveza do ser, o brilho dos olhos e a satisfação de dizer querem mais.

                Voltando caríssimos para a que se vangloria de um hímen como o selo da guardiã da dignidade, qual a diferença maior de fé e abdicação ao Deus que não condena, mas protege, a um Deus que é amor e não punição?

Aquela prostituta que atravessa a rua, espalhafatosa, entra numa Igreja cheia de balangandãs, senta-se no último branco porque teme o corpo de donzelas que se pregam a Deus como seu domínio. Deus só faz o que quero, Deus só olha quando deixo, deixo só escuta quando falo, for à primeira nessa situação é muito menor do que o repúdio dos olhares e a prostituta ali, sentada, educadamente na casa de Deus.,

 Analisar de que forma entregará os pensamentos a Deus: “pequei Senhor porque estou na profissão mais antiga do Mundo”, nem Maria Madalena possuía a sua carteira assinada, mas ela teve o perdão de Cristo em vida, e as prostitutas que sobrevivem pelos homens que a buscam, pelo parco dinheiro, e todos aqueles homens poderosos, ou pobres, funcionários públicos ou pedreiros; cada um podia assinar a carteira do Ministério do Trabalho, mas não o fazem por puro preconceito devido ao uso fruto da carne, do cheiro, da escravidão, dos vícios, e mas as almas entendem a linguagem das necessidades e de paixão pela desgraça do outro.

As prostitutas acolhem os homens como as mulheres na guerra aliviam as dores da infelicidade da anônima.

                Em contra ponto, as mulheres que não souberam se doar a um homem por amor, ou pudor, ou regras sociais de monastérios, rezam a Deus em sua infidelidade de pensamento e atos, ou decoram o “bê a ba” ensinado, que se errar uma palavra volta toda a oração, onde está escondido a sublimação dos desejos da mulher em palavras meigas, explicações sem base em seus fundamentos. Se alguém não experimenta o amor carnal como pode explicar o próprio amor?

                Se alguém disser: “sou virgem, aos 50”, nos espantaríamos com a situação? Não, nem tanto. Mas temos direito a questionar  que mulher pode ser essa que jamais experimentou na própria carne um sentimento divino, em meio aquele toque que se lucra com palavras dóceis, afagos,  beijos quentes, e calcinha molhada na tranqüilidade do anti-horário, tira  a blusa e deixar-se acariciar pelo seu parceiro.

                 Mulheres que ainda virgens aos 50 são as domadoras de leões? AS encarnadas nos maus desejos? Nos pensamentos ordinários? Prostitutas do imaginário? Impolutas ditadoras de regas sempre castradoras e convencionais, reacionárias em poder doar-se, deixar-se acariciar, favorecer  o amor?

                 

continua.....



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continuação...

 

Como pensa essa mulher sobre um homem nu ereto diante de si?

                Uma máquina humana que busca apenas a carne? Indisposto a sensibilidades ou seria o pulo na cintura descabido, a lambida na boca o enfiar de seios engasgando até o parceiro, e sem a delícia de ter o ser penetrando dentro de si, o corpo quente que mexe, remexe, que delira, que geme, que diz amo-te? É seca, estática, e nem sente o sabor daquela lagrima solitária que rola pelo rosto, mas que dá a certeza que o corpo está feliz.

                Será que as fantasias dessa mulher são afloradas ao ponto dela própria se comportar contrariamente a uma prostituta, que honra seus códigos de ética, de moral, será que essa mulher agiria em não fazer sexo anal assim como o respeito aos vários códigos das mulheres de vida fácil?

                As mulheres reprimidas não condizem com a realidade da vida. São magoadas, tristes, autoritárias; são encrenqueiras, de medir forças, de azucrinar a vida de todos e de mentir.

                Quantas horas de masturbação uma mulher, depois dos quarenta que nunca conheceu um homem, gasta com o imaginário?

                Quem são os protagonistas dessa lista de emoções?

                Que emoções seriam essas? Mas a maioria delas depois da masturbação enfrenta dilemas e uma guerra interior. Como são mulheres impolutas, correm ao banheiro e lavam até arrancar a pele da genitália, e as lágrimas devem rolar soltas devido ao falso conceito moral que elas próprias criaram como norma de vida e de conceito e preconceito.

                Como essas mulheres comungam com o Universo?

                Como essas mulheres mentem para si e só pra si que não se tocam e não deliram?

                Certa feita vi uma mulher pedindo ajuda para alguém comprar uma bacia sanitária para a casa dela, e pensei cá com minha maldade: “ou quebraram a bacia sanitária porque já estava ultrapassada ou se deseja um objeto de consumo, algo mais confortável para poder se masturbar pensando numa vida infeliz mentirosa, mergulhadas em neuroses, e na tentativa de gozar sem o medo de ser feliz.

 

 

NORMANDA - LIA LÚCIA DE SÁ LEITÃO  20/08/2007

 



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Nuvens Azuis – Estrelas Rosas

 

Quando Ela abre os olhos diante do espelho e percebeu a crise existencial, o conflito entre claro e escuro, buscou uma das duas opções para dominar a tristeza da alma; desistir do cinza e buscar a luz ou permanecer na sombra e coberta em véus.

Ainda podia sonhar com as nuvens azuis ou ficar de olho num céu a beira mar procurando a estrela cor de rosa. Pensou nas convenções: azul masculino, rosa feminino, hum!

A cor da tristeza,  a outra, a da esperança.

Ali, naquele instante que tipo de cor preferia ser, aquela que traduz um sorriso infantil ou a outra que desvenda o olhar de quem espera a felicidade que chega atrasada.

A esperança ainda dobra a esquina quando sua mão segura um graveto e rabisca na areia nomes, nomes de tudo, mar, peixe, estrelas, flor.

Nomes que nomeiam outros nomes, nomes que não significam nada.

Ela pensava nos lilás cultivados em jarrinhos na janela, queria a cor lilás, queria ser lilás, sim!

Toda a harmonia estava ali, toda saúde estaria ali, tudo que pudesse imaginar de são e de bom estaria ali.

Voltou para casa, abriu a porta, afastou as cortinas da sala, colheu todas as flores  e jogou pelo apartamento, por cima dos móveis, sofá, corredor, cadeiras e finalmente apenas dois raminhos sobravam-lhe nas mãos; com  um enfeitou os cabelos e o outro deixou em repouso no travesseiro ao lado, ocupando o espaço vazio do parceiro que voou para outras geografias.

 

Normanda - Lia Lúcia Sá Leitão



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                            Maternidade Solitária

 

Um dia ela se deu conta que estava esperando um nenê, não sabia se ria ou se chorava, não sabia se abria as comportas do coração e gritava para a humanidade aquela maternidade. Com o papel dos exames, as pernas ainda tremiam entre o susto e a alegria, e sentou-se num branquinho da praça, num local um tanto reservado e deixou os olhos planarem nas várias brincadeiras das crianças, lembrou-se daquelas que brincou com os amigos e primos no pátio da casa grande. Mas a razão tirou o pensamento do devaneio e bateu forte. Naquele instante perdeu chão, sem saber o que fazer, como seria o futuro?

Uma criança se preparava para a grande viagem dos nove meses a um mundo lindo porém desajustado, a um mundo cor azul mas tão cheio de sangue, e se encontrasse os percalços naturais de uma mãe que poderia perdê-la como se perde um pensamento diante o verde esmeralda e das rendeiras do mar.

Como seria aquele filho tão esperado, tão amado, e já abandonado? A loba jamais abandonaria sua prole, mas o macho dominante, aquele que foi instrumento de amor, já dissera tantas inverdades, já mostrara tantos desconfortos e decepções que  o sentimento mais profundo era de ignorá-lo, esquecê-lo.

Não precisava saber do filho que ainda é uma florzinha

no ventre da mulher; ele permaneceria sem compromissos, que continuasse a vida promíscua que desvelou em tempos seguidos contradizendo o ato, maculando o momento de êxtase, desmentindo as juras,  as palavras doces sussurradas na calada da noite.

Sinceramente, não era necessário o susto de ser presente, de ser pai que o apavoraria, não! Era o medo das cobranças. Ela olha as nuvens, e sente uma alegria em poder  sustentar um filho e pensa no pai com pesar, de tantos males uma benção, o filho que carrega em seu ventre.

O que dizer a um homem que desfila em plena luz do dia    diante dos olhos da mulher que na noite anterior consagrou única, mostra uma e outra à porta de sua casa, barzinhos, nas estradas nuas as diferentes mulheres que compartilham a sua cama, uma a cada dois dias. O que pedir a um homem que mil juras fez com o mais singelos e os mais belo discursos quando na prática a arma maior da enganação e mentira fazia sangrar o coração da mulher que o amava inconstante?

Seus olhos marejavam em lágrimas, decepções; ela apaixonou-se, entregou-se da forma mais pura seu corpo, sua alma, seus desejos, seus sonhos,mas e agora?

Ele imagina-se forçada a cumprir deveres, ela tranqüilamente agradece a benesse dos céus pelo filho que estava a caminho. Guardaria no silêncio o seu ventre intumescido de vida.

Pensa em despedir-se do ex companheiro numa oportunidade propícia com uma fala firme e elaborada, com o firme propósito que ele mantenha-se  feliz da forma que sempre soube utilizar, livre para as amantes, livre para os amores temporários, livre para o mundo, sem nenhuma responsabilidade com a  vida que mais cedo ou mais tarde se fortalecerá, crescerá, e no dia que perceber na Escola os amigos acompanhados com seus pais questionará, mãe quem é meu pai? E Ela olhará a criança com muito mais ternura, sentará no banco da mesma pracinha à beira mar onde outras crianças brincam  e dirá: “ seu pai é o homem mais lindo e forte, deve ser o mais amado do mundo. Ame-o e a força do seu amor o tocará, fluirá do seu coração uma energia que ele onde estiver sentirá que uma estrelinha sempre estará velando por ele na hora de nanar e isso será o grande prêmio, um exemplo de vida é jamais deixar de amá-lo mesmo sem  saber quem ele é e como ele é. Apenas ame-o!”

 

Normanda - Lia de Sá Leitão - 09/10/2006



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Idéias Soltas

Quanto tempo não escrevo algo na minha escrivaninha? Perdi a noção, estudos,trabalhos,festas de final de ano, acidente familiar, e um namoro acabado sem duras penas e um investimento numa paquerinha iniciada com carinho, respeito, sorrisos e confiança.
É confiança a base de todas as ações. Hoje o chamei de meu, ui, tomei um esfregaço pelas fuças, não sou seu, nem ao menos a conheço pessoalmente, e eu engoli em seco, fiz que não entendi continuei uma brincadeira meio sem graça, dessas que a gente se perde e fica amarela. Mas, entendo o que ele quis dizer. Você não tem valor algum se é virtual. Fazer o quê? É verdade! É confiança poder escrever para o outro algo assim, e cabe àquele que leu  calar e melhorar, sim, não é meu, não posso cobrar nem a presença, nem um beijo, nem um vem cá, nem muito menos se der liga pra mim porque sinto saudades. Foi dado limites baseados na confiança de não ser um pronome possessivo.
As moças que já passaram pela situação de esperar o ser amado um dia inteiro e ele estar pescando com amigos numa lagoa de Usina, o que pensaram? O que sentiram?  O que vivenciaram em seus sentimentos virtuais?
 As moças que experimentaram ler um e-mail mais ou menos nesses termos: gostosona sou seu fã,  mas fui assistir ao jogo, se quando eu voltar você estiver na área nos falamos caso contrário só amanhã. Qual o susto ou qual o sentimento de troca? Sem posses, nada de possessivos,  quero as respostas   simples e objetivas, não tenho nada contigo pra ser seu, portanto não fale o que não deve e  nem pense o que não pode.
Estou na posição da mulher desesperada! Que pensar? Estou na prateleira ou num jogo de conquistas onde as minhas antecessoras deixaram várias feridas ou profundas cicatrizes  já curadas,  mas  ainda permanece a tatuagem ali latente em suas cores? Pare,  que todo caminho para Roma pode ser bem mais atrativo que meu sorriso amarelo na foto do “msn’’?
Respondam-me, o que é não ser meu, ou nosso? É ser o que?
Tenho que confiar em alguma situação de verdade ou mentira, tenho que imaginar um universo rosa,   florido, com relvas , beija flores e crisântemos,  tenho que sonhar com alcova ou um filme de Almodóvar?
Onde as realidades se unem no cruel imaginário da mulher apaixonada baseada em confiança?
Como posso  mirar a base de um olhar que quer ver o mundo sob a óptica boa, livre até musical?

Alguém que pensa em sentir o amor funcionar, de uma vez que amor não significa apenas um sentimento de raspagem no ego e sim de poder dizer estamos no céu.
Por favor, pensem nos dramalhões mexicanos, nos choros convulsos do teatro italiano e na realidade crua sintética da sintática vida de um personagem comedor de pães com salsichas na carrocinha do homem que vende refrigerantes e guloseimas na esquina.
Se o amor eleva-se o êxtase, a alma voa aos céus e resume-se apenas ao sentimento orgástico? Não somos  diferentes dos outros da mesma espécie, o orgasmo é divisão ou união? É meu e seu, ou nosso?
Até a prática solitária do prazer é compartilhada com um pensamento estimulante de quem se imagina fervendo dentro de si.

 

Normanda - (Lia de Sá Leitão) - 15/-1/2007



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Paixão X Amor e Você.

 

Como fazer o diferencial? Assumir um título que ainda nem se sabe como elaborar?

Como empolgar o leitor no encantamento da introdução?

Tenho escritos tantos textos quanto meu juízo permite, numa velocidade surpreendente.

Hoje, a criança está dando trabalho para sair da forminha. Pensando aqui com minhas fivelinhas azuis.

Será que o fato de a gente ficar em estado de graça, feliz,  sorrindo para as paredes, dirigindo nas avenidas em alta  velocidade como se fossem vias de passeio, e o mais interessante, o mar, antes um elemento da geografia que podia ser transformada em usina de água doce e estava ali antes do Brasil ser Brasil, agora tem um quê de beleza, uma especial sedução?

Certamente depois dessas observações as letrinhas se escondem por trás da palavra paixão.

Hum, sei não, sei não.

Segurando o leitor pela mão e convidando-o a participar da discussão, com direito a deixar uma observação nos comentários.

Ontem falei com uma amiga sobre o assunto - paixão – e chegamos à conclusão que a paixão é como cor suave porém intensa, quiçá um amarelo nenê em tom pastel iluminada.  A amiga me falou assim: Normanda, podemos analisar seu comportamento, menos agressivo, mais dócil, menos amarga e  mais  risonha, mais afável, até mesmo carinhosa. Engraçado até meu psiquiatra falou isso, só eu não percebi essa diferença. Sempre fui assim meiga, carinhosa, delicada, dócil, se fui algum dia grosseira,  foi por pura preservação da emoção e guardei à unha e dentes as pérolas para mim.

Imaginado-me egoísta Sr. Leitor? Nada de nada! Parece que a vida caleja um pouco a alma e temos medo e muito mais medo de sofrer as quarentenas da paixão.

Quem não sofreu um namoro trocado, um equívoco de paixão, a transferência de afetos para o sujeito da oração errada? Sofremos quarenta dias sim! Somos como os semi deuses no Saara. Quem não surfou uma duna escaldante aos 40°, pingando o suor? Os desesperados em pleno meio dia deslocando-se para o trabalho.

Alta voltagem do ser assistindo a terra ferver com uma luminosidade inenarrável, misturado a real areia escaldante e a virtual  onda morna, espumando de alegria na praia,  dando viva ao nada do mundo.

Somos em cores! Rosas, violetas, azuis, amarelos, vermelhos, pretos, brancos, furta-cores, arco-íris, somos todos cores, basta identificar o tamanho da paixão.

Algum leitor pode está se perguntando, por que ela não fala em amor? Retorno a questão. Qual a concepção de amor se a paixão é essa tsunami de cores, ora fortes e inalteradas, oras em tom pastel e infantil?

Ah! Meu caro leitor,  reflita um pouco, qual a última vez que o pintor retocou as paredes das suas emoções?

 

continua...



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continuação...

 

Em tons melodiosos você ouviu uma música suave criada no seu âmago e você silenciou dentro do seu coração e disse: MEU DEUS É PAIXÃO! Será que Maria, Teresinha, Belinha, Josefina, Ana, Agripina, ( vice versa, claro!) e Pedro, Arthur, Luis, Wagner, Ivo, enfim, alguém vai sentir a diferença? Vou funcionar, mesmo em conflito entre o segurar o  corpo real, que dorme ao meu lado e aquele desejado com o ímpeto das tempestades?

Eu e minha amiga chegamos a conclusão que  se apaixonar com culpa é o absurdo  imposto pela contravenção cravada na educação do tempo da vovó, e sobrou para cada um de nós o conceito iconoclasta da 1ª Comunhão e a concepção pecaminosa dos devaneios da paixão.

Pensou?

Sabe agora o motivo pelo qual não tratei um só minuto em amor! Se paixão é esse destrambelhamento de posições e contraposições  imagine o amor; mas vamos tentar chegar ao mais profundo sentimento humano.

O amor é silencioso, rasteja como cobra mas tem alvo certo,  corre por cima da terra como o homem forte possui os pés firmes, sabe o caminho, é decidido, não compra tinta industrial para deixar a parede mais bonita, escolhe o pigmento, a argamassa e o cimento, desenvolve a uma textura própria que será eternizada na paisagem que constrói.

O amor pode durar menos que a paixão mas eterniza-se como uma obra de arte. O amor não descasca, nem fica fora de moda;  o amor tem estilo, o AMOR não tem dúvidas, ele sabe que decisão tomar na hora certa,  não tem medo dos olhares desconfiados das portas entreabertas.

Você pensou caro leitor?

Agora nesse instante quem está no vazio sou eu, comecei um texto sem pé nem cabeça, queria escrever com os volteios  metafóricos que a literatura me concede para expor meu sentimento,  ao ser que pretendo me deixar levar pelas brumas do pensamento até o momento da posse, corpo a corpo, entregar-se  aos braços e abraços, aos beijos e juras mais perfeitas, deixar os hormônios fluírem, exalarem suas guloseimas entre o laços e os lençóis e cá estou, engarrafada, com uma fotografia nas mãos, um olhar pidão de quem diz,  quero  ser feliz.

 

(Normanda - Lia de Sá Leitão) - 22/11/2006 



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NINGUÉM PERDE O QUE NÃO TEM

 

Mais uma vez ela adentra no quarto de banho sem muita vontade de nada, abre o chuveiro e deixa a fumaça tomar o ambiente, senta-se na tampa do vaso sanitário e fica como Pensador, sente até um certo prazer na posição de olhar o quase nada, questiona a eterna curiosidade das portas fechadas, todo armário de banheiro possui porta fechada e nunca tem nada ali de valor, todos os baús de roupas sujas tem tampa, mas ninguém questiona que roupas estão ali. Não tem graça olhar o box, é vidro, tudo à mostra mas todas as portas fechadas são interessantes. O que dizer com as próprias portas? Sempre fechadas, ringindo sem óleo, fazia tempo que não abria uma brecha, mas qual o motivo de abrir uma porta se sempre tinha alguém curioso para olhar, tirar as coisas do lugar, revirar os espaços ocupados de velhas lembranças, cavoucar o que já estava com cheiro de mofo, levantar ácaros naquele cantinho e sair. Será que as visitas que frequentam as nossas casas, vão abrindo as portas do armário do banheiro para ver qual o uso dali? Assim como alguém pode deixar abrir alguma porta que escondemos a chave  mas esquecemos por um motivo ou outro de dar a volta na fechadura. Qual o sentido daquele mistério?

O quarto de banho estava tomado pelo vapor, gotículas desciam como uma lágrima do seu rosto imparcial, de olhar parado num ponto que nem era o azulejo azul e sim a alma. Sentiu um calor de sauna agressivo,  porém relaxador. Levantou-se sem muito entusiasmo, tirou calmamente a blusa, os shorts, a calcinha, do mesmo jeito que não se está com vontade de sonhar,  mas se tem que sonhar para não morrer. Assim, ela estava ali, nua, olhando a água em cascata. Nada se misturava,

nem fantasias, nem desejos, tudo era apenas um corpo nu molhado a pensar em portas que deviam ter ficado fechadas mas  que tinham se escancarado para mostrar o quê? Paixão, bem querer, vontades; só não podia ser amor, o amor é leve, é suave, é folha que plana ao mais leve toque da brisa, é o próprio ar que invade o espaço. Fez um risinho de quem vê a consciência do mundo ironicamente  acertar os ponteiros das horas, só o tempo vence a máquina que pensa a realização do momento sem questionar o motivo pelo qual se deixou a porta aberta.

 

Normanda ( Lia de Sá Leitão)

 



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UM DIA ELA SERÁ UM GIRASSOL.

UM DIA ELA TENTOU SER UM GIRASSOL.
Olhou para todas as outras plantinhas do jardim e pensou, sou! Nem sabia que era apenas uma metáfora e as metáforas como comparações tornam-se voláteis, tornam-se ar e pois que não dizer tornam-se volúveis ou mesmo aquilo que foge entre os dedos e se perde na palma das mãos. Ela não sabe como segurar o amor, a mão treme e a alma   cai vertiginosa num abismo de luz que ela própria ainda percebe, não vê a luz dourada do girassol que sua própria razão de ser, os olhos marejam numa lágrima, as pálpebras tremem diante do espelho e ela tem que seguir. Seguir, seguir e seguir sem sentir saudades. Mesmo deixando a alma chorar o choro  latente, silencioso, felino, indomado apenas controlado sem saber onde está o controle remoto que desligue o sonho, o desejo da carne. Ela insiste em seguir um caminho de pedras, tendo a pista reta e asfaltada, procura a dor para saber o peso da dor, procura a inconsistência da ilusão para saber o preço a pagar da inconseqüência.
Porém, para os que imaginam o despetalar, o girassol ainda não se entregou e o seguir, seguir nem que seja desenrolando o fiapo que resta da caixa de Ariadne, acredita na esperança que se chama luz.
Caros leitores, hoje estou com a cabeça fervilhando em idéias, mas minha alma chora, soluça, não se arrepende de nada, mas sangra num gotejamento que leva muitas pinceladas de vida, leva muitos ideais, leva muita coisa, mas tanta coisa que no momento ela não tem idéia do destroço que fez com a própria vida. Resta apenas uma única etapa humana a conquistar na dor de querer libertar-se; chorar o amargor do trapiá e seus espinhos. Ela conclui entre lágrimas solitárias, sem ombro, som colo sem realizações sem muita vontade de ver as cores. Deixaria no momento o mundo cinza, mas ainda existe a possibilidade do mundinho azul de tantos outros que já existiram, ela pára de escrever por uns tempos. Promete apenas que as horas passam, a bandinha de fanfarra toca e a fila anda. O sol reaparece e dá brilho aos cabelos loiros, e a ostrinha azul volta a brilhar de outra forma, busca a felicidade sim, mas sem quebrar as estruturas do que lhe é peculiar, aos olhos de todos a vida convencional. A vida mais linear por mais que queira quebrar as estruturas, nada disso adianta, por que esbarra num paredão sem precedentes. Ela se recomporá, se estabilizará, vestirá a roupa mais bonita e estará em plena forma para seguir, seguir e seguir para recompor-se em doirados que formulam as energias cósmicas e assim a metamorfose se encanta, e o girassol se torna estrela.

 

Normanda - Lia de Sá Leitão - 2/10/2006



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A Viagem  

 

Adolfo espera impaciente a amada que acabara de ligar do aeroporto, Marília embarca no primeiro táxi do aeroporto Tom Jobim; o vôo  chegou dentro do horário previsto, em tempo hábil para apreciar o pôr do Sol a caminho de Santa Teresa.

Apesar do trânsito intenso, não tinha atropelos de blitz ou segurança armada para atravessas a auto pista.

Finalmente avista o Bairro amado, e o prédio onde ficaria hospedada por alguns dias, a curiosidade e a expectativa  do namoro, compras e a previsão de um amor inesquecível.

Ela identifica-se ao interfone, o porteiro abre o portão de ferro, indica o caminho. A moça segue em passos rápidos para o apartamento 302. Não gostava de surpresas isso se devia ao fato de ter avisado sua chegada. Sai do elevador carregada de uma  bolsa  de couro apropriada para pequenas viagens, atravessa o corredor em passos seguros e bate à porta do número indicado.

A porta se abre e diante da moça o olhar do rapaz cruza os seus, brilhos, sorrisos de cumplicidade, os desejos revelados e intensos, ela entra e o suor toma-lhe o rosto, fala sobre a viagem, mas por pouco minutos, seu amado toma-lhe ao colo e suga aquele suor da sua face, beija-lhe a boca cinematograficamente, lembrava os filmes de Clark Gable e as carícias já tomam o espaço do sofá.

Ele delicadamente tira-lhe à blusa indiana, e suga-lhe a pele branca,  arrepiam-lhe os seios que se inflamam diante daquela boca quente, suas mãos que cariciam a alma correm pelo corpo quase à mostra. Mais um movimento e se deixam cair no tapete, a saia  de tecido leve fica esquecida sob o sofá,  atira  numa cadeira a calcinha  já molhada, sem serventia alguma de encobrir as partes mais íntimas da mulher que se aconchegava entre o colo e os  músculos contraídos  do homem amado.

Beijos sedutores, linguas lambiam-se em voluptuosos ritmos dos suspiros e num bailado ora dócil, ora frenético deixavam no ar o traçado da bailarina , que deslizava  em vai e vens, sincronizados de música andante, desejada, tocada, que jamais seria esquecida em seus suspiros e gritos de mulher possuída e dentro de seu corpo a vida    fervilhava de seres como a cidade barulhenta de transeuntes desconhecidos.

Os corpos se fundiam, ela o segurava cravava-lhes as unhas pelas costas como uma felina, e ele batia em suas nádegas as palmadas que despertavam os mais libidinosos desejos dos fetiches mais que carnal.

Homem e mulher se cheiravam, se conheciam pelo exalar dos seus hormônios, Ele a toma nos braços e encaixa mais uma vez seu corpo como ilha que atraca a jangada  molhada escorregadia e quente de mar, velas aberta, tremendo. Ele dá um leve impulso para frente,  metamorfoseia-se  em borboleta azul, ele prende uma asa, ela se debate, ele se dobra, ela alcança a flor escarlate, ele a toma suave e a recolhe em seu peito, ela beija, ele acolhe ela em seu ombro e os dois adormecem, entrelaçados na mesma posição de entrega, de convite para novos momentos de amor. 

 

Normanda – Lia Lúcia de Sá leitão – 2/02/2006

 



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Mãe  

 

Chegada, mãe e filha cumprimentam-se, beijos, abraços, os netos ainda estavam bem comportados dos reclamões no carro, olha lá quem se comportar mal não vai ao shopping, não vai ao cinema, não vai à piscina, não joga no computador, não anda de bicicleta, não toma sorvetes. Ditos quase todos os não pela mãe, os meninos em fila abraçaram e beijaram a avó, cada um com a sua lembrancinha, nada caro para uma família de classe média arrochada, mas tudo muito bem embrulhado em papel de decorado para presente e laços de fitas em cetim.

Mãe olha com aquele olhar de quem diz, comportem-se, permite a meninada brincar com o novo jogo na varanda e acompanha a mãe até a cozinha. (pensa a filha da mãe) “Ainda bem que o almoço estava no fogão, a cozinha limpa esperava apenas pela nova remessa de panelas e pratos pós almoço.” a Mãe de tão feliz pela festinha particular também não esqueceu de lembrar que a filha odiava cozinhar, era mais fácil comer um sanduiche com a gurizada a fazer um macarrãozinho instantâneo. Fiz uma macarronada para vocês, além de pratico a meninada adora. A filha sorriu amarelo, mas a Mãe não perde a postura de mãe e avó.

Chama a filha e sentam-se ao sofá, falam em tudo e sobre tudo, de orçamento mensal a filha da vizinha que fugiu com o motoqueiro.  Mãe e filha se olham ternamente e  recordam a casa anterior, cheia de árvores, passarinhos, plantas nos vasos, lembram um tempo que os filhos dos seus filhos jamais terão.

As crianças brincam na varanda do apartamento no 8º andar.

A gritaria das crianças deixa a mãe tranqüila por identificar cada voz, cada embirra, cada choro, cada reclamação.

A mãe percebe a aflição da filha, vez por outra ao perceber um silêncio a mais não mede o olhar, levanta e através da porta de vidro meia aberta, examina o que a meninada faz.

A Mãe angustia-se, segura na mão da filha e diz com ar de mãe, relaxa, filhos sempre são assim, estão brincando, quando alguma coisa  de estranha acontece o coração avisa.

A festinha familiar caminhava durante o Dia da Avó! O almoço já estava pronto um cheiro  bom no ar,  as duas resolvem a primeira rodada para as crianças, depois elas almoçam mais tranqüilas.

Os netos comem com uma voracidade felina, toda a mesa foi tomada pela felicidade gastronômica dos titãs. Bagunça! Macarrão sobre a toalha e toalha molhada de suco derramado pelo mais velho, portanto o mais implicante de todos, pingos de molho no pano branco, copos descartáveis caídos.

As duas recolhem os pratos, olham uma para outra com cara de quem diz, filhos! Sentam-se, comem, levantam-se, parecia que os assuntos tinham-se esgotado em menos de meia manhã.

A filha mais que depressa puxa assunto dos tios, primos, sobrinhos enquanto leva os dois últimos pratos para a pia da cozinha junta-os a uma pilha de pratos, panelas e copos descartáveis, jarra de suco talheres.  Olha aquilo tudo e num sorriso fala para a mãe, deixa ai, vamos terminar o nosso assunto, antes de ir embora eu arrumo tudo! A Mãe olha os netos, a filha abandona a cozinha antes  limpíssima, a Mãe não acredita, mas, faz uma cara de todas as mães e pensa finalmente a vida de casada organizou a minha filha.

 

continua... 



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continuação...

 

A filha da Mãe impaciente com a hora que não passava olhava discretamente o relógio da parede.

Finalmente 15:00 hs, tempo de dar banho nos menores, mandar os maiores banharem-se sozinhos, aproveitar o resto da tarde e passar no shopping, comprar o pão, manteiga, queijo, ovos, ver a remarcação de calcinhas e cuecas para crianças,  ir direto para casa antes das seis e meia para não pegar trânsito e esperar o marido com um café quente, colocar as crianças na cama e namorar assistindo a novela das oito.

Chama os filhos menores, vamos para o banheiro! Dá banho aos reclamões, puxa a orelha do mais novo, perde a paciência e dá um puxão no braço domais velho que o mais novo, enrola um e o outro nas toalhas e leva-os ao quarto de hospedes, corre de um lado, do outro, veste-lhes as roupas e penteia-lhes os cabelos. A Mãe assiste a cena incrédula da rapidez; pensa cá com seu lindo colar de pedras coloridas que acabara de ganhar, será que estão mesmo limpinhos? A Mãe pede a MÃE que fique um pouco com os pequenos enquanto outra batalha se trava entre a varanda e o banheiro. 

Ao chamar e chamar e chamar os dois mais velhos para o banho, no corredor, topa com a Mãe e diz com tom de seriedade, MAMÃE seus netos são dois rapazinhos, aprenderam a banhar-se sozinhos.

Os mais velhos entram no banheiro, demoram meio século, a mãe bate na porta fechada, a MÃE ouve as risadas, de volta para a sala, senta-se, abre um assunto com a MÃE sobre ciúmes do marido, a Mãe volta a dar bons conselhos, a filha olha o relógio da parede o tempo agora disparou a rodar, fugia às rédeas do milênio, voava, ela grita com os mais velhos, vai até a porta do banheiro, esmurra, seu coração afirmava que tinha que no mínimo dar dois gritos para a bagunça fazer ordem.

E grita a plenos pulmões, ou vocês saem desse banho agora ou castigo!

Os meninos saem com risinhos desconfiados, aos pulinhos que nem parecem que um está empurrando o outro, vestem-se, chegam cheirosos na sala, abraçam a avó. Olham para a mãe e perguntam sem graça, mamãe a Senhora não vai tomar banho? Ela nem responde.

 

A MÃE não tenciona olhar a arrumação do banheiro para não ter que criar mais um caso com a filha que já esqueceu a cozinha pós furacão, afinal era festa.

 

Vai segurando a bolsa de couro e entrega a sacola com as roupas aos mais velhos que se recusam a segurar, ela dá um rugido de fera e os dois se encolhem e obedecem, despede-se da MÃE, dirige-se ao elevador, conta uma a um, deixa lembranças para o pai  e vai embora.

A MÃE feliz do dia da avó, tanta alegria, tanto barulho, agora o apartamento voltava ao silêncio de um mosteiro da Índia, fecha a porta da frente dá meia volta e suspira.

A sala está arrumada, mas a cozinha está de pernas para o ar, a MÃE bota a mão na cintura levanta a manga do vestido e vai para a limpeza pesada, ao terminar, o marido chega da rua e a janta ainda não está pronta, ela se justifica que foi uma festinha dos netos, ele não diz nada e entra no banheiro todo em desalinho, tapete enrolado, chão molhado e nas paredes recém pintadas, várias homenagens, desenhos em batom vermelho de várias nuvens, flores, casa com janelinhas, sol e um enorme coração  com uma inscrição carinhosa no mais bem escrito português: PARABÉNS Mãe PELA MÃE QUE VOCÊ TEM!